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Fotolog: hobby tecnológico conquista internautas
por Gabriella Ponte
7º período - Jornalismo
Depois dos blogs, os internautas passam a ter um novo hobby tecnológico: o fotolog. Ele mistura o blog (um diário online) com fotografias. Assim, o usuário de um fotolog, denominado fotologger, ganha um endereço dentro de um site especializado, onde mostra suas fotos e conta histórias para seus visitantes. O site americano Fotolog.Net lançou a idéia e, com quase dois anos de existência, já possui concorrência de sites que oferecem o mesmo tipo de serviço. Porém, com tanta difusão, é importante saber se o fotolog está conseguindo incluir mais pessoas na Internet e se está democratizando as tecnologias de informação.
O fotolog acabou se tornando um lugar democrático, dinâmico e interativo, onde o internauta é seu próprio editor e tem espaço para falar sobre o que quiser. Juntando isso à imagem, o fotolog se tornou uma ferramenta fascinante. Ele foi criado em 2002 por Adam Seifer, intitulado como o chefe do grupo, Scott Heiferman, que idealizou a interface utilizada, e Spike, responsável pela implementação do site. Na matéria “Fotolog ultrapassa 1 milhão de imagens”, publicada no site Panopticon em outubro do ano passado, os criadores explicam que “para a maioria das pessoas, é mais fácil ver algo interessante do que dizer algo interessante”.
A jornalista e mestre em Psicologia Social, Luciene Setta, fez, em sua dissertação de mestrado, um estudo sobre sites de relacionamento amoroso, chamado "De onde tecl@s?”. Com profundo conhecimento sobre Internet e o comportamento dos internautas, ela define o que é fotolog e analisa o seu sucesso: “os fotologs são murais virtuais nos quais acredito que existam dois tipos de usuário: os que simplesmente contribuem para a existência de uma comunidade virtual (na qual os amigos dividem os momentos registrados através de fotos e comentários) e os que apresentam uma exposição narcísica. Andy Wahrol dizia que no futuro todas as pessoas teriam 15 minutos de fama. Em minha análise sobre os fotologs, a maioria dos usuários busca exatamente isso: reconhecimento e popularidade. A internet é um meio instantâneo de informação. Os fotologs são um sucesso porque a postagem é gratuita e os brasileiros gostam disso”.
Outro fator atraente é que o fotolog possui uma interface extremamente facilitada para aqueles que não têm muito conhecimento em informática. Tanto fotógrafos profissionais quanto amadores podem trocar experiências de vida. Foi publicado em 23 de abril do ano passado, no site Reusability.Org, uma declaração de Adam Seifer falando que “nós (os fundadores) achamos que muitos de nossos usuários começaram a colocar fotos de seus férias e festas de aniversário, e isso era o que eles sempre faziam. Pouco a pouco, quando eles viam fotos de outros fotologs, tendiam a prestar mais atenção e a ficarem mais entusiasmados, inspirando-se a começarem a experimentar novidades em suas próprias fotos. É uma dinâmica muito satisfatória de observar.”
O servidor dos fotologs tenta se manter por si mesmo, pois não tem publicidade. Os fundadores vendem assinaturas, chamadas Gold Camera. Quem assina e se dispõe a pagar cinco dólares mensais pode postar até seis fotos por dia com direito a 100 comentários, além de outras regalias. Mas, quem continua usufruindo do serviço grátis, só tem direito a uma foto diária, com dez comentários. Essa idéia de assinaturas também foi copiada pelas versões tupiniquins do fotolog, como o “Flog Brasil” ( http://www.flogbrasil.terra.com.br), o “Fotologs” ( http://www.fotologs.com.br), entre outros.
Os concorrentes do Fotolog.Net começaram a se alastrar quando houve uma explosão de novos fotologgers. O número de fotologs tem aumentado rapidamente. Em fevereiro, existiam cerca de 300 mil fotologs, sendo 56% brasileiros. Atualmente, este número subiu para cerca de 470 mil e isto tem causado muita dor de cabeça aos usuários.
Sucesso que dá trabalho
As principais reclamações dos fotologgers estão na lentidão do servidor e nos erros que freqüentemente acontecem, como os amigos dos fotologgers que somem, as fotos que não conseguem ser enviadas e o sumiço de fotologs sem explicação. Mas, com toda razão, os assinantes são os mais exigentes. Por isso, os “Gold Cameras” começaram a organizar um movimento exigindo que tenham prioridade no atendimento.
Os fundadores começaram a tomar medidas extremas com os fotologs gratuitos, como bloquear que novos fotologgers se inscrevessem e até restringiram horário para a postagem de fotos. Publicada na Tribuna da Imprensa, em 6 de fevereiro deste ano, a matéria “Os Brasileiros e os Fotologs” diz que uma das tarefas prioritárias dos fundadores é tentar buscar parceria com alguma empresa nacional. Seifer espera que esta empresa “entenda como monetizar os internautas brasileiros melhor do que nós.”
E isto finalmente aconteceu. A equipe sempre publica as novidades do servidor no endereço http://www.fotolog.net/fotolog. No dia 14 de julho, na esperança de que o sistema se estabilizasse, os fundadores publicaram que se juntaram ao provedor Ubbi. De acordo com o pronunciamento, esta parceria ajudará a “criar uma experiência melhor para os fotologgers do Brasil e da Argentina. (...) A parceria com Ubbi também tornará possível que nós exploremos infinitas novas possibilidades e benefícios para nossos usuários em todo o mundo”. Uma das vantagens dessa união é que os argentinos poderão pagar seus serviços em peso e os brasileiros, em reais. Antes, todos deveriam pagar em dólar, o que impedia muitas pessoas de se tornar um Gold Camera. Além disso, os brasileiros terão ofertas e promoções exclusivas.
Comparando as versões brasileiras com o fotolog original, é possível encontrar vantagens e desvantagens. O Flog Brasil, do provedor Terra, por exemplo, tem a vantagem de ser todo em português, pode-se colocar títulos diferentes em cada foto, mostra a hora em que a foto foi postada e permite 15 comentários aos usuários gratuitos. Mas, também tem desvantagens, como a falta da barra que separa os comentários, o limite de 400KB da foto a ser postada e, o que derruba todas as concorrentes, o fato de ser menos popular que o Fotolog.Net.
O universitário Diego Pinheiro, que está cursando Publicidade e Propaganda, possui um endereço no Flog Brasil e dois no Fotolog.Net. Ele reclama que, pelo fato da versão brasileira ter menos gente, sua página quase não é visitada. “Eu recebo poucas visitas no Flog Brasil. Todo mundo que eu conheço está no Fotolog.Net. É indiscutivelmente melhor, apesar das falhas do servidor”.
É possível fazer um fotolog só com fotos da internet, mas a maioria dos fotologgers usa câmera digital, um aparelho de alto custo e que ainda é um sonho para muitos brasileiros. No entanto, o número de fotologs continua aumentando. Simultaneamente a isto, o governo Lula tem incentivado firmemente a inclusão digital, como a adoção do software livre e a realização de projetos como construção de telecentros. Será que, de alguma forma, o fotolog está incentivando a inclusão digital dos brasileiros? Luciene Setta responde que não vê “o fotolog como um exemplo de inclusão digital. Adquirir um computador ainda é caro. Ninguém compra uma máquina digital por menos de R$600,00. Acredito que não seria o fotolog o motivo principal para que muitos brasileiros queiram entrar na Rede Mundial de Computadores”.
A praticidade e a dinâmica do fotolog conquistaram os brasileiros. Mas, ele ainda não consegue incluir pessoas à Internet nem proporcionar a democratização das tecnologias de informação. De acordo com as palavras de Setta, “o que o fotolog proporciona é a efetivação da existência de tribos virtuais e até posso dizer, de exacerbação de questões narcísicas”. Mesmo se os fabricantes de câmeras digitais diminuíssem seu custo, não garantiria a disponibilidade dos fotologs para mais pessoas. É preciso algo maior que isso: que o custo do computador e do acesso à Internet diminua. |