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Andy Carvin: projetos e articulações de um movimento de um homem só

Gabriella Ponte
7º período – Jornalismo

Todos os movimentos sociais e entidades civis vêm articulando e lutando por suas causas, mas há exceções de movimentos de um homem só como Andy Carvin. Ele trabalha em uma ONG, a Benton Foundation, como associado sênior na prática da política das comunicações, mas também milita isoladamente. Este veterano de 16 anos de Internet vem utilizando a rede como uma ferramenta para articular seus trabalhos e discussões sobre temas diversos, como a importância da Web na educação.
Carvin também possui um blog onde, entre outros assuntos, postou comentários sobre a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) e mostrou sua participação junto à sociedade civil. O seu diferencial é a interação com seu público através de vasto material multimídia. Ele disponibiliza na Web vídeos e áudios em torno do seu trabalho e até fotos das muitas viagens que faz.
Graduado em retórica e religião e Mestre de artes em telecomunicações pela Northwestern University, Carvin é um personagem único dentro da sociedade civil. Ele é o Andy Carvin da Benton Foundation no momento em que é o entrevistador dos eventos que cobre. Assim, coleta informações e seu material multimídia. Ao mesmo tempo, milita sozinho por causas nobres. É aí que se torna o entrevistado, dando suas declarações, participando ativamente das discussões sobre tecnologia, informática e educação.
A missão da entidade da qual faz parte, a Benton Foundation, é articular e promover uma visão pública dos interesses e das alternativas para a era digital e demonstrar o valor que a comunicação tem de resolver questões problemáticas, beneficiando assim a sociedade. Eles tentam conscientizar empresários a financiar projetos que utilizem o poder da comunicação para aproximar as comunidades.
Nos últimos dois anos, a fundação tem feito várias iniciativas nas quais Carvin participa. Ele é coordenador da Rede de Divisão Digital (http://www.digitaldividenetwork.org), uma comunidade com cerca de três mil ativistas de mais de 80 países que trabalham para encontrar soluções para a brecha digital. É também co-editor do Canal de Oportunidade Digital (http://www.digitalopportunity.org), um portal internacional da Web que enfoca o uso das tecnologias de informação e de comunicação (TICs).

Atuação social
Mas, focando em seu trabalho pessoal, ele é o autor do EdWeb (http://edwebproject.org), um recurso para educação online, explorando a tecnologia na escola. O site foi um dos pioneiros a reivindicar a utilização da World Wide Web na educação. A revista NetGuide considerou o site como um dos 50 melhores endereços para se visitar online.
Escrito e produzido por Carvin, o site tem o propósito de se transformar em um extenso livro sobre a reforma educacional americana e o estudo hipertextual de tendências atuais nas TICs. Através dele, é possível ter acesso a recursos online sobre políticas educacionais e desenvolvimento de infra-estrutura da informação, além de examinar casos de sucesso do uso dos computadores em sala de aula.
Desde 1994, o EdWeb ajudou a milhares de pessoas a utilizar a Internet como uma ferramenta de aprendizagem. Carvin, sozinho, conseguiu dar um importante passo na inclusão digital de pessoas do mundo todo. Seu site serve como um exemplo histórico de como a rede foi utilizada na década de 90, quando muitos só a utilizavam para o entretenimento e não sabiam tratá-la como um instrumento de pesquisa e conhecimento. Ainda ligado à educação, ele é fundador e moderador do WWWEDU, o fórum mais velho e extenso da Internet sobre a importância da Web na educação.
Devido a todas as suas atitudes militantes online, Carvin é muito requisitado em discussões sobre o assunto e sempre aparece na mídia dando sua opinião sobre temas ligados à educação. No site Faze Magazine, Carvin participou de uma discussão que favorece a exploração da tecnologia no ensino, com o chamado “homeschooling” (crianças que aprendem as matérias da escola em casa, através de apostilas disponíveis na rede). A matéria explica que a rede fornece oportunidades surpreendentes para a instrução, onde qualquer um que possua linha telefônica e um computador tem acesso ao conhecimento ilimitado. “Com o crescimento recente da Internet, mais famílias tornaram-se atraídas ao homeschooling”, afirma Carvin.
O seu blog, que está online desde 1994, se chama “Andy Carvin's Waste of Bandwidth”, que traduzindo ficaria “A perda de largura de banda do Andy Carvin”. Ou seja, uma brincadeira como se ele participasse da ação conjunta de contribuir para o lixo digital, embora suas ações estejam bem longe disso. É através dele que Carvin, além de desabafar certas indignações, consegue articulações a partir de seu trabalho.
Representando a Benton Foundation, Carvin foi à CMSI em Genebra, em dezembro do ano passado. De lá, postava as novidades do que estava acontecendo na Cúpula. Ele comentou, entre outras coisas: as dificuldades de se chegar a um consenso quanto à declaração final; que a sociedade civil, de certa forma, estava sendo tratada de maneira diferente dos outros atores; e ainda discutiu, sob seu ponto de vista, os principais temas da Cúpula, como a brecha digital, o acesso de todos às TICs, os direitos humanos, a liberdade de expressão e o software livre.

Analisando a CMSI
No dia 11 de dezembro, Carvin comenta sobre a declaração que a sociedade civil fez. Ele escreve em seu blog que, “de acordo com Sally Burch, que falou durante a conferência de imprensa, aproximadamente 6% das idéias contidas na declaração oficial da cúpula - para ser liberado amanhã (dia 12) – originaram da sociedade civil, embora os leitores puderam ‘necessitar um microscópio' para identificar. A sociedade civil se sentiu na necessidade de liberar sua própria declaração, não como uma contra-proposta binária à declaração oficial, mas como um documento que representasse mais exatamente os interesses da sociedade civil”.
Ele cita um pedaço da declaração da sociedade civil dizendo que eles acreditam “que as tecnologias podem ser acopladas aos meios fundamentais (...) reconhecendo que isso constrói uma ponte sobre a brecha digital e isso é somente uma etapa no caminho para conseguir o desenvolvimento”. Carvin mostra que a sociedade civil reconhece o grande potencial das TICs em superar problemas mundiais como a fome e catástrofes naturais. Também cita uma parte do documento em que a sociedade civil pede para que os governos envolvidos considerem a opinião das Ongs e que eles devem honrar a sua participação nos processos preparatórios que conduzirão à segunda fase, na Tunísia.
Poucos dentro da sociedade civil conseguem tantas realizações sozinho como Andy Carvin. Não se esquecendo, é claro, de que ele é membro de uma organização como a Benton Foundation. Suas articulações e discussões com pessoas do mundo todo que pensam como ele já fizeram a diferença e isso fica como um exemplo para os movimentos sociais ou Ongs que já estão desacreditadas em suas causas.

 
NESTA EDIÇÃO

Fortalecendo a sociedade civil nas relações governamentais, por Prof. Adilson Cabral
Diante do entendimento de que existiram, a partir da primeira fase da Cúpula, uma série de temas a serem mais bem abordados e definidos, o ITeM está empenhado na tarefa de capacitar a sociedade civil na configuração do que chamam de acordos fortes visando a segunda fase da CMSI. Dessa forma, através do incentivo à investigação mais bem acurada e voltada para esse objetivo comum, seus organizadores entendem e esperam que este possa ser um caminho exitoso.

Governança da Internet
CRIS Brasil: articulação da sociedade civil pelo direito à comunicação
Estiveram reunidas na cidade do Rio de Janeiro cerca de 40 organizações da sociedade civil, nos dias 19 e 20 de agosto, com o objetivo de referendar a pesquisa feita pelo Coletivo Intervozes para o Projeto de Governança Global (GGP) e definir as bases para o lançamento das atividades da CRIS Brasil.
(texto completo)

Desenvolvimento sustentável
Comunicação e movimentos sociais: mobilizando
universitários
Nos últimos anos, universitários vêm se unindo a movimentos sociais lutando contra as opressões sociais, como a organização conservadora em favor do domínio de poucos. No caso da área comunicacional, a ENECOS vem organizando encontros, fóruns e congressos em todo o país, em prol da democratização da comunicação no Brasil. (texto completo)

Diversidade cultural e lingüística
A globalização e a diversidade cultural
Nos últimos anos, o assunto globalização já foi discutido e analisado sob vários ângulos. É inegável que não seja apenas um fenômeno econômico, vindo a abranger também a cultura e a política. Mas como vem sendo refletida a diversidade cultural no Brasil e no mundo? (texto completo)

 

 

Internet: Uma mídia alternativa a serviço da Igreja
por Antonio Mendes da Silva Filho
Maria Viviane Monteiro Delgado
Embora a Internet tenha sido desenvolvida há aproximadamente três décadas (1969), somente após a introdução da Web em 1989 (portanto, quase 20 anos depois) houve um real e expressivo crescimento em seu uso. Hoje em dia, é possível ver seu emprego para compartilhar informações nos variados segmentos de nossa sociedade, inclusive a Igreja.

Governabilidade democrática
Brasil investe no uso do software livre
O governo federal decidiu levar o software livre para a máquina administrativa e agora o está levando para a sociedade. Pois, além de permitir que muitos tenham acesso e conheçam os programas gerados, adequando-os às necessidades específicas, também resultam numa grande economia para o país. (texto completo)

Educação para a informática e a Internet
Telecentros: onde cultura rima com tecnologia
Os telecentros são locais de acesso público e gratuito a computadores conectados à internet de banda larga e com funcionários capacitados a ensinar informática a qualquer pessoa que queira utilizar os equipamentos. O número de telecentros tem crescido a cada dia, ajudando na inclusão digital e social de comunidades de extrema pobreza, caracterizadas por altos índices de violência e exclusão social. (texto completo)

Conhecimento Global de Domínio Público
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