| O preço que pagamos pelos vírus que colecionamos:
as empresas nos fazem adquirir programas, mas não facilitam sua manutenção
Recentemente uma série de ameaças na forma de vírus, worms (arquivos ou programas que replicam ações maléficas nos computadores alheios) e cavalos de tróia (arquivos ou programas que camuflam vírus), vêm incomodando a presença e a permanência dos internautas na Rede. Dos mais diferentes tipos e tamanhos, e apresentando características mais surpreendentes, esses verdadeiros estraga-prazeres da Internet não só oferecem perigo aos internautas de primeira ocasião, mas também aos mais experientes.
Um perigo maior e constantemente ressaltado é o da falta de atualização do sistema operacional com os chamados patches (conjunto de arquivos que atualizam os programas), fornecidos pelos desenvolvedores de software através de seus sites. Isso implica na necessidade do usuário, também comprador de um determinado programa, precisar acompanhar, por conta própria, a necessidade de proteger seu computador contra as ameaças que constantemente aparecem na Rede.
A respeito do sistema operacional Windows, a empresa Microsoft considera estável aquela última versão do programa, contendo suas últimas atualizações que, se não vieram incorporadas na versão adquirida, precisam ser localizadas e instaladas em cada micro. Dentre outros entraves e limitações, isso significa dizer que o usuário precisa ter sempre instalada (no caso de um software proprietário - adquirido, comprado) a última versão deste programa/sistema, pois é assegurada pela empresa como aquela mais segura contra a ameaça de novos vírus.
A saída proposta por Aaron Turner, consultor sênior de segurança da Microsoft, em entrevista publicada pelo jornal “O Globo” em 22 de março deste ano, é a de que "podemos ensinar às pessoas as melhores práticas para que se protejam; podemos fazê-las entender que, se usam uma versão mais velha do Windows, correm mais risco e que podem ter de investir para reduzi-lo".
No entanto, isso contrasta com o que o consumidor espera de um programa que adquire. A empresa deveria estar fazendo um serviço mais eficiente aos seus clientes se oferecesse proteção nas suas mais diferentes versões, sem proporcionar mais trabalho e preocupação àqueles que, além de adquirirem seus produtos por preços elevados, ainda têm que se defender por conta de suas próprias ações (se manter informado sobre as atualizações, baixar, instalar e acionar os programas nos computadores).
O investimento numa política de combate à pirataria é muito mais mobilizador e mais impopular - devido também à política de altos preços - do que se fosse pensada a viabilidade da oferta de serviços de apoio a essas atualizações sem que se pudesse onerar o usuário final por isso. Essas iniciativas poderiam ser assumidas não somente em sistemas operacionais, mas também de correio eletrônico e navegação na Internet, de mensagens instantâneas assim como de outros serviços e recursos disponíveis na Rede, sempre vulneráveis às ações de programas invasores.
Serviços como os de suporte, manutenção e envio de novos arquivos via email ou mesmo CD, considerando a rede de revendedores das empresas, poderiam ser desenvolvidos pelas empresas não só pela necessidade empresarial de satisfação dos clientes, mas também pela simples idéia de que os consumidores precisam ter confiança em quem fornece os produtos que adquirem.
A não ser que todo esse cenário de preocupação e alarde que os vírus, worms e cavalos de tróia, vêm proporcionando aos internautas em todo mundo seja interessante para as empresas de software, o que desejamos crer não corresponder à verdade camuflada pelos acontecimentos.
por
Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo SETE PONTOS
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