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Direito à comunicação exige mobilização
da sociedade
O
tema comunicação vem sendo bastante debatido na Cúpula
Mundial da Sociedade da Informação (CMSI), uma vez
que envolve o ser humano e, em muitos casos, a tecnologia. Porém,
para muitos governos e empresas, a real capacidade de se comunicar
está ligada diretamente às máquinas, esquecendo-se
do homem e de seus direitos já conquistados e descritos na
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Dessa forma,
a sociedade civil se une e se levanta contra as irregularidades
que vêm sendo sustentadas na Cúpula.
Uma das iniciativas que vem se expandindo por vários países
é a Campanha CRIS: "Direitos à Comunicação
na Sociedade da Informação" que tem como meta
assegurar que os direitos de comunicação ocupem um
lugar essencial na sociedade da informação e na CMSI.
A campanha é apoiada pela Plataforma para os Direitos da
Comunicação, um grupo de ONGs que trabalha, em todo
mundo, em projetos de comunicação e meios.
Ter direito à comunicação envolve liberdade,
responsabilidade, respeito e oportunidade. E, sob o ângulo
das Tecnologias da Informação e da Comunicação
(TICs), diz respeito, também, a redução da
"brecha digital" criada pelos poderes econômico
e político. Hoje torna-se fundamental repensar e definir
modelos de desenvolvimento e acesso de todos os setores sociais
às TICs, pois é fato que a sociedade é dividida
entre aqueles que têm e os que não possuem nenhum contato
com as novas tecnologias - para não ir muito longe, ao simples
computador.
E, se não houver uma mobilização dos povos
pelo comprometimento, durante a Cúpula, por parte dos governos,
das empresas e da sociedade civil, visando acabar com a distância
digital entre as várias realidades sociais, as coisas só
tenderão a piorar ainda mais. A mobilização
das empresas que fabricam as tecnologias de última geração,
que são totalmente contra o fim da "brecha", visa
a sustentação de seus grandes lucros, uma vez que
os que têm condições financeiras buscam sempre
o mais novo - que sempre é o mais caro - e os que não
têm condições de se atualizarem, se satisfazem
com tecnologias compostas por softwares básicos e preços
acessíveis.
Garantir o acesso a todos é um desafio que vem sendo enfrentado
arduamente pela Campanha CRIS. Porém, mesmo sofrendo fortes
pressões dos campos empresarial e político, seus integrantes
não se cansam de produzir documentos e recursos interativos
para Internet, participar em seminários, compartilhar informações
e pressionar. De acordo com um de seus representantes e responsáveis
pela campanha, Víctor van Oeyen, no Seminário Internacional
da Associação Mundial para a Comunicação
Cristã (WACC), ocorrido em São Bernardo do Campo (SP
- Brasil) no início do mês de novembro, a sociedade
civil não pode cruzar os braços, mas reunir diversas
organizações para discutir comunicação
e tecnologia, preocupadas com o direito à comunicação
e empenhadas a produzir e articular idéias e propostas partindo
das necessidades da sociedade.
Mas ter acesso às novas tecnologias não é suficiente
para garantir o direito à comunicação, torna-se
necessário retomar os direitos conquistados pela humanidade
- que, em muitos países democráticos são garantidos
por Lei. No caso do Brasil, a Constituição de 1988
em seu capítulo I reza os direitos e garantias fundamentais
como a "inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade" (art. 5º) e no capítulo II, os direitos
sociais: "a educação, a saúde, o trabalho,
o lazer, a segurança (...)" (art. 6º), dentre outros,
garantindo assim os direitos dos cidadãos. E isso é
o ponto fundamental: olhar para o ser humano e respeitar seus direitos.
A tecnologia é algo criado pelo homem que deve ser utilizado
a seu favor e não o contrário - como vem sendo colocado
na Cúpula.
É preciso discutir a sociedade da informação
a partir da construção de um mundo melhor, analisando
o modelo de sociedade que vem sendo desenvolvido e quem são
seus beneficiários. E, se isso não consegue ser a
pauta dos políticos e empresários, então, que
seja da sociedade civil que não deve permitir que a Cúpula
se resuma a um espaço onde se discuta apenas a Internet e
a infra-estrutura tecnológica. E, como a campanha CRIS propõe,
deve-se discutir a aplicação do desenvolvimento tecnológico
para melhorar a situação dos direitos humanos.
E assim, é preciso reagir às pressões feitas
pelos governos e empresas e discutir também os direitos de
domínio público e propriedade intelectual, os meios
de comunicação e as comunicações - como
um todo, além de outros assuntos que não estão
diretamente vinculados ao problema do acesso às TICs. Isso
já vem sendo percebido nas mobilizações que
vêm sendo feitas pelos membros da CRIS nestes últimos
econtros - que vêm afetando a primeira parte da CMSI que ocorrerá
no início do mês de dezembro de 2003 em Genebra. Simplesmente,
muitos governos e empresas se levantaram contra propostas feitas
sobre o papel dos meios de comunicação, a governança
na Internet, a propriedade intelectual, o sofware livre, entre outros.
Muitos governos e empresas buscam impor seus interesses particulares,
tentando inviabilizar qualquer tentativa que favoreça os
povos como um todo. Porém, para que isto não se torne
realidade, é preciso que todos busquem conhecer mais o que
é a CMSI, as propostas e sua importância no cenário
mundial - que divulgamos ao longo das edições do Sete
Pontos. Além disso, as iniciativas da sociedade civil como
os documentos da Campanha CRIS podem também ser acessadas
em http://movimientos.org/foro_comunicacion/cris.phtml.
Confira alguns dos links disponíveis:
1.
A pergunta para a Sociedade Civil
2. Por que os Direitos de Propriedade Intelectual interessam à
Sociedade Civil?
3. Meios de Comunicação Comunitários: uma voz
para a sociedade civil
4. Por que a propriedade dos meios de comunicação
deveria ser um tema de preocupação?
5. O setor corporativo e o controle da informação
6. Desejos eletrônicos: problemas, possibilidades e necessidade
de compromisso da sociedade civil
7. Comunidades: as possibilidades desconhecidas das TICs
8. Questionamentos acerca de uma distribuição fácil
de banda de freqüência (Pradip Thomas, WACC)
9. A brecha digital e a falta de credibilidade
por
Eula Dantas Taveira Cabral
Editora do Informativo SETE PONTOS
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