INCLUSÃO DIGITAL: ou quem inclui quem?

Quando se fala em inclusão digital, geralmente se imagina um curso voltado para pessoas de baixo poder aquisitivo, localizado em comunidades de baixa renda, com uma série de computadores e um ou mais professores dispostos a incluir aqueles alunos no meio digital, ou seja, proporcionar o acesso daquelas pessoas ao ambiente tecnológico.

No nosso dia-a-dia os computadores são úteis em vários setores e é extremamente necessário integrar a sociedade em relação a esses benefícios. Entretanto, se as pessoas não têm noção do papel que a tecnologia pode ocupar em suas vidas e suas realizações, as iniciativas existentes de inclusão digital correm o risco de se tornar meros artifícios para justificar o controle da sociedade por parte daqueles que estão por trás das tecnologias: empresas produtoras de computadores e de programas comerciais.

Recentemente foi publicado o "Mapa da Exclusão Digital", um amplo estudo promovido pelo CDI - Comitê pela Democratização da Informática e pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, com o apoio da Sun Microsystems (empresa norte-americana produtora de equipamentos de informática) e pela USAID (agência do governo norte-americano).

A publicação confirma, com dados atuais, o que já sabíamos a respeito do acesso restrito da população brasileira à Internet: somente 8,31% dos brasileiros possuem acesso à Internet em suas casas e estes se concentram em áreas urbanas, nos bairros de classe média alta. A pesquisa se concentrou em dados relacionados ao ambiente doméstico, não considerando o fato de que a população em geral também acessa computadores e Internet do seu local de trabalho ou da escola.

Incluir a sociedade na era da informática, portanto, torna-se uma tarefa fundamental para reverter esse quadro de 'apartheid digital' que contribui para o próprio empobrecimento do país, na medida em que as pessoas permanecem alheias aos recursos e serviços possibilitados pelos computadores e pela Grande Rede. Por outro lado, se não existe uma real necessidade que justifique esse processo de inclusão digital, não será criando uma situação fictícia - "não 'ficar de fora' da era digital" - que essa demanda aparecerá.

Quem nunca teve contato com a informática faz um curso para buscar um trabalho melhor, para não ficar para trás. As tecnologias entraram de tal forma no mundo do trabalho que a familiaridade com ela é inevitável para ' 'poder se dar bem' num emprego que apareça ou mesmo numa promoção na firma onde se trabalha.

O curso que capacita o trabalhador em potencial não surge para incluir a tecnologia, mas para incluí-lo, sim, numa sociedade que assume a tecnologia como indispensável no trabalho, em relação a qual o papel do trabalhador será o de somente se adaptar às mudanças em relação às quais ele não tem capacidade de interferir.

Falar, portanto, em inclusão digital sem considerar a conscientização em relação ao papel que a tecnologia representa na sociedade capitalista contemporânea, é o mesmo que afirmar que, nessas iniciativas, as pessoas é que são incluídas.

DIREITO DE COMUNICAR MOBILIZA O MUNDO
De 10 a 12 de dezembro deste ano acontecerá em Genebra a Cúpula Mundial pela Sociedade da Informação, que contará com representantes de vários países para debater as políticas mundiais de inserção da sociedade na era da informação. O encontro será uma espécie de Davos digital, no qual os donos do mundo se reuniram para definir os rumos da política econômica mundial.

Neste, não só estarão presentes os governos interessados no combate ao ciberterrorismo, encabeçados pelos Estados Unidos, como também aqueles que praticam censura interna ao acesso pleno à Internet como os governos de Cuba e China.

Tal como vem acontecendo nos vários encontros multilaterais desse tipo, os "movimentos anti-globalização" começam a se reunir para propor alternativas onde possam expressar seu real sentimento em relação a esse debate e também alternativas para pensar um outro modelo de inclusão, onde a população seja sujeito de um processo no qual possa ter a consciência do que fazer com a tecnologia para seu melhor benefício.

Vários CMIs (Centros de Mídia Independentes) da Europa - em especial os de Genebra, França, Itália e Alemanha - estão organizando eventos paralelos, ações diretas de mídias comunitárias e conselhos paralelos interligando pessoas, grupos e organizações em todo o mundo durante o evento. A idéia é mostrar recursos e experiências na prática para compartilhar conhecimentos e capacidades dentre os participantes.

 
NESTA EDIÇÃO

Inclusão digital: ou quem inclui quem?
por Adilson Cabral
"Inclui
r a sociedade na era da informática, portanto, torna-se uma tarefa fundamental para reverter esse quadro de 'apartheid digital' que contribui para o próprio empobrecimento do país, na medida em que as pessoas permanecem alheias aos recursos e serviços possibilitados pelos computadores e pela Grande Rede. Por outro lado, se não existe uma real necessidade que justifique esse processo de inclusão digital, não será criando uma situação fictícia - "não 'ficar de fora' da era digital" - que essa demanda aparecerá".

Desenvolvimento sustentável
É do papai ou da mamãe: com a cara de quem se parecem os jogos consumidos pelos filhos?
Afinal, qual é o público alvo dos jogos por computador? Masculino ou feminino? As mulheres conquistaram o mercado ou consolidaram apenas mais um nicho? Essas dúvidas ainda pairam na cabeça de muita gente, pois a indústria tecnológica disponibilizou inúmeros jogos voltados para ambos os sexos. Porém, estudos mostram que a concepção e a projeção da maioria deles visam os homens. Será mesmo? (Texto completo)

Governabilidade democrática
Governo e população de mãos dadas:
na Internet um sonho ainda distante
Apesar do Brasil ser um país democrático, percebe-se que, do ponto de vista político, a maioria dos cidadãos não têm conhecimento suficiente das decisões que interferem nas suas vidas. Para ter acesso às informações, torna-se necessário conhecer os sites governamentais, os recursos e serviços que oferecem, pois, até os endereços e telefones não são disponibilizados por outros meios. (Texto completo)

 

Exclusão Cefálica, por Alexandre Rangel (SOCID)
"Inclusão digital não é premiação com equipamentos de informática, linhas de crédito ou Internet grátis. É tudo isso e muito mais. Esses devem ser meios, que somados a outros, como por exemplo, capacitação e participação da sociedade vão constituir uma solução, a qual poderemos chamar de inclusão digital."

Diversidade cultural e linguistica
Línguas ao “pé da letra” para a boa convivência dos internautas de todo mundo
A globalização e as novas tecnologias permitiram que o homem pudesse se comunicar para além de seu território. E, muitas vezes, sem sair de casa se estiver conectado à Internet. Mesmo com tantas facilidades, o internauta
necessita de informações, pois não domina outros idiomas. Apesar de utilizar ferramentas auxiliares tais como tradutores automáticos, a maioria não oferece o resultado esperado. (Texto completo)

Segurança da informação
O SPAM começa com você:
envie seus dados e receba emails indesejados.
Preencher um cadastro com dados pessoais em sites pode ser perigoso para o internauta. Pois são transformados em bancos de dados e vendido para empresas que enviam publicidade de seus produtos repetidamente para seu endereço eletrônico. Essas mensagens indesejadas (SPAMs) acabam comprometendo a privacidade de suas informações. (Texto completo)

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