| Mais que aprender a usar a Rede, é preciso se associar
associações de usuários fortalecem utilização e aproveitamento da Rede
Com o crescimento da Internet comercial e doméstica no Brasil, começa a aparecer uma série de casos envolvendo o direito de consumidores de produtos e serviços não necessariamente relacionados à Internet ou informática, mas utilizando-se de seus recursos, em especial através do comércio eletrônico. Para se defender, os usuários começam a formar uma série de organizações que buscam defender seus direitos, garantindo a devida e merecida segurança que necessitamos para aproveitá-la em seu mais verdadeiro e intenso potencial.
Uma das primeiras associações surgiu de um movimento de internautas dispostos a defender interesses e vislumbrar idéias de aproveitamento e expansão dos usos dos recursos e serviços disponibilizados pela Internet.
Fundada em julho de 1999, a Associação Nacional dos Usuários da Internet (ANUI) se constituiu como sociedade civil sem fins lucrativos, disposta a auxiliar usuários na escolha de produtos e serviços, possibilitando avaliações mais consistentes para a tomada de decisões.
Seus mais diversos associados e demais usuários se articulam através de listas temáticas com várias idéias e propostas que a ANUI vem debatendo ao longo de todo esse tempo de desenvolvimento da Internet: tarifa plana, ICMS sobre provimento de acesso, democratização do acesso, acesso via TV a Cabo, Internet 2 ou via rede elétrica, invasões e vírus, privacidade em email, qualidade no provimento e discussão sobre o estatuto.
Outra associação de usuários, originada a partir de uma questão mais recente, é a Associação Brasileira dos Usuários de Acesso Rápido (ABUSAR), fundada em 1° de junho de 2001, a partir de um movimento de usuários da Internet denominado Velocidade Justa (cujo propósito é o "da melhoria da qualidade dos serviços de acesso à internet por banda larga - conexões de alta velocidade)".
A ABUSAR conseguiu recentemente, por exemplo, que os usuários de provedores de banda larga não precisassem se autenticar através de um provedor de acesso para acessar o serviço. Ou seja, basta acessar a rede através da operadora de telefonia para desfrutar da Internet em alta velocidade.
A legalização do movimento inspirou também a expansão dos debates entre seus membros, a partir de temas relacionados ao bem estar do usuário na rede. Hoje a ABUSAR conta com uma média de 6 mil visitas por dia e vem desenvolvendo uma série de campanhas públicas tais como a melhoria dos serviços de acesso (cobertura, velocidade real etc.) e a democratização do acesso à informação e aos meios de comunicação eletrônicos.
Outra organização, o Projeto Software Livre promove seu uso e desenvolvimento como alternativa econômica e tecnológica, a partir do desenvolvimento sustentado e do entendimento de que a tecnologia pode contribuir para a inclusão social, através da igualdade de acesso aos recursos e serviços disponibilizados.
Estão articulados a partir de uma rede de integrantes regionais e de uma primeira iniciativa temática, o Projeto Software Livre para Mulheres. Organizam a cada ano o Fórum Internacional do Software Livre, sendo que a última edição contou com a presença de 4000 pessoas.
Tais organizações de usuários se fortalecem cada vez mais no cenário nacional, principalmente por reivindicarem, a partir de suas atividades nos diferentes campos de atuação, uma Internet cada vez mais democrática, a partir do amplo aproveitamento de seus recursos por parte dos usuários. Contribuem para agregar consciência aos internautas, para incentivar a garantia de direitos nos mais diferentes fins e para estabelecer parâmetros de qualidade e convivência na Grande Rede, princípios determinantes de uma Internet que se reivindica um espaço de circulação da informação e de produção de conhecimento.
Mais informações
Associação Nacional dos Usuários da Internet - http://www.anui.org.br/
Associação Brasileira dos Usuários de Acesso Rápido - http://www.abusar.org.br/
Projeto Software Livre - http://www.softwarelivre.org/
por Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS
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