| Brasil
ingressa na era da Internet
Indicadores brasileiros não fazem feio nas últimas
avaliações
Apesar da capacidade e do potencial de uso da Internet ainda causar
muita polêmica entre estudiosos e técnicos, pelo alto
custo dos equipamentos, o tipo e o preço de acesso à
Internet, o Brasil entra em 2004 com a expectativa de subir no ranking
dos países que têm como meta a inclusão digital.
É claro que a mesma não se faz apenas com um computador.
Depende de uma boa infra-estrutura que envolve linha telefônica,
cabos, satélite ou, até mesmo, rádio –
e, em tudo isso, o Brasil precisa melhorar muito.
Conforme relatório apresentado, em novembro de 2003, pela
União Internacional de Telecomunicações (ITU
- International Telecommunications Union), agência ligada
à Organização das Nações Unidas
(ONU), o Brasil ficou em 65º entre os países com maior
acesso digital. O estudo foi feito em 174 países e levou
em consideração a infra-estrutura; preço; alfabetização
(nível de instrução); qualidade e número
de usuários.
Os primeiros na lista são: Suécia, Dinamarca, Islândia,
Coréia do Sul, Noruega, Holanda, Hong Kong, Finlândia,
Taiwan e Canadá – ou seja, europeus e asiáticos.
Depois aparecem Estados Unidos, Reino Unido, Suíça,
Cingapura, Japão, Luxemburgo, Áustria, Alemanha, Austrália,
Bélgica, Nova Zelândia, Itália, França,
Eslovênia e Israel. O Brasil fica atrás de países
como o Kuwait (60), a Costa Rica (58), a Jamaica (57), a Argentina
(54), o Uruguai (51) e o Chile (43). Conforme Michael Minges, um
dos autores do relatório, "as dificuldades da América
Latina têm origem nos problemas relacionados com as desigualdades
na distribuição da renda".
De acordo com a pesquisa, no Brasil somente 8,2% da população
têm acesso, pois, como foi detectado, o valor cobrado pelos
provedores de Internet é alto. Além disso, para os
que precisam do telefone para conexão, a situação
fica bem mais difícil, pois somente 22,3% possuem uma linha
fixa e 20,1% telefone celular. Sem falar que o custo do acesso aumenta
mais ainda, pois o valor dos pulsos cobrado pelas empresas telefônicas
varia muito.
Essa fragilidade do país em acompanhar o desenvolvimento
das novas tecnologias foi percebida na pesquisa realizada pela Fundação
Getúlio Vargas (FGV), Comitê para Democratização
da Informática (CDI), Sun Microsystems e a USAID, em março
de 2003. Nela, verificou-se que quase nove em cada dez brasileiros
não têm computador em casa (12,46% das pessoas) e apenas
8,31% dispõem de acesso doméstico à Internet.
Pior que isso é a comparação feita, na análise,
do Distrito Federal, onde 75% dos moradores possuem computadores
pessoais, com o Maranhão, onde 98% da população
é excluída.
Porém, mesmo com tantas dificuldades, de acordo com a pesquisa
realizada pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) em 102
países, e apresentada em dezembro de 2003, o Brasil teve
um crescimento de 309%, nos três últimos anos (1999
a 2002), no uso de tecnologia, alcançando o 39° lugar,
ficando apenas atrás do Chile (32) na América Latina.
Os critérios levados em consideração na análise
foram: existência ou não de regulamentação
das tecnologias de informação; a capacidade da população,
das empresas e do Estado de utilizá-las e o seu nível
de conhecimento. Pois, o objetivo da pesquisa era verificar o preparo,
principalmente econômico, dos países para os benefícios
das novas tecnologias.
Para o presidente do Fórum, Klaus Schawab, ''o uso e aplicação
da tecnologia da informação e comunicação
são os grandes motores para o crescimento econômico.
Além disso, continua sendo a melhor esperança para
acelerar o processo de desenvolvimento de países menos estruturados.
Devemos continuar na luta para intensificar o uso das TICs para
beneficiar governos, a sociedade e os negócios''. Dentre
os primeiros da lista, destacam-se: Estados Unidos, Cingapura, Finlândia,
Suécia, Dinamarca, Canadá e Suíça.
Com a análise feita pelo Fórum Econômico Mundial,
percebe-se que o número de internautas no Brasil cresceu
assustadoramente em três anos (309%), fazendo com que o país
se tornasse o 39º da lista, apesar de ter tido uma queda de
10 colocações, ou seja, no ranking de 2002 era o 29º,
o que na verdade não influenciou no crescimento do país,
uma vez que no estudo atual foram incluídos 20 países.
O preocupante foi verificar o desempenho brasileiro nos critérios
adotados, pois atingiu o 35º lugar no ambiente macroeconômico
para o desenvolvimento das novas tecnologias, 47º no uso das
tecnologias pelo povo, governo e empresas e 101º na avaliação
do sistema de impostos, sem falar que apenas 10% da população
têm acesso à Internet.
Já a parte boa da história é que foi considerado
o 11º em mão-de-obra especializada em tecnologia e foi
visto com bons olhos o uso que o governo faz da Internet no oferecimento
de serviços públicos, através do governo eletrônico,
sendo o líder neste aspecto na América Latina. Também
teve um bom desempenho na capacidade de atrair empresas multinacionais
de tecnologias de informação e comunicação,
número de internautas, assinantes e linhas telefônicas
e aparelhos de TV.
Assim, mesmo não estando entre os 10 primeiros que investem
em novas tecnologias, os líderes brasileiros estão
se esforçando para fazer do Brasil um lugar onde o povo tenha
condições de ter um computador, uma linha telefônica
e acesso à Internet. E, com o envolvimento na Cúpula
Mundial da Sociedade da Informação, a expectativa
é a de que vários projetos venham a ser feitos e colocados
em prática para tentar incluir a população
digitalmente. Espera-se que esses esforços aumentem mais
e que, junto com a sociedade civil e as empresas, o governo possa
encontrar soluções para ajudar os brasileiros a terem
condições de ser membros dessa sociedade da informação
e do conhecimento.
por
Profª Eula Dantas Taveira Cabral
Editora do Informativo SETE PONTOS
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