Comitê Gestor da Internet Brasil está com nova formação
uma possível contribuição para o desenvolvimento e a democratização da Internet no Brasil

Gabriella Ponte
6º período – Jornalismo

O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI-BR) está com uma nova estrutura. O decreto, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entrou em vigor no dia 3 de setembro deste ano. O comitê, que antes era composto por 12 conselheiros (5 do Setor Público e 7 do Setor Privado / Terceiro Setor), agora terá 21 representantes.
Esse órgão coordena o Network Information Center (NIC BR), uma organização de resposta a incidentes que ocorrem na Internet. O CGI-BR estabelece um trabalho colaborativo com outras entidades, como as polícias e provedores de acesso, oferecendo ajuda na análise de sistemas comprometidos por ataques de hackers e ciberterrorismo.
O principal objetivo na mudança da formação do CGI-BR é que ela pode trazer contribuições para o desenvolvimento e democratização da Internet no Brasil. O novo comitê terá entre outras atribuições: estabelecer estratégias relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no país; diretrizes para a organização das relações entre o governo e a sociedade, visando o desenvolvimento da Internet; buscar oportunidades constantes de agregação de valor aos bens e serviços a ela vinculados; e promover estudos e recomendar procedimentos, normas e padrões técnicos e operacionais para a segurança das redes e serviços de Internet, bem assim para a sua crescente e adequada utilização pela sociedade.
Há muitos meses vem se propondo uma nova estrutura do comitê. Governança da Internet no Brasil e a Sociedade Civil foram temas do seminário que ocorreu nos dias 25 e 26 de fevereiro deste ano, no Rio de Janeiro. Vinte representantes de entidades do Terceiro Setor discutiram uma nova estrutura de gestão da Internet brasileira. Foram apresentadas duas palestras e, ao final, o grupo redigiu um documento sugerindo outro formato para a estrutura atual de governança. E, somente agora, o governo vai começar a colocar em prática o que foi pedido.
A solução que os participantes do seminário encontraram passa pela institucionalização do comitê e a criação de uma entidade sem fins lucrativos, que possa dar suporte legal às suas atividades. E assim aconteceu. Tanto que no 10° artigo do decreto afirma-se que “a execução do registro de Nomes de Domínio, a alocação de Endereço IP (Internet Protocol) e a administração relativas ao Domínio de Primeiro Nível poderão ser atribuídas a entidade pública ou a entidade privada, sem fins lucrativos, nos termos da legislação pertinente”.
O CGI-BR será integrado por membros titulares e seus respectivos suplentes sendo: um representante de oito órgãos e entidades do governo; um representante do Fórum Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência e Tecnologia; um representante de notório saber em assuntos de Internet; quatro representantes do setor empresarial; quatro representantes do Terceiro Setor; e três representantes da comunidade científica e tecnológica.
Para ser um dos membros, é preciso se tornar candidato ao cargo, pois estes serão eleitos através de votação e o mandato dos representantes titulares e suplentes será de três anos, permitida a reeleição.
Com este decreto, o presidente Lula quer mostrar seu interesse em promover o acesso universal à rede, valorizar os direitos humanos (com destaque para os direitos de comunicação e a liberdade de expressão) e defender os princípios democráticos na governança da Internet no Brasil e no mundo. Isso só faz fortalecer ainda mais a participação do Brasil na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação que propõe exatamente esses pontos.

 
NESTA EDIÇÃO

A Cúpula já começa na Web: fórum online dá início aos debates e ao compartilhamento de informações,
por Adilson Cabral
Desde o início do mês está disponível o WSIS Online (http://www.wsis-online.net), criado pela Secretaria Executiva Suíça para a CMSI para garantir visibilidade, transparência e o cumprimento do Plano de Ação que se definirá já em dezembro, por ocasião da Cúpula.

Desenvolvimento Sustentável
A participação da Heinrich Böll Foundation
: Em que consiste a plataforma de direitos civis para uma sociedade do conhecimento sustentável?
A Heinrich Böll Foundation mobiliza-se contra a divisão entre os que têm acesso às novas mídias e os que são excluídos digitalmente, constatando a injusta distribuição de comunicação que afeta as relações entre países e dentro da sociedade.
(texto completo)

Direitos Humanos
Fundo de solidariedade digital
: contribuições aos países que mais precisam de ajuda digital
Os representantes dos países africanos estão se mobilizando para que o Fundo de Solidariedade Digital se torne realidade. Pois, ele é uma possibilidade de se acabar com a brecha digital, ou seja, entre os que têm e os que não têm acesso ao computador e à Internet. (texto completo)

Educação para a Informática e a Internet
O papel da mídia no direito à comunicação e à educação:
qualidade e acesso são essenciais na difusão do conhecimento
Com a fascinação das pessoas pela comunicação, instituições educacionais estão aproveitando os recursos midiáticos para tentar promover a educação de um modo mais atrativo para os alunos. (texto completo)

 

Indicadores sociais da utilização da Tecnologia da Informação e da Comunicação,
por Cezar Honorato (LPP/UERJ)
A preocupação em buscar indicadores sociais da utilização da Tecnologia da Informação e da Comunicação é uma necessidade para possibilitar uma melhor radiografia do problema da inclusão social e pautar as ações futuras para reverter a atual situação.

Conhecimento Global de Domínio Público
Direito à comunicação exige mobilização da sociedade

Muitos governos e empresas participantes da CMSI defendem que a real capacidade de se comunicar está ligada diretamente às máquinas, esquecendo-se do homem. Dessa forma, a sociedade civil deve se mobilizar e não permitir que a Cúpula se resuma a um espaço onde se discuta apenas a Internet e a infra-estrutura tecnológica. (texto completo)

Governança da Internet
Comitê Gestor da Internet Brasil está com nova formação
Com a criação do CGI-BR, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer mostrar o seu interesse em promover o acesso universal à rede, valorizar os direitos humanos (com destaque para os direitos de comunicação e a liberdade de expressão) e defender os princípios democráticos na governança da Internet no Brasil e no mundo.
(texto completo)

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