Mídia para crianças e adolescentes também tem sua Cúpula Mundial

A idéia de uma Cúpula Mundial para o debate sobre a produção midiática para crianças e adolescentes, que já se encontra em sua quarta edição, se materializa na medida em que crianças e adolescentes passam a ter um maior poder naquilo que se define no marketing como influência ou decisão na compra de produtos, bem como idéias. Nesse sentido, a maior participação observada e estimulada no público infanto-juvenil tem um mérito de proporcionar maior consciência, mas também o desafio de inserí-las numa lógica de mercado em relação a qual, pelo menos em tese, não são economicamente ativos.
Debater a produção de mídia para esse público tem, com certeza, outros desafios mais complexos do que pensar a mídia que é apresentada para qualquer segmento do público adulto. A 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes teve o mérito de refletir uma série de temas, de promover o encontro de dezenas de crianças em torno do debate e da produção relacionada com um outro mundo melhor, que precisa se refletir no desenvolvimento de uma mídia de melhor qualidade, de preferência feita também pelos jovens.
Nesse sentido, como não poderia deixar de ser, um dos temas mais relevantes debatidos na Cúpula foi a necessidade de se ter uma mídia não só para todos, como também feita por todos. Um debate feito em moldes diferentes das temáticas da concentração da mídia ou ainda da descentralização do controle dos meios de comunicação, mas fundada em reivindicações legítimas de uma geração mais relacionada com a capacidade de se apropriar das tecnologias, que ainda se revela consideravelmente distante da concepção a respeito da gestão dos meios. Na Carta do Rio, documento escrito a partir dos debates de adultos e adolescentes no contexto da Cúpula, foi pontuada a necessidade de regulamentar os meios de comunicação, mas, segundo o diretor da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), Veet Vivarta, intensificar o entendimento e levantar propostas mais claras a respeito do que queremos dos meios de comunicação de massa é um dos objetivos a se colocar em pauta.
Entretanto, foi consensual a idéia de que uma possível mídia de qualidade, focando o público de crianças e adolescentes, precisa contemplar suas necessidades, dar no mínimo ouvidos a esse público. E isso precisa estar evidente nas mínimas ações, mesmo que seja na realização de um evento que se proponha a discutir profundamente essa temática.
A geração que decide ou influi na decisão de compra e que precisa ser compreendida pelo mercado ainda não está no mercado de trabalho e, portanto, sua percepção do mundo da indústria da comunicação é, evidentemente, lúdica. As oficinas de rádio, vídeo, Web, artes, desenho animado, dentre outras atividades do Fórum dos Adolescentes acabaram por se tornar lúdicas, associando uma brincadeira saudável com a descoberta de fazer sua própria comunicação sem o propósito de se assumir profissional. Apesar disso, a idéia de debater os eixos da Cúpula para a realização de uma carta multimídia foi por água abaixo por um ruído em relação ao trabalho dos mediadores. Segundo o assessor de comunicação do Fórum dos Adolescentes, Rogério Santana, "o que era para ser um fomento ao debate sobre a carta, acabou se transformando em meras oficinas, tais como em qualquer atividade analógica. Não houve interação entre as mídias e o debate em torno do qual foram constituídas as oficinas".
A autonomia reivindicada e estimulada pelo mercado e estranhamente assumida pelos professores e mediadores tirou o foco do papel da família e dos profissionais do ensino na formação e no despertar de vocações. Essa determinação aparenta uma condição forçada de apresentar crianças e adolescentes como capazes de reconhecer o que é melhor para eles, quando ainda sua própria condição de crescimento remete aos educadores um papel ainda importante na condução de valores a serem trabalhados no processo de criação.

Idéias que prometem
Foi com a participação dos pais, mas também com o apoio de crianças e adolescentes, que os pesquisadores do Multifocus Pesquisa de Mercado desenvolveram a primeira fase de uma pesquisa que visa desenvolver um ranking de programas de qualidade, apresentada na 4ª Cúpula, disponível de modo mais amplo no site da Midiativa. Nesse primeiro momento foram elencados dez mandamentos para um programa de qualidade, a saber:
ser atraente, gerar curiosidade, confirmar valores pela transmissão de conceitos, ter fantasia, não ser apelativo, gerar identificação, mostrar a realidade, despertar o senso crítico, incentivar a auto-estima, preparar para a vida.

A Secretária Municipal de Educação, professora Regina de Assis, anunciou a continuidade do site da 4ª Cúpula, que a partir de agosto terá um novo formato, relacionado ao projeto de desenvolver um Centro Internacional de Referência de Mídia de Qualidade para Crianças e Adolescentes. Essa iniciativa não só estará articulando as principais pesquisas e produções realizadas no setor, com também incentivará, a partir de critérios de qualidade, uma produção mais ampla voltada para e, quiçá, feita por crianças e adolescentes também. Outra expectativa é a utilização dos meios já disponíveis para o desenvolvimento dessa mídia diversificada e plural, tais como o canal municipal de cabo voltado para a educação e a cultura e uma parceria possível com um canal de TV aberta, provavelmente a TV Bandeirantes.

Ao final da cerimônia, foi anunciada a sede da 5ª Cúpula na África do Sul, a ser realizada no ano de 2007. A expectativa dos africanos é tamanha e pode ser expressada na declaração de Firdoze Bulbulia, da Children Broadcasting Foundation for Africa, para quem "é tempo de mostrar ao mundo nosso continente e ampliar nossa participação no Movimento Summit (...) As Cartas serão muito importantes, especialmente para a África, pois prepararemos o próximo Summit a partir dos resultados obtidos no Brasil". Dessa forma, ao mesmo tempo em que novas crianças surgem no debate e as crianças vão se tornando adolescentes, também a Cúpula vai podendo crescer e amadurecer ao longo de suas edições.

por Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo SETE PONTOS

 
NESTA EDIÇÃO

Primeiros passos para a segunda fase da Cúpula
Sociedade civil começa a se mobilizar para a PrepCom,
por Prof. Adilson Cabral
A segunda fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) será mais complexa do que a realizada em Genebra, em dezembro de 2003. As negociações intermináveis do ano passado levaram à produção de dois documentos: a Declaração de Princípios e o Plano de Ação. Para 2005, na Tunísia, os maiores desafios serão o processo para concretizar o que já foi firmado e a intensificação de conquistas já garantidas e outras que não foram contempladas ou ainda não entraram na pauta.

Favorecer la inclusión en el campo de las TICs
por Dafne Plou
Mesmo com os avanços tecnológicos, faz-se necessário promover a inclusão social dos povos. E isso é uma preocupação de mulheres e ativistas no campo das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) que desde a primeira fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação não medem esforços para assegurar uma participação capaz que contribua substancialmente nos processos de discussão, afetando as decisões dos membros da Cúpula.

Governança da Internet
Internautas podem acompanhar a evolução da Internet
IPv6 é criado para ampliar o desenvolvimento da Rede
Os computadores que têm acesso à Internet recebem uma numeração específica e própria, denominada protocolo, ou ainda, IP (Internet Protocol). Porém, com o avanço das novas tecnologias, esses números se tornaram insuficientes. Para garantir o aumento do número de internautas, novos recursos de transmissão (como o de vídeo em tempo real), rapidez, segurança e privacidade, criou-se o IPv6.

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Diversidade cultural e lingüística
Cientistas se preocupam com a extinção de línguas
A internet vai contribuir para a divulgação das línguas ou vai fazer desaparecer algumas delas?
Lingüistas verificaram que, aproximadamente, 40% dos idiomas falados hoje no mundo se extinguirão nos próximos 100 anos. Porém, como a Internet tem o propósito de difundir, também, as culturas, muitos projetos estão sendo feitos para que governos, instituições e empresas promovam e realizem o desenvolvimento da informática para que todos os povos divulguem sua cultura e, principalmente, sua língua de origem. (texto completo)

Segurança da informação
Segurança na Internet deve ser garantida
Hoje, o Brasil ocupa o segundo lugar como o país que tem mais sites desfigurados no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Isto acontece por que os invasores sabem que no país não há muita preocupação com a punição de crimes virtuais. Porém, para colocar um ponto final neste problema, o Comitê Gestor da Internet do Brasil decide tomar iniciativas para combater as invasões.
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A Campanha CRIS em 2004
por Myriam Horngreen
A Campanha CRIS “Direitos de Comunicar na Sociedade da Informação” foi lançada em novembro de 2001 pela Plataforma para os Direitos de Comunicar, um grupo ‘guarda-chuva' de ONGs internacionais, ativistas em mídia e comunicação, em resposta à Cúpula Mundial da Sociedade da Informação. 2004 será outro ano ocupadíssimo para o time da CRIS e ativistas em todo o mundo. Ela estará monitorando de modo bastante cuidadoso a sua preparação para a segunda fase da Cúpula.

Direitos Humanos
Governo brasileiro privilegia concentração da mídia e deixa de lado inclusão digital
Com as transformações ocorridas na mídia mundial e as mudanças econômicas, políticas e tecnológicas, os conglomerados de comunicação ultrapassaram barreiras, criando impérios e, ao mesmo tempo, tentando dominar governos e populações. No caso do Brasil, o presidente Lula e os demais representantes do povo, ao invés de procurar investir nas necessidades dos brasileiros e até mesmo na inclusão digital, prioridade do governo federal, estão mudando o foco e vendo como ajudar os grupos a se recuperar. Um equívoco que deve ser revisto.
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CÚPULA DE MÍDIA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Educomunicação foi destaque na Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes
por Ismar de Oliveira Soares
Na 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes a educomunicação foi objeto de análise em, pelo menos, três mesas redondas, proporcionando ao Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE-USP) defender sua tese de que um campo novo de intervenção social tem unido adultos e jovens em torno de práticas democráticas de comunicação, em todo o mundo.

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4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes - Fórum mundial sediado no Brasil discutiu temas como a educação e a qualidade da mídia
No período de 19 a 23 de abril foi realizada a 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes no Rio de Janeiro (Brasil), sendo a primeira vez na América Latina. Nela, analisou-se o tema "Mídia de Todos, Mídia para Todos" por meio de conferências, workshops, mesas-redondas e painéis, verificando as produções realizadas para o público infanto-juvenil nos meios de comunicação. (texto completo)