Línguas ao “pé da letra” para a boa convivência dos internautas de todo mundo

por Gabriella Ponte
5º período - Jornalismo

É inevitável que usuários de Internet, que a utilizam como um instrumento fundamental de pesquisa, não acessem um site em outra língua sem ser a sua. A globalização e o aumento da difusão da Internet foram responsáveis por aproximar as pessoas culturalmente. Mas, nem todos os usuários conhecem outras línguas e isso pode dificultar na sua busca pelo conteúdo desejado. É aí que entra a questão: a diversidade cultural e lingüística na Internet atrapalha na hora da troca de informações?
Muitas pessoas que usam a rede não sabem aproveitar todos os recursos que ela oferece. Existem ferramentas que auxiliam os usuários que não dominam outros idiomas, mas que necessitam conhecer o conteúdo de certas páginas de outras culturas. Há programas de tradução instantânea online e offline (usados quando não se está conectado à rede) e sites que traduzem as páginas.
Um exemplo de programa de tradução online é o Smart Translator, no qual o usuário coloca o texto na língua original e escolhe um idioma para que ele traduza. Global Translator é um tradutor offline. Sites como Google e All the Web dão a escolha de mostrar as páginas que estão em inglês em português (ou vice-versa).
Com mais de sete milhões de downloads - computados no site Download.com, o Babylon Pro 4.0 é um dos mais populares. Ele permite, com um clique sobre uma palavra, obter traduções cruzadas entre o inglês e o português, além de outras línguas.
O maior problema enfrentado por usuários que buscam a tradução é a chamada tradução ao "pé da letra". É lógico que esses programas não conseguem traduzir expressões próprias da língua, gírias ou qualquer outro termo da língua que não esteja incluído no dicionário. Muito menos substituir o conhecimento humano. As traduções acabam ficando sem sentido, não ajudando muito no entendimento do texto.
Diego da Silva, 22, universitário, mesmo sendo usuário há cinco anos desses métodos de tradução, não abandona os métodos tradicionais:
"Eu já usei esses sites de tradução algumas vezes para pesquisar um trabalho da faculdade em sites em inglês. Tem algumas palavras que não são traduzidas e a pessoa tem que colocar sentido nelas. O melhor é usar dicionários e procurar os significados e só utilizar este método para textos muito grandes".
O grande desafio é a implementação da inteligência artificial nestes programas, capaz de analisar e comparar duas línguas distintas com suas características, regras e, sobretudo, suas exceções. O uso destes programas requer uma certa precaução, pois as traduções feitas pelo computador não devem substituir traduções feitas por pessoas qualificadas. Pelo menos ainda não ...
Marvin Minsk é catedrático da Toshiba de Artes e Ciências da Mídia e professor de Engenharia Elétrica e Ciências da Computação no Massachusetts Institute of Tecnology. E, como pesquisador e escritor, particularmente em Inteligência Artificial, ciência que pode ser definida como resultado de métodos programáveis em computador que simulam atividades mentais humanas envolvendo inteligência, afirma: "
os programas automáticos de tradução de linguagens não podem ser considerados softwares inteligentes. A atual tecnologia de tradução ainda não pode ser comparada a um bom tradutor humano porque realmente o software não entende o que está sendo traduzido. O ideal seria que ele tivesse um conhecimento de bom senso, além do conhecimento sobre o vocabulário".
A professora Ida Guimarães, que dá aula de Inglês Instrumental em Comunicação Social na Universidade Estácio de Sá, explica melhor sobre essa dificuldade da língua ao "pé da letra":
"O computador faz uma tradução literal, sem o contexto. Para chegar a uma tradução, é preciso aprender técnicas de leitura para conseguir ter habilidade. Aqueles que não têm conhecimento em outras línguas, mas que conhecem o assunto, podem entender o sentido do texto e formar uma idéia sobre. Eu acho que, mesmo esses programas sendo imperfeitos, eles são úteis. Mas é melhor tomar cuidado para esses programas ajudarem na comunicação e não impedi-la".
Enfim, a Internet é palco de internautas de línguas completamente diferentes. E, mesmo sabendo que os programas de tradução são imperfeitos, o número de usuários cresce a cada dia, pois eles oferecem comodidade às pessoas que precisam converter seus textos para outras línguas e, no entanto, não possuem o conhecimento e a habilidade para tanto. Elas se sentem atraídas pela velocidade com que isso pode ser feito, conseqüentemente, não permitindo que eles nunca saiam de cena quando o assunto é entender e ser entendido em toda a Rede.

 
NESTA EDIÇÃO

Inclusão digital: ou quem inclui quem?
por Adilson Cabral
"Inclui
r a sociedade na era da informática, portanto, torna-se uma tarefa fundamental para reverter esse quadro de 'apartheid digital' que contribui para o próprio empobrecimento do país, na medida em que as pessoas permanecem alheias aos recursos e serviços possibilitados pelos computadores e pela Grande Rede. Por outro lado, se não existe uma real necessidade que justifique esse processo de inclusão digital, não será criando uma situação fictícia - "não 'ficar de fora' da era digital" - que essa demanda aparecerá".

Desenvolvimento sustentável
É do papai ou da mamãe: com a cara de quem se parecem os jogos consumidos pelos filhos?
Afinal, qual é o público alvo dos jogos por computador? Masculino ou feminino? As mulheres conquistaram o mercado ou consolidaram apenas mais um nicho? Essas dúvidas ainda pairam na cabeça de muita gente, pois a indústria tecnológica disponibilizou inúmeros jogos voltados para ambos os sexos. Porém, estudos mostram que a concepção e a projeção da maioria deles visam os homens. Será mesmo? (Texto completo)

Governabilidade democrática
Governo e população de mãos dadas:
na Internet um sonho ainda distante
Apesar do Brasil ser um país democrático, percebe-se que, do ponto de vista político, a maioria dos cidadãos não têm conhecimento suficiente das decisões que interferem nas suas vidas. Para ter acesso às informações, torna-se necessário conhecer os sites governamentais, os recursos e serviços que oferecem, pois, até os endereços e telefones não são disponibilizados por outros meios. (Texto completo)

 

Exclusão Cefálica, por Alexandre Rangel (SOCID)
"Inclusão digital não é premiação com equipamentos de informática, linhas de crédito ou Internet grátis. É tudo isso e muito mais. Esses devem ser meios, que somados a outros, como por exemplo, capacitação e participação da sociedade vão constituir uma solução, a qual poderemos chamar de inclusão digital."

Diversidade cultural e linguistica
Línguas ao “pé da letra” para a boa convivência dos internautas de todo mundo
A globalização e as novas tecnologias permitiram que o homem pudesse se comunicar para além de seu território. E, muitas vezes, sem sair de casa se estiver conectado à Internet. Mesmo com tantas facilidades, o internauta
necessita de informações, pois não domina outros idiomas. Apesar de utilizar ferramentas auxiliares tais como tradutores automáticos, a maioria não oferece o resultado esperado. (Texto completo)

Segurança da informação
O SPAM começa com você:
envie seus dados e receba emails indesejados.
Preencher um cadastro com dados pessoais em sites pode ser perigoso para o internauta. Pois são transformados em bancos de dados e vendido para empresas que enviam publicidade de seus produtos repetidamente para seu endereço eletrônico. Essas mensagens indesejadas (SPAMs) acabam comprometendo a privacidade de suas informações. (Texto completo)

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