| Um ano novo para a democratização da Internet brasileira
Comitê Gestor busca novas formas e inclui sociedade civil
Ter acesso à Internet e dispositivos para que seja democratizada no Brasil é o sonho de muita gente. Com a criação do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGIbr) em 1995, buscou-se novas formas que pudessem incluir digitalmente todos os brasileiros e a mais correta governança na Rede Mundial de Computadores, ou seja, criando processos que garantam a regulamentação do acesso à informação digital na Net.
O Comitê foi criado ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, com a Portaria Interministerial N° 147, de 31 de maio de 1995. O CGIbr tinha como funções acompanhar, recomendar, emitir pareceres, coletar e disseminar informações e deliberar questões sobre a Internet no país. Algo muito questionado pela sociedade civil que não via nada de concreto em relação à democratização da Grande Rede no país. Hoje, vai além: estabelece diretrizes, propõe programas, promove estudos e procedimentos, além de articular ações.
As mudanças detectadas nas funções do Comitê são primordiais para que a Internet no Brasil seja desenvolvida e democratizada. Principalmente por que neste ano já é fato que os ministérios do governo federal estão migrando e abrindo espaço para a adoção e disseminação do software livre, algo que resultará na expansão do acesso que não será mais controlado pelos proprietários que fechavam os códigos dos programas, fazendo dos usuários pessoas dependentes de suas tecnologias e conhecimento. Além dos primeiros protótipos de TV Digital que vêm sendo elaborados no país.
De acordo com o Decreto Nº 4.829, de 3 de setembro de 2003, o novo Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGIbr, tem como atribuições: estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil; diretrizes para a organização das relações entre o Governo e a sociedade, na execução do registro de Nomes de Domínio; propor programas de pesquisa e desenvolvimento; promover estudos e recomendar procedimentos, normas e padrões técnicos e operacionais, para a segurança das redes e serviços, bem assim para a sua crescente e adequada utilização pela sociedade.
O Comitê também deve articular as ações relativas à proposição de normas e procedimentos ligados à regulamentação das atividades inerentes à grande Rede; ser representado nos fóruns técnicos nacionais e internacionais da área; adotar os procedimentos administrativos e operacionais necessários para que a gestão da mesma no Brasil se dê segundo os padrões internacionais aceitos pelos órgãos de cúpula; deliberar sobre quaisquer questões a ele encaminhadas; e aprovar o seu regimento interno.
Além das atribuições, a partir deste ano, está com uma nova estrutura. O comitê, que foi criado com nove conselheiros, agora terá 21 membros, contando com a participação marcante da sociedade civil que indicará seus 11 membros (mais de 50% do grupo) via Internet, sendo quatro representantes do setor empresarial; quatro do Terceiro Setor; e três da comunidade científica e tecnológica. O Edital para a escolha dos novos membros do Conselho Gestor ficou disponível para consulta pública até o dia 05 de março. No período de 19 a 23 de abril será realizada a inscrição dos candidatos. De 10 a 21 de maio será a campanha eleitoral e no dia 24 a votação, sendo que a publicação do resultado definitivo será no dia 31. Mais informações: Site do CGIbr.
Essas mudanças são significativas para os novos rumos da democratização da Internet brasileira, pois todos os setores do Brasil poderão traçar os caminhos para a inclusão digital da população que se encontra, em quase 90%, totalmente marginalizada. Assim, o Conselho começa a estudar formas de tentar baratear o alto custo de acesso, provedor e equipamentos, pois com a nova composição dos membros será mais fácil encontrar soluções rápidas e concretas. Terá representantes dos governos federal e estadual, dos empresários, dos provedores de acesso e de infra-estrutura de telecomunicações, de equipamentos de informática e da sociedade civil, incluindo as comunidades científicas e tecnológicas, os pesquisadores, professores, engenheiros e o Terceiro Setor.
E como uma das metas do governo Lula é incluir digitalmente o povo brasileiro e envolvê-lo num grupo bem maior que é o que vem sendo delineado na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI), cuja reunião definitiva será realizada em Tunis em novembro de 2005, espera-se que sejam encontradas soluções, fazendo do Brasil um país igualitário e justo. E assim que sua gente tenha acesso à Internet, saúde, educação, moradia e emprego. Além disso, que sejam criadas políticas públicas para que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) fiquem ao alcance de todos!
por
Profª Eula Dantas Taveira Cabral
Editora do Informativo SETE PONTOS
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