| Internautas podem acompanhar a evolução da Internet
IPv6 é criado para ampliar o desenvolvimento da Rede
A Internet é uma grande rede mundial de computadores, na qual cada máquina, em qualquer lugar do mundo, representa um ponto específico. Tecnicamente, somente é possível a comunicação entre os computadores na Internet devido a determinadas linguagens de identificação, denominadas protocolos, ou ainda, IPs (Internet Protocols).
Cada computador, em qualquer parte do Planeta, recebe uma numeração específica e própria, tal como os nomes das pessoas. Essas identificações são formadas por quatro conjuntos de três números cada, compostos por oito bits em cada, ou seja, 32 bits. Porém, como o número de internautas está crescendo em todo o mundo, novos recursos de transmissão aparecem (como o de vídeo em tempo real), e, além disso, existe uma demanda cada vez mais crescente por segurança e privacidade, percebeu-se que a capacidade de endereços IP estava limitada. Então, criou-se o IPv6, cuja proposta é a de ampliar para seis conjuntos de oito bits com quatro números cada, formando um total de 128 bits.
A criação do IPv6 também se deve à necessidade de endereços IP globalmente únicos, de forma a responder à futura implementação de redes de telefonia móveis com acesso a esses serviços. Além disso, será possível garantir os dados disponibilizados na Rede com maior rapidez e o transporte dos dados multimídia, em tempo real, com mais eficiência. Porém, apesar da estrutura atualmente disponibilizada não atender as necessidades do fluxo de informação, o IPv6 só será adotado por excelência em 2006, conforme previsões feitas por analistas.
Para acompanhar a evolução e desenvolvimento do IPv6 no Brasil, a Rede Nacional de Pesquisa criou o Br6Bone (http://www.6bone.rnp.br/) , também chamado de IPng (IP Next Generation). Ele está sendo desenvolvido no Centro de Engenharia e Operações da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) com objetivo de repassar conhecimentos e capacitar os técnicos da Rede e dos seus PoPs (Pontos de Presença) e, futuramente, alocar os endereços e a incluir outros pontos de presença e outras instituições.
Mas, essa busca pelo aumento de endereços na Internet não é à toa. De acordo com pesquisa feita pelo Ibope/NetRatings no mês de março, no Brasil mais de 12 milhões de internautas residenciais navegaram, em média, 13 horas e 14 minutos, fazendo com que o país ocupasse o quarto lugar dos países que mais navegam na Internet. Ele ficou atrás somente de Hong Kong, Japão e Estados Unidos. Isso se deve também ao crescimento nas vendas de computadores que em 2003 chegaram a 154,5 milhões de PCs e para este ano espera-se um aumento de 11,4%.
E, como é meta do governo brasileiro incluir digitalmente boa parte da população antes do final do ano, espera-se muitas mudanças na Web. Sendo que nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush afirmou que até 2007 todos os norte-americanos terão acesso em banda larga à Internet a um preço acessível. Isso resulta numa busca maior pelo envolvimento na nova tecnologia disponibilizada.
Tanta preocupação e cuidado fizeram com que, na América do Norte, o IPv6 chegasse à segunda fase de testes. A rede usada foi a Moonv6, um backbone IPv6 que vai de New Hampshire à Califórnia e será permanente, possibilitando que fornecedores de hardware, software e serviços possam testá-la ao vivo. Para isso, já passou por testes de qualidade de serviço, segurança, uso de aplicações, protocolos de rede e funcionalidade de servidor de domínio nos principais sistemas operacionais. E isso foi uma boa notícia para europeus e asiáticos que já estão sentindo a necessidade de mais endereços virtuais para as comunicações móveis e novos serviços de IP (voz sobre IP e vídeo on demand).
Mas, a popularização do IPv6 só se dará quando surgir o microprocessador Cell, cujos testes estão previstos somente para 2005. Ele está sendo construído pela Sony, Toshiba e IBM. "Na era do pós-guerra, nós vimos a difusão da televisão, que era uma comunicação numa mão só. Então, nos anos de 1980, vieram os videogames, que são um meio de comunicação interativo em duas vias. O Cell pode nos levar para algo além da TV e dos videogames", afirmou o analista sênior da Mizuho Securities, Koichi Hariya. Assim, muitos fabricantes de eletrônicos já começam a criar produtos com o potencial do padrão, ou seja, o sonho da casa do futuro poderá se tornar realidade, pois cada aparelho poderá ter um endereço próprio. E Redes de Pesquisa começam a se unir, integrando a comunidade científica, e a desenvolver tecnologias de redes, serviços e aplicações inovadoras, trocando dados e oferecendo qualidade a seus investigadores.
por
Eula Dantas Taveira Cabral
Editora do Informativo SETE PONTOS
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