A tecnologia Wi-Fi anda em passos largos no Brasil
Acesso sem fio à Internet é instalado em hot spots e empresas

por Gabriella Ponte
6º período - Jornalismo

A novidade em acesso à Internet é a tecnologia Wireless Fidelity (Wi-Fi). Os usuários possuem acesso em banda larga, através de redes sem fio de alta velocidade, não precisando de estrutura física. É caracterizada por sua rapidez de construção, colocação em andamento e uso. Pode ser uma boa saída para o problema do abismo digital, já que tem baixo custo, sendo mais barata do que a implantação da conexão tradicional.
Locais públicos como aeroportos, cafés, restaurantes e hotéis estão adotando redes locais sem fio (Wireless LAN). Neles, os denominados “hot spots” utilizam a tecnologia IEEE 802.11b, que possibilita a conexão de computadores portáteis à distância de até 100 metros da estação base.
Os maiores usuários de Wi-Fi são os executivos, que sempre precisam se conectar à rede através de notebooks e handhelds para a realização de negócios. Em setembro de 2003, na Califórnia, foi divulgada pela Intel Corporation uma pesquisa feita com viajantes de negócios na América Latina, onde 62% acreditam que a utilização de Wi-Fi agrega vantagem de comunicação sobre a concorrência. Porém, apenas 3% dos viajantes experimentaram tal tecnologia. “No momento, vemos esses viajantes e aficionados por tecnologia usando Wi-Fi, mas a tecnologia está se disseminando para consumidores em geral ainda mais rápido do que aconteceu com os telefones celulares”, afirmou o vice-presidente executivo da Intel Corporation e gerente geral do Grupo de Comunicação da Intel, Sean Maloney.
Hoje existem, aproximadamente, 20 mil hot spots em todo o mundo, número que deverá aumentar seis vezes até 2051. Essa tecnologia, que já existe nos países desenvolvidos, não está longe de acontecer nos países em desenvolvimento. No Brasil, os hot spots chegaram no primeiro semestre de 2003. Entre as operadoras brasileiras que estrearam o Wi-Fi estão a Telemar/Oi. De acordo com o gerente geral de produtos de varejo da Telemar/Oi, Michel Hannas, em 2003 a tecnologia ganhou força e hoje já tem presença em cerca de 130 hot spots, inclusive no estádio do Maracanã. Outro lançamento foi em março passado, quando o Velox Wi-Fi Pré-Pago entrou no mercado.
Outras empresas de grande porte, como Unibanco e Ford Brasil, foram pioneiras na tecnologia e, a cada dia, mais empresas vêm adotando o Wi-Fi. De acordo com o gerente geral do Yankee Group no Brasil, Luís Minoru, uma pesquisa realizada em novembro do ano passado com 500 empresas com mais de 100 funcionários, uma em cada quatro delas já possui Wi-Fi.
A principal rede de hot spots no Brasil está sendo implantada pela empresa Vex, antiga Pointer Networks. A Vex, empresa membro da Wi-Fi Alliance, atua na implantação e operação dos hot spots, deixando para seus parceiros, operadoras de telecomunicações e provedoras de acesso a Internet, a venda direta de mensalidades ou cartões pré-pagos para o consumidor final. Atualmente, estão em operação no país, hot spots em mais de 20 aeroportos do Brasil, incluindo Guarulhos e Congonhas (São Paulo), Galeão e Santos Dumont (Rio de Janeiro), Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. A empresa prevê que, até o final de 2004, a tecnologia se expandirá para 200 hot spots em operação, passando a incluir também hotéis.

As vantagens e desvantagens da tecnologia Wi-Fi
No Web Foros “Tecnologia WI-FI:  A chave para a Inclusão Digital?”, realizado no período de 17 de novembro a 08 de dezembro de 2003, promovido pelo Instituto para a Conectividade nas Américas (ICA), analisou-se o assunto, verificando os pontos fortes e fracos, oportunidade e ameaças, além das experiências contadas pelos participantes - especialistas (Fórum de experts ) e público (Fórum Público) - em seus respectivos países ( América Latina e Caribe).
Dentre os pontos negativos, verificou-se que a quantidade de hot spots em locais comerciais cresce, mas ainda não dá lucro. A máquina com o acesso sem fio pode ser invadida por pessoas não autenticadas (não registradas como usuários), ou seja, o Wi-Fi não fornece muita segurança - essa falta decorre também da utilização do espectro rádio-elétrico. Outra desvantagem é que para utilizar WI-Fi necessita-se da computação móvel, como notebooks e laptops, aparelhos de alto custo que estão fora do alcance de pessoas de baixa renda. É um desafio baixar os preços dos aparelhos, principalmente no Brasil, onde o notebook mais barato está na faixa de R$ 4 mil.
A empresa NEC do Brasil, provedora de soluções integradas de comunicações e tecnologia da informação para operadoras, corporações e governo, apresentou o projeto “High Security Wi-Fi” na Telexpo 2004. Em entrevista divulgada no site da NEC do Brasil, o gerente de soluções da empresa, Paulo Yazaki, garantiu que a segurança proposta será feita pela autenticação dos usuários e a encriptação dos dados trocados. “O acesso é totalmente controlado e disponível apenas a usuários pré-cadastrados, definidos pelo cliente. Além disso, o gerenciamento flexível de acesso permite o controle de diferentes categorias de usuários e de banda (QoS), sem nenhuma necessidade de instalação de softwares especiais nos notebooks, palmtops e outros dispositivos WLAN”, destacou o executivo.

A expansão da tecnologia WI-Fi no Brasil
Um provedor que saiu na frente com a tecnologia foi o Terra, com o serviço “ Terra Banda Larga Empresarial Wi-Fi Corp”, cuja conexão chega a ser de 50 a 200 vezes mais rápida que uma conexão discada, não possuindo tarifa por tráfego e custos adicionais. O assinante pode acessar a rede em mais de 200 hot spots em todo o país. Para se conectar, basta abrir o navegador e se identificar na tela de autenticação. A assinatura é feita somente por empresas. A meta do Terra é de chegar a dez mil usuários até o final deste ano.
Mas, a Vex ainda é a que mais avança com o Wi-Fi , fornecendo infra-estrutura, com terminais, links e softwares de gerenciamento. A empresa está realizando parcerias e aumentando cada vez mais seu espaço. Um deles foi com o Fran's Café, interessado em ter um ponto de acesso Web no Estado de São Paulo. “Nossa proposta foi disponibilizar a tecnologia dentro das lojas da rede em troca da instalação de um hot spot”, disse o presidente da Vex, Roberto Ugolini. A Vex transformou os cafés em hot spots.
Em julho do ano passado, a Vex fez parceria com o provedor IG, nascendo o WiFiG. Foi fornecido acesso sem fio a notebooks e handhelds em hot spots. Com isso, o IG espera conquistar 15 mil assinantes até o final do ano. Para acessar a internet pelo WiFiG é necessário que o equipamento possua uma placa compatível com um cartão wireless IEEE 802.11b. O preço do equipamento deve ser em torno de R$ 275.
Especula-se que a nova tecnologia tomará o lugar da terceira geração (3G) de telefonia celular. Porém, conforme pesquisa realizada pela Pyramid com executivos do setor, 68% responderam que as duas tecnologias se complementam. Para o gerente de infra-estrutura da Motorola, José Geraldo Almeida, "é direção estratégica da Motorola investir na integração dos dois. Afinal, não é muito esperto ignorar a força do Wi-Fi e as operadoras do mundo inteiro estão ligadas nisso. A tendência é que, com o aumento da velocidade das transmissões via celular, o usuário nem perceba por onde está se logando. À medida que ele entra no hot spot, automaticamente sua conexão aumenta, a cobrança é diferenciada".
A inclusão digital através desta tecnologia depende das políticas e estratégias desenvolvidas pelo governo, empresas do ramo e até mesmo da sociedade civil. É importante que as entidades civis tenham maior participação nas decisões tecnológicas que afetem a população, especialmente as classes mais carentes. É preciso garantir a disponibilidade dos aparelhos móveis para todos, diminuindo seu custo. Além disso, a capacitação de pessoas em Wi-Fi deve ser uma das prioridades, para poderem ensinar àqueles que nunca tiveram contato com a internet sem fio. A especialista em Direito Digital Patrícia Peck, em uma entrevista ao site Camara-e.net, diz que “não basta ter projetos de inclusão digital, é preciso investir em educação digital”.

 
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