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Brasil investe no uso do software livre
Profª Ms. Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo Eletrônico SETE PONTOS
Acompanhar a evolução da tecnologia, tendo um computador em casa, ainda é sonho da maioria do povo brasileiro. Porém, mesmo não sendo ainda um bem particular de muitos, saber utilizá-lo em qualquer lugar já não é mais um privilégio de poucos.
Os programas que dão vida à máquina e acompanham os usuários ainda continuam como pauta de discussão de vários países. Para acabar com esse problema no Brasil, o governo federal decidiu levar o software livre para a máquina administrativa e agora o está levando para a sociedade. Pois, além de permitir que muitos tenham acesso e conheçam os programas gerados, sem pagar licença de US$1 bilhão/ano em royalties pela utilização de software proprietário, e adequando-os às necessidades específicas – algo que não podia ser feito com o software proprietário – para isso era preciso comprar uma nova versão, se aprisionando nas mãos dos donos dos programas, também resultam numa grande economia para o país.
Para se ter noção do que vem acontecendo no Brasil, basta observar os programas de inclusão digital que estão sendo promovidos pelo governo, empresas e a sociedade civil que, juntos, investem pesado para que a população não continue analfabeta digitalmente. Um exemplo é o telecentro que vem sendo formado em comunidades carentes, auxiliando os moradores a usarem a tecnologia em prol do desenvolvimento local, além da especialização de cada um em aplicativos e Internet.
A economia gerada pelo uso do software livre também já vem sendo levada em consideração pelas empresas brasileiras, onde mais 50% do total já o tem como realidade em seus ambientes de trabalho, adequando-os, assim, às necessidades empresariais, conforme informações do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI).
Na última semana de agosto, o software livre foi bastante debatido pelo governo federal. No dia 24, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática promoveu audiência pública, verificando a propriedade intelectual e o uso do software livre. Para o deputado Jamil Murad (PCdoB-MG), um dos autores do requerimento, é preciso dar mais crédito ao software livre, uma vez que auxilia no desenvolvimento da sociedade e evitar o proprietário que tenta controlar o acesso aos programas, criando um monopólio na área tecnológica. A sociedade civil também se manifestou analisando os benefícios do SL e a importância do estudo da propriedade intelectual.
Também passou a tramitar na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática o Projeto de Lei 3280/04, do deputado Luiz Couto (PT-PB), que defende a importância do uso do software livre nas escolas públicas do país. Para o político, utilizar o SL nas escolas resulta no desenvolvimento da ciência e tecnologia nacional, uma vez que as crianças aprenderão a usar os programas, evitando que sejam meras clicadoras de botões como vem acontecendo nos locais que ainda utilizam o proprietário.
Dessa forma, propõe-se no projeto que as licenças para o uso de programas de acesso livre devam permitir modificações e a livre distribuição. Em contrapartida, “A União ofertará em seus programas de capacitação em estabelecimentos de ensino, cursos de operação, programação, desenvolvimento e capacitação de instrutores voltados para a operacionalização de programas abertos, livres de restrições proprietárias” (Projeto de Lei 3280/04, Art.3º).
E para que seja evitada demora na apreciação por outras comissões, a proposta de Couto foi apensada ao Projeto de Lei 2269/99, do deputado Walter Pinheiro (PT-BA), que “dispõe sobre a utilização de programas abertos pelos entes de direito público e de direito privado sob controle acionário da administração pública”. De acordo com o artigo 1º, “a administração pública, em todos os níveis, os Poderes da República, as empresas estatais e de economia mista, as empresas públicas, e todos os demais organismos públicos ou privados sob controle da sociedade brasileira, ficam obrigadas a utilizarem preferencialmente, em seus sistemas e equipamento de informática, programas abertos, livres de restrição proprietária quanto a sua cessão alteração e distribuição”.
Assim, verifica-se que o Brasil vem se movimentando para que a sociedade brasileira tenha acesso às novas tecnologias Espera-se, então, que esta chama continue acesa e que a economia dos royalties pela utilização de software proprietário seja utilizada em prol do povo e na criação e fortalecimento de políticas públicas. |