Segurança na Internet deve ser garantida

Gabriella Ponte
6º período de jornalismo

A questão da segurança na Internet é uma constante preocupação dos provedores de acesso e de seus usuários. Vírus e invasores têm causado grandes prejuízos na rede. É de vital importância que os usuários saibam o que esses provedores vêm fazendo ou não para protegê-los destes problemas.
Hoje, o Brasil ocupa o segundo lugar como o país que tem mais sites desfigurados no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Isto acontece por que os invasores sabem que no Brasil não há muita preocupação com a punição de crimes virtuais. Nos Estados Unidos, embora haja mais punições, ainda ocorrem um grande número de casos e muitos prejuízos. O FBI e o Computer Security Institute pesquisaram o assunto nas 500 maiores companhias americanas. Concluíram que, entre 1997 e 1999, elas perderam 360 milhões de dólares por causa de crimes computacionais.
O Código Penal do Brasil foi feito em 1940 e está completamente desatualizado. "Se alguém der uma marretada no computador de outra pessoa, pode ser processado por danificar a propriedade alheia. Mas, se digitar um comando e apagar informações valiosas, isso não é considerado crime", diz o procurador do Ministério Público de São Paulo, Rodrigo Carnellas Dias.
E invandir uma página na Internet, apesar de causar inúmeros prejuízos, não é tão difícil. O servidor de um provedor pode ser invadido através de falhas encontradas por quem promove os ataques e, nos computadores pessoais, é possível encontrar portas TCP/IP (identificação dos computadores em relação à Internet) abertas que permitem a entrada de um usuário mais experiente ou mesmo de uma empresa que desenvolva seu negócio na rede com base na invasão de privacidade.
A maioria das pessoas não usa seu micro pessoal como servidor, só como máquina de um cliente para acessar a Internet. Alguns provedores recomendam que seus usuários instalem um firewall pessoal. Esse programa controla o tráfego entre o micro e a Internet e dificulta bastante qualquer tentativa de ataque. O problema já preocupa empresas como a Globocabo, que agora fornece o software Norton Internet Security aos clientes do seu serviço Vírtua.
Enrico Vilella, técnico em informática e usuário de internet há seis anos, acessa a Internet através do provedor UOL. Ele diz que o UOL possui um sistema anti-spam muito eficiente: "O provedor não permite que e-mails não autorizados cheguem à minha caixa de entrada. Eles passam por outra pasta, ficando em quarentena. O sistema verifica todas as mensagens e as que forem autorizadas vão para a caixa de entrada". Enrico acha que "os provedores deveriam distribuir programas contra a invasão de hackers, como um firewall".
De acordo com o Comitê Gestor da Internet, o total de ataques soma uma média de 4,8 mil casos mensais, sendo que o mais comum é a clonagem de páginas de Bancos, induzindo o usuário a digitar seus dados em site errado. Há alguns meses, várias instituições renomadas foram alvos de ações criminosas, sendo infectadas pelo vírus My Doom.
Um dos mais conhecidos provedores nos EUA, a Webcom, teve o seu domínio "cancelado" durante 12 horas, causando grandes prejuízos a mais de 5 mil sites que são hospedados por ela. Este "cancelamento" ocorreu através de uma ação ilegal de uma pessoa não identificada, que aparentemente enviou um e-mail e um fax falsos para a INTERNIC, solicitando o cancelamento do registro da WEBCOM, como se fosse uma ordem da própria. Aconteceu algo parecido com a INTERNIC. Ela teve o seu domínio (internic.net) "seqüestrado" pela ALTERNIC (alternic.net), que redirecionou, sem o conhecimento da INTERNIC, todo o tráfego para o seu domínio. Essa situação perdurou por mais de 120 horas.
Esses casos só fazem provar que nenhum provedor está imune de ataques. Se isso aconteceu com a INTERNIC, que é a única agência oficial americana autorizada a registrar e prover manutenção para toda a Internet dos EUA, o que não poderá ocorrer com provedores menores? E o que mais amedronta os usuários é que novos casos desta proporção podem acontecer novamente a qualquer momento.
O governo está começando a se preocupar com esse problema. Há cerca de 11 projetos de Lei relacionados a crimes digitais e segurança a serem discutidos no Congresso, alguns deles há mais de dez anos. "Com a população da Internet e do comércio eletrônico, a pressão pela aprovação dessas Leis tem crescido. Por isso, é provável que algumas delas entrem em vigor logo", diz Augusto Rossini, procurador do Ministério Público de São Paulo.
O Comitê Gestor da Internet do Brasil decidiu tomar iniciativas para combater os invasores. Houve uma reunião em Brasília que decidiu que os provedores que não auxiliam o trabalho de detecção de invasões serão combatidos e serão desenvolvidos cursos para treinar profissionais da área de Internet. Eles passarão a veicular em seu site o nome dos provedores de acesso que não dão resposta às solicitações de informações sobre segurança requisitadas pelo Comitê. A idéia é tentar envolver provedores no combate aos crimes virtuais e facilitar nas investigações destes casos pela polícia.
Essa medida está sendo tomada porque os provedores de acesso não têm cooperado muito para dar segurança a seus usuários. O delegado Mauro Marcelo diz que obter informações dos provedores é uma missão difícil e demorada. "Precisamos de um mandado judicial e o processo todo acaba demorando uma semana. Há ataques que passam por dezenas de provedores diferentes. Se eu demorar uma semana para rastrear o cracker em cada um deles, a investigação torna-se inviável", diz. Marcelo ainda reclama da impossibilidade de suspender um domínio que esteja sendo empregado ilegalmente. Ele dá exemplo da Fapesp que "cancela domínios por falta de pagamento, mas lava as mãos quando são utilizados de forma criminosa".
A Módulo, empresa especializada em segurança, fez uma pesquisa sobre este problema em 350 companhias brasileiras. Entre os empresários, 73% disseram realmente estar interessados pela segurança. Com relação aos itens de maior preocupação, estão os vírus (com 74% dos votos), divulgação indevida de senhas (56%) e invasões de hackers (43%).
Rinaldo Ribeiro, que é um dos analistas de segurança da Módulo, confirma a falta de importância que os provedores de acesso dão à questão da segurança. "As empresas tentam economizar nisso, mas, quando uma invasão acontece, acabam tendo prejuízos financeiros e na imagem", ele diz. Ribeiro fala por experiência própria, já que trabalhava num provedor de acesso que teve um servidor derrubado por um hacker: "ele apagou nosso arquivo de senhas e ninguém mais conseguiu se conectar".
Andreas  Hasenak, engenheiro da Conectiva, fornecedora do Conectiva Linux, que também atua na área de segurança, concorda com Rinaldo Ribeiro e ainda dá uma dica para evitar que futuras invasões aconteçam: "Não dá para confiar. Uma vez que o servidor é invadido, é preciso fazer uma varredura completa".
O protocolo utilizado na Internet não ajuda muito, pois não oferece total segurança. Os profissionais da área aconselham aos provedores e aos usuários como evitar invasões, sempre se certificando sobre a autenticidade de uma mensagem via assinatura digital, criptografada, pessoal e intransferível, que o usuário pode adicionar ao e-mail. Outra dica é desativar qualquer serviço que não esteja ou que não será utilizado. Fechar qualquer porta é o objetivo.
O que está faltando para incentivar os provedores a investir na segurança é a falta de "espírito hacker" de seus profissionais. O bom profissional na área de segurança virtual tem que ter duas coisas em mente: paranóia e conhecimento sobre como penetrar nos sistemas/redes. Paranóia é o sentimento que sempre dará impulso aos "seguranças" dos provedores, fazendo com que tenha-se constantemente segurança demais, nunca de menos. A outra filosofia é sempre conversar com hackers e visitar seus sites. Ou seja, é necessário pensar como um hacker para saber como eles agem.
Foi realizado o Primeiro Encontro SENAC - Informática e etc., sobre a segurança na internet, no plenário do jornal O Globo. No debate, o jornalista Henrique Faulhaber, (ISM) comentou sobre a dificuldade de rastreamento e identificação de usuários, tendo em vista os provedores gratuitos que estão surgindo recentemente. Foi questionada a possibilidade de se criar mecanismos de auto-regulação pelos próprios provedores (como por exemplo o CONAR). O jornalista Charles Miranda (Inside/Assespro) falou sobre o movimento anti-spam (http://www.antispam.org.br) que não recebeu a adesão generalizada dos grandes provedores.
O fato dos americanos estarem mais dedicados à segurança na Internet foi outro tema de discussão.  Nos EUA, a CIA tem o mapa de todos os profissionais de segurança e hackers. O FBI investiga todos os casos de quebra de segurança virtual. Mas vale destacar também que, recentemente, em São Paulo, já acontecem prisões de hackers. O que já é um bom começo.
Os usuários precisam exigir de seus provedores medidas para protegê-los de spams, vírus e ataques de hackers. Os provedores, por sua vez, devem investir mais nas necessidades de seus usuários, mostrando sempre maneiras de evitar transtornos na rede.

 
NESTA EDIÇÃO

Primeiros passos para a segunda fase da Cúpula
Sociedade civil começa a se mobilizar para a PrepCom,
por Prof. Adilson Cabral
A segunda fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) será mais complexa do que a realizada em Genebra, em dezembro de 2003. As negociações intermináveis do ano passado levaram à produção de dois documentos: a Declaração de Princípios e o Plano de Ação. Para 2005, na Tunísia, os maiores desafios serão o processo para concretizar o que já foi firmado e a intensificação de conquistas já garantidas e outras que não foram contempladas ou ainda não entraram na pauta.

Favorecer la inclusión en el campo de las TICs
por Dafne Plou
Mesmo com os avanços tecnológicos, faz-se necessário promover a inclusão social dos povos. E isso é uma preocupação de mulheres e ativistas no campo das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) que desde a primeira fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação não medem esforços para assegurar uma participação capaz que contribua substancialmente nos processos de discussão, afetando as decisões dos membros da Cúpula.

Governança da Internet
Internautas podem acompanhar a evolução da Internet
IPv6 é criado para ampliar o desenvolvimento da Rede
Os computadores que têm acesso à Internet recebem uma numeração específica e própria, denominada protocolo, ou ainda, IP (Internet Protocol). Porém, com o avanço das novas tecnologias, esses números se tornaram insuficientes. Para garantir o aumento do número de internautas, novos recursos de transmissão (como o de vídeo em tempo real), rapidez, segurança e privacidade, criou-se o IPv6.

(texto completo)

Diversidade cultural e lingüística
Cientistas se preocupam com a extinção de línguas
A internet vai contribuir para a divulgação das línguas ou vai fazer desaparecer algumas delas?
Lingüistas verificaram que, aproximadamente, 40% dos idiomas falados hoje no mundo se extinguirão nos próximos 100 anos. Porém, como a Internet tem o propósito de difundir, também, as culturas, muitos projetos estão sendo feitos para que governos, instituições e empresas promovam e realizem o desenvolvimento da informática para que todos os povos divulguem sua cultura e, principalmente, sua língua de origem. (texto completo)

Segurança da informação
Segurança na Internet deve ser garantida
Hoje, o Brasil ocupa o segundo lugar como o país que tem mais sites desfigurados no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Isto acontece por que os invasores sabem que no país não há muita preocupação com a punição de crimes virtuais. Porém, para colocar um ponto final neste problema, o Comitê Gestor da Internet do Brasil decide tomar iniciativas para combater as invasões.
(texto completo)

 

 

A Campanha CRIS em 2004
por Myriam Horngreen
A Campanha CRIS “Direitos de Comunicar na Sociedade da Informação” foi lançada em novembro de 2001 pela Plataforma para os Direitos de Comunicar, um grupo ‘guarda-chuva' de ONGs internacionais, ativistas em mídia e comunicação, em resposta à Cúpula Mundial da Sociedade da Informação. 2004 será outro ano ocupadíssimo para o time da CRIS e ativistas em todo o mundo. Ela estará monitorando de modo bastante cuidadoso a sua preparação para a segunda fase da Cúpula.

Direitos Humanos
Governo brasileiro privilegia concentração da mídia e deixa de lado inclusão digital
Com as transformações ocorridas na mídia mundial e as mudanças econômicas, políticas e tecnológicas, os conglomerados de comunicação ultrapassaram barreiras, criando impérios e, ao mesmo tempo, tentando dominar governos e populações. No caso do Brasil, o presidente Lula e os demais representantes do povo, ao invés de procurar investir nas necessidades dos brasileiros e até mesmo na inclusão digital, prioridade do governo federal, estão mudando o foco e vendo como ajudar os grupos a se recuperar. Um equívoco que deve ser revisto.
(texto completo)

CÚPULA DE MÍDIA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Educomunicação foi destaque na Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes
por Ismar de Oliveira Soares
Na 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes a educomunicação foi objeto de análise em, pelo menos, três mesas redondas, proporcionando ao Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE-USP) defender sua tese de que um campo novo de intervenção social tem unido adultos e jovens em torno de práticas democráticas de comunicação, em todo o mundo.

Mídia para crianças e adolescentes também tem sua Cúpula Mundial
Debater a produção de mídia para crianças e adolescentes tem, com certeza, outros desafios mais complexos do que pensar a mídia que é apresentada para qualquer segmento do público adulto. A 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes teve o mérito de analisar uma série de temas, de promover o encontro de dezenas de crianças em torno do debate e da produção relacionada com um outro mundo melhor, que precisa se refletir no desenvolvimento de uma mídia de melhor qualidade, de preferência feita também pelos jovens. (texto completo)

4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes - Fórum mundial sediado no Brasil discutiu temas como a educação e a qualidade da mídia
No período de 19 a 23 de abril foi realizada a 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes no Rio de Janeiro (Brasil), sendo a primeira vez na América Latina. Nela, analisou-se o tema "Mídia de Todos, Mídia para Todos" por meio de conferências, workshops, mesas-redondas e painéis, verificando as produções realizadas para o público infanto-juvenil nos meios de comunicação. (texto completo)