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MEC lança o projeto Fábrica Virtual
Alunos e professores de universidades desenvolvem material pedagógico para a rede pública

por Gabriella Ponte
7º período - Jornalismo

O Ministério da Educação (MEC) está implantando um projeto que envolve educação e informática, dando um passo importante na inclusão social dos alunos da rede pública. O departamento de Informática em Educação do MEC está lançando a “Fábrica Virtual”, que produzirá módulos digitais interativos de aprendizagem. Ela permitirá que alunos de escolas de ensino médio aprendam Física, Matemática, Química e Biologia com o auxílio do computador. A idéia é que estes módulos sejam formados por animações, programas e jogos didáticos que ajudem a ensinar as quatro disciplinas, consideradas as mais difíceis pelos alunos.
Equipes formadas por alunos e professores de 33 instituições públicas de ensino superior se inscreveram para desenvolver os materiais pedagógicos. Elas entregaram suas propostas para criação de módulos em março e agora as 16 selecionadas passarão por um processo de capacitação antes de dar início à produção do material. O MEC oferecerá bolsas de pesquisa e computadores às equipes. O projeto prevê ainda licitação entre as universidades públicas para capacitação de 14 mil professores no país.
Um representante de cada equipe terá a oportunidade de aprender, durante dois dias, a usar a plataforma e-ProInfo, desenvolvida no MEC para abrigar conteúdo de cursos a distância. Depois, estes representantes terão que capacitar os demais membros de suas equipes.
A capacitação de todos — 112 pessoas, entre alunos, docentes e pesquisadores — para a criação dos módulos em si começou em julho e terá duração de quatro meses. Ao final, ficarão apenas 12 das 16 universidades. Quando os módulos estiverem prontos, serão implantados em caráter experimental em escolas públicas de ensino médio.
Quanto à escolha das universidades na etapa final, a coordenadora de Comunicação Social do MEC, Vera Flores, explica como será feita a seleção: “os critérios estão relacionados ao desempenho das equipes e aos produtos elaborados por elas durante o curso de capacitação”.
Flores explica que há dois principais objetivos a serem alcançados com a implantação do projeto Fábrica Virtual, sendo o primeiro “a inserção de novas abordagens pedagógicas que utilizem a tecnologia da informática nas licenciaturas das universidades e a promoção de um trabalho colaborativo e interdisciplinar dentro da Academia. Com isso, espera-se que os futuros licenciados e bacharéis estreitem sua relação com o que hoje a sociedade e o mercado já vivenciam no dia-a-dia. O segundo objetivo é o de potencializar a produção de módulos e objetos a fim de atender todo o currículo do ensino médio nacional — no menor espaço de tempo possível”.
A RIVED (Rede Internacional Virtual de Educação), desenvolvido no Ministério da Educação do Brasil pela Secretaria de Educação a Distância (SEED) em parceria com a Secretaria de Ensino Médio e Tecnológico (SEMTEC), é um projeto de cooperação internacional entre países da América Latina. Nele trabalham de forma colaborativa Brasil, Peru e Venezuela, incentivando a produção de materiais didáticos digitais para ajudar no processo de ensino das ciências da natureza e da matemática no ensino brasileiro. A Fábrica Virtual é uma expansão do projeto e possibilitará às universidades envolvidas a participar do processo de produção dos módulos educacionais nos moldes dos desenvolvidos pelo RIVED.
A coordenadora de Comunicação Social do MEC fala sobre a importância que este material do RIVED terá para a aprendizagem dos alunos do ensino público: “As atividades criadas pelas equipes do RIVED proporcionam, aos alunos, oportunidade de explorar fenômenos que na vida real estão distantes de suas vidas. São atividades do tipo hands-on, contextualizadas e complexas, que desafiam o raciocínio dos alunos. É, sobretudo, mais um recurso de que o professor se utiliza na sala de aula”.

Passo a passo
O processo de produção dos módulos educacionais foi pensado desde o período inicial do projeto para que o design instrucional possuísse similaridade com o modelo do RIVED. De acordo com Flores, “o processo deverá seguir o modelo de produção adotado pelo RIVED. Ou seja, após a escolha do tópico do módulo, a equipe elabora o design geral — seus objetivos de aprendizagem e as estratégias pedagógicas. A seguir, as atividades tornam-se mais detalhadas e são produzidos os roteiros dos objetos de aprendizagem que integram as atividades. A partir do roteiro, os webdesigners e programadores desenvolvem  objetos de aprendizagem. Enquanto acontece a produção com os técnicos em informática, o restante da equipe elabora o Guia do Professor. Finalmente, são criadas as páginas html, e os objetos são integrados às atividades planejadas, bem como os Guias do Professor para cada atividade”.
O Guia do Professor, citado pela coordenadora, não terá que ser seguido fielmente pelos profissionais. Ele será apenas um elemento norteador e que servirá de apoio ao professor que ainda é iniciante no uso da mídia ou para aquele mais experiente, que usará o guia de sugestões para seu trabalho.
O projeto trabalha essencialmente com o ensino disciplinar e com a inclusão social. Aqueles que estão envolvidos no projeto deixarão de ser consumidores de tecnologia para se tornarem desenvolvedores de novas tecnologias de ensino. Flores conta como o projeto beneficiará aos alunos de escolas públicas, que não têm muito contato com as tecnologias de informação e comunicação, a se incluírem digitalmente: “O uso dos módulos para apoio ao processo de ensino-aprendizagem por si só é uma grande possibilidade de inclusão, pois o aluno estará usando a informática como meio, e não como fim. O domínio de uma linguagem ou maneira específica de trabalho não serão necessários. O computador será o suporte para a aprendizagem de conceitos científicos; pouco a pouco, os alunos terão maior familiaridade com a exploração das potencialidades dos microcomputadores e dos sistemas de comunicação que interligam as máquinas”.
Para entender como se dará o próximo passo após a elaboração do material didático, Flores explica que “será criado um repositório digital na Internet que ficará à disposição dos educadores do País e possibilitará a recuperação dos módulos educacionais e objetos de aprendizagem que estarão catalogados. Além disso, o repositório possibilitará o armazenamento e troca de informações das experiências que esses professores venham a ter com o uso dos objetos em suas realidades, além de criar um canal para implementações, adequações ou correções no material existente”.
A empresa Intel assinou um acordo de cooperação junto ao MEC no dia 16 de julho, por meio da SEED. O diretor do Programa Nacional de Informática na Educação da SEED, Américo Bernardes, declarou que este acordo incidirá sobre todas as ações do Ministério relativas ao ensino a distância e ao uso da tecnologia na educação. Ele substituiu o secretário de Educação a Distância, Marcos Dantas, na assinatura do acordo, que contemplará todos os programas da SEED.
O documento prevê o apoio e a participação da Intel em todas as atividades relacionadas ao uso pedagógico da tecnologia que venham a ser realizadas pelo MEC, inclusive a “Fábrica Virtual”. A Intel apoiará doando, pelo menos, cinco computadores a cada uma das 12 universidades selecionadas pelo MEC para participar do projeto.
A “Fábrica Virtual” é um grande incentivo do MEC à inclusão digital dos alunos de escolas públicas. É relevante lembrar que este projeto educativo propõe uma reforma para a melhora das aulas por um sistema integrado que poderá estar baseado na Internet ou não. Tanto os profissionais quanto os alunos beneficiados serão favorecidos pelo material multimídia interativo que irá favorecer a exploração das disciplinas. A implantação será feita inicialmente em projeto piloto em algumas escolas, disponibilizando 24 módulos, ou seja, seis módulos de cada uma das quatro disciplinas.

Resultado das equipes selecionadas para a produção da Fábrica Virtual
Instituição Área Orientador Pedagógico Orientador Tecnológico
UEMA Universidade Estadual do Maranhão Biologia Zafira da Silva de Almeida Orlando Donato Rocha Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro Biologia Anaize Borges Henriques Cláudia Lage Rebello da Motta
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - PGIE Física Liane Margarida Roquenbach Tarouco Silvio Luiz Souza Cunha
Universidade de São Paulo Física Maurício Pietrocola Pinto de Oliveira Leliane Nunes de Barros
Universidade Federal da Paraíba Física Romero Tavares da Silva Lucidio dos Anjos Formiga Cabral
Universidade Federal do Rio de Janeiro Física Francisco Artur Braun Chaves Fábio Ferrentine Sampaio
UFC Universidade Federal do Ceará /
Instituto Universidade Virtual
Matemática José Aires de Castro Filho Mauro Cavalcante Pequeno
UFRGS Universidade Federal do Rio Grande
do Sul - LEC/Matemática
Matemática Léa da Cruz Fagundes Marcus Vinicios de Azevedo Basso
Universidade Federal de Goiás Matemática Elisabeth Cristina Faria Getúlio Antero de Deus Jr.
Universidade Federal de Uberlândia Matemática Arlindo José de Souza Junior Carlos Roberto Lopes
Universidade Federal do Rio de Janeiro Matemática Elizabeth Belfort da Silva Moren Rafael Garcia Barbastefano
Universidade Estadual Paulista - UNESP/PP Matemática Elisa Tomoe Moriya Schlüzen Klaus Schlünzen Junior
Universidade Estadual do Norte Fluminense Química Maria Cristina Canela Clevi Elena Rapkiewicz
Universidade Estadual Paulista - UNESP Química Aguinaldo Robinson de Souza Wilson Massashiro Yonezawa
Universidade Federal de Uberlândia Química Rejane Maria Ghisolfi da Silva Márcia Aparecida Fernandes
Universidade Federal do Maranhão Química Joacy Batista de Lima Anselmo Cardoso de Paiva

FONTE: http://rived.proinfo.mec.gov.br/resultado.htm
 
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