| Governo
e população de mãos dadas: na Internet
um sonho ainda distante
por
Gabriella Ponte
5º período - Jornalismo
Como país democrático, o Brasil conta com a participação
da população nas decisões que mais afetarão
o futuro de todos. Na época das eleições, principalmente,
o povo tem total contato com os governantes. Todos ficam a par de
suas propostas e soluções para problemas enfrentados
há muito tempo. Mas, depois que os representantes políticos
da sociedade são eleitos, o governo e, principalmente, o
Congresso Nacional viram as costas para os eleitores. A comunicação
inicialmente estabelecida com os parlamentares durante o período
eleitoral não existe mais. Muitos até esquecem em
quem votaram. É necessário estimular a todos para
que essa comunicação seja contínua, com o intuito
de fazer valer a ordem e o progresso que o país leva estampado
na bandeira.
A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro
(FIRJAN)
realizou uma pesquisa para analisar o grau de participação
das 92 prefeituras do Estado do Rio de Janeiro no processo de desburocratização
eletrônica. Foi feito um levantamento de todos os portais
municipais para uma discussão sobre seus níveis de
desenvolvimento econômico. A pesquisa também queria
mostrar se os programas já apresentam resultados reais.
De acordo com estudos feitos, muitos políticos perceberam
que, na atualidade, as relações entre a administração
pública e os cidadãos estão mais estreitas.
A forma desta relação através da Internet se
chama governo eletrônico, que demonstra o quanto o governo
tenta desburocratizar as interferências que há na vida
do cidadão, dando a solução de casos em que
a interferência é necessária, tornando os processos
administrativos mais simples, exterminando formalidades e exigências
burocráticas que acabam atrapalhando o cidadão, a
empresa e os cofres públicos.
A FIRJAN revelou, através desse levantamento, que somente
42 prefeituras possuem sites ativos e que já obtiveram alguns
resultados, embora as metas estejam longe de serem atingidas. Os
sites -que não contêm estudos sobre o nível
de desenvolvimento - teriam uma finalidade informativa, disponibilizando
serviços online para que haja interação. A
partir daí, os usuários (os cidadãos) trocariam
informações com os órgãos governamentais.
O próximo passo seria o governo atender aos pedidos e reclamações.
A pesquisa - que analisou as relações entre população
e participação dos municípios no governo eletrônico
- obteve resultados relativamente satisfatórios se comparados
com estados como São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina,
considerados desenvolvidos no processo de desburocratização
eletrônica. Se sites de âmbito nacional fossem analisados,
quais seriam os resultados?
No site da Câmara dos Deputados existe a ouvidoria parlamentar,
que funciona como um canal com a sociedade. Exibem matérias
de interesse do cidadão, mostrando como o brasileiro pode
ter participação no processo legislativo. A página
da ouvidoria é bastante acessada (em 2 anos, mais de 18 mil
acessos), onde 2270 contatos foram resolvidos. A Internet é
a maior mediadora da população com a Câmara,
já que 67% dos contatos são feitos por email. Os outros
são por carta e telefone.
Está disponibilizada no site a matéria "A serviço
do brasileiro", publicada no Correio Brasiliense. Nela, são
mostrados resultados concretos da junção entre os
parlamentares e a população. Desde agosto de 2001,
funciona na Câmara dos Deputados a Comissão de Legislação
Participativa. A idéia é transformar as reivindicações
dos cidadãos em projetos de lei ou emendas à Constituição.
Até hoje, a Comissão apresentou 30 projetos, um deles
já aprovado e enviado para apreciação no Senado.
A participação do povo se dá por meio da sociedade
civil organizada. Entidades e instituições são
sempre chamadas a debater assuntos. Podem também propor discussões
e até convocar autoridades a dar explicações.
As denúncias são encaminhadas ao Conselho de Ética
e Decoro Parlamentar para serem apuradas.
No site da Agência
Nacional de Energia Elétrica há um espaço
para os cidadãos mandarem dúvidas, solicitações
e reclamações. Essa comunicação leva
a Agência a acionar as operadoras de energia elétrica,
resolvendo os problemas detectados pelos cidadãos. Está
à disposição no site o Código de Defesa
do Consumidor, enfocando os direitos dos usuários de energia.
Além disso, como fazer cálculos das tarifas; um alerta
às concessionárias do serviço público
de energia elétrica a desenvolverem projetos visando a melhoria
do serviço; leis relacionadas ao fornecimento de energia,
dentre outros.
Já a página do Ministério
da Defesa, não oferece nenhum vínculo com os cidadãos.
Não possui nem a seção "Fale conosco",
geralmente encontrada nesses sites. Somente mostra a legislação,
não oferecendo as informações necessárias
para o conhecimento da população. Assim como o Ministério
da Fazenda, que se diferencia apenas por disponibilizar a seção
para envio de e-mail.
Um site que está sendo muito acessado ultimamente é
o do Fome Zero.
Mostrando-se interativo, recebe mensagens online e por telefone.
Nas notícias, é possível ver que as promessas
do Presidente Lula para o setor vão sendo aos poucos cumpridas.
O maior problema de todos é que os privilegiados dessa interação
são aqueles que têm acesso à Internet. É
claro que na maioria dos sites são disponibilizados os endereços
e telefones de contato. Mas, como as pessoas que não têm
Internet saberão dessas informações? Para Maria
Gomes, 55 anos, empresária, "o ideal seria que todos
os brasileiros tivessem essas informações, assim como
também pudessem participar de projetos sociais, por exemplo,
que estão à disposição nos endereços
eletrônicos". Ela já utilizou a Internet para
fazer reclamações e para declaração
do Imposto de Renda. Afirma que essa forma de relação
é muito útil e poderia ser melhor aproveitada.
Já Clivaldo Jurema, 37 anos, comerciante, que não
tem computador em casa, indaga: "Às vezes preciso fazer
alguma reclamação e não tenho como falar com
o governo. A impressão que dá é que eles não
estão interessados em saber o que o povo quer falar. Eu me
sinto excluído quando sei que uma lei saiu e não concordo
com ela. Acho que, assim como o governo, nós também
temos que decidir que lei deve ser aprovada".
Assim, percebe-se que, para o pleno exercício da democracia,
uma maior difusão da Internet no país seria essencial.
Até mesmo para a população acreditar realmente
ser possível andar de mãos dadas com o governo.
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