Fundo de solidariedade digital
Contribuições aos países que mais precisam de ajuda digital

Gabriella Ponte
6º período – Jornalismo

A importância que a Sociedade da Informação está dando para a disseminação da Internet é de âmbito mundial, mas o continente que mais preocupa aos seus membros é a África. As péssimas condições sociais e a miséria de seus países impedem o desenvolvimento digital. Como foi citado na edição passada do Sete Pontos, na conferência regional da África, um dos assuntos abordados foi a promoção de softwares livres que permitam um maior rendimento e capacitação do usuário.
Não é comum o acesso a computadores por parte da população africana, muito menos, Internet. Sabendo desta realidade, o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, fez uma proposta para que os países mais pobres pudessem ter acesso às telecomunicações e à grande Rede Mundial de Computadores. Agora, os governantes de toda a África estão promovendo esta iniciativa. Os países mais pobres receberiam doações de empresas e governos dos países desenvolvidos. Eles fariam contribuições, como, por exemplo, na venda de computadores e equipamentos de redes e com operadores de telecomunicações.
O Fundo de Solidariedade Digital teria como membros representantes do governo e da sociedade civil de todo o mundo e seria financiado pelos governos. Este projeto pretende acabar com a brecha digital, dando orientação às pessoas através dos meios de comunicação tradicionais e comunitários, não unicamente à Internet.
Em fevereiro deste ano, no segundo Comitê Preparatório (PrepCom 2), realizado em Genebra, o presidente do Senegal mostrou, em seu discurso, que o Terceiro Mundo é marginalizado e excluído da sociedade digital. A União Européia está em oposição ao Sul. Mas, não se trata de um fundo sustentado pelos governos do Norte nem de ajuda imposta às empresas do Terceiro Setor. Ele espera que a contribuição seja voluntária, principalmente do Norte, que compram equipamentos de computação, software etc., e que aceitem fazer uma pequena contribuição.
O vice-presidente da Nova Sociedade para Desenvolvimento da África (NEPAD), Sr. Wade, ficou grato pelo reconhecimento da necessidade de ajuda tecnológica aos países africanos. “Eu sou grato por notar que a quase ‘virgindade’ tecnológica do continente africano e dos países do Sul no geral tem, na verdade, uma vantagem. As companhias de telecomunicação e de tecnologia da informação concordarão comigo que esta ‘virgindade’ elimina o risco de migração tecnológica que é freqüentemente dispendiosa no Norte”.
Wade também explicou que “o investimento maciço nas áreas de infra-estrutura tecnológica, treinamento e transferência tecnológica é a chave para resolver os problemas de conexão e banda larga que são correntemente enfrentados nos países do Sul. O princípio de solidariedade digital deve, dentro da estrutura do NEPAD, fazer com que o acesso fique balanceado para os recursos tecnológicos abundantes do planeta”.
As doações e possíveis contribuições que a iniciativa privada e os governos poderiam proporcionar exerceriam um importante papel no desenvolvimento tecnológico da África. A implementação de tal fundo pretende assegurar que os recursos cheguem àqueles que mais necessitam.

 
NESTA EDIÇÃO

A Cúpula já começa na Web: fórum online dá início aos debates e ao compartilhamento de informações,
por Adilson Cabral
Desde o início do mês está disponível o WSIS Online (http://www.wsis-online.net), criado pela Secretaria Executiva Suíça para a CMSI para garantir visibilidade, transparência e o cumprimento do Plano de Ação que se definirá já em dezembro, por ocasião da Cúpula.

Desenvolvimento Sustentável
A participação da Heinrich Böll Foundation
: Em que consiste a plataforma de direitos civis para uma sociedade do conhecimento sustentável?
A Heinrich Böll Foundation mobiliza-se contra a divisão entre os que têm acesso às novas mídias e os que são excluídos digitalmente, constatando a injusta distribuição de comunicação que afeta as relações entre países e dentro da sociedade.
(texto completo)

Direitos Humanos
Fundo de solidariedade digital
: contribuições aos países que mais precisam de ajuda digital
Os representantes dos países africanos estão se mobilizando para que o Fundo de Solidariedade Digital se torne realidade. Pois, ele é uma possibilidade de se acabar com a brecha digital, ou seja, entre os que têm e os que não têm acesso ao computador e à Internet. (texto completo)

Educação para a Informática e a Internet
O papel da mídia no direito à comunicação e à educação:
qualidade e acesso são essenciais na difusão do conhecimento
Com a fascinação das pessoas pela comunicação, instituições educacionais estão aproveitando os recursos midiáticos para tentar promover a educação de um modo mais atrativo para os alunos. (texto completo)

 

Indicadores sociais da utilização da Tecnologia da Informação e da Comunicação,
por Cezar Honorato (LPP/UERJ)
A preocupação em buscar indicadores sociais da utilização da Tecnologia da Informação e da Comunicação é uma necessidade para possibilitar uma melhor radiografia do problema da inclusão social e pautar as ações futuras para reverter a atual situação.

Conhecimento Global de Domínio Público
Direito à comunicação exige mobilização da sociedade

Muitos governos e empresas participantes da CMSI defendem que a real capacidade de se comunicar está ligada diretamente às máquinas, esquecendo-se do homem. Dessa forma, a sociedade civil deve se mobilizar e não permitir que a Cúpula se resuma a um espaço onde se discuta apenas a Internet e a infra-estrutura tecnológica. (texto completo)

Governança da Internet
Comitê Gestor da Internet Brasil está com nova formação
Com a criação do CGI-BR, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer mostrar o seu interesse em promover o acesso universal à rede, valorizar os direitos humanos (com destaque para os direitos de comunicação e a liberdade de expressão) e defender os princípios democráticos na governança da Internet no Brasil e no mundo.
(texto completo)

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