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Comunicação e movimentos sociais: mobilizando universitários
por Gabriella Ponte
7º período – Jornalismo
Três palavras têm estado muito unidas nas últimas décadas: movimento, social e estudante. Esta união tem significado pessoas indignadas que começam a se movimentar e socialmente se organizam para alcançar objetivos comuns. Eles lutam não só dentro das universidades (como movimentos estudantis e DCEs) como também atuam por fora em movimentos sociais, principalmente lutando pela democratização da comunicação no Brasil.
Na base da cultura universitária, existem objetivos comuns de superação das opressões sociais, como a organização conservadora em favor do domínio de poucos. A maioria dos estudantes reproduz, ativa ou passivamente, esta lógica presente na universidade e na sociedade. Uma entidade que tem lutado por esta causa é a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social ( ENECOS ). Ela é uma representação do movimento estudantil de comunicação social e organiza encontros, fóruns e congressos em todo o país.
Com movimentos sociais
Houve nos dias 15 e 16 de maio o Encontro Regional dos Estudantes de Comunicação Social - Sul (ERECOM-Sul), que reuniu estudantes e movimentos e grupos sociais ligados à comunicação. Eles discutiram como está a comunicação no sul do país e como debater sobre alternativas de melhorá-la, através de trocas de experiências, oficinas e a formação de redes de comunicação entre os participantes. O evento reuniu pessoas da região Sul e teve como tema “Construindo a comunicação popular”, sendo fundamental para movimentos sociais e militantes em geral, não se restringindo somente a universitários. A partir dos debates, foram feitas propostas de trabalhos em comunicação para além do encontro. Os participantes tinham a missão de difundir em suas universidades e comunidades a comunicação popular, como jornal e rádio comunitárias. A coordenadora da Regional Sul da ENECOS, Micheline Michaelsen, diz que não sabe com clareza se as propostas foram colocadas em prática após o encontro, “mas sabemos que estão havendo iniciativas de movimentos e parcerias entre eles. No Rio Grande do Sul, por exemplo, MTD, CMI, RDC FM e Ação Periférica seguiram trabalhando juntos a partir do encontro”. Michaelsen explica que está acontecendo outro desdobramento do evento, ainda em planejamento. A proposta é “reunir os movimentos participantes por região (Porto Alegre, Curitiba...) e formar um grupo misto de oficineiros/as de diferentes movimentos e sobre diferentes temas. Esse grupo misto iniciaria um trabalho de oficinas no bairro/escola/acampamento/assentamento de cada um dos membros do grupo. Assim, cada movimento participante do encontro seria oficineiro e a sua comunidade participaria de uma oficina com o conjunto de oficineiros/as. As reuniões de planejamento desse trabalho já estão acontecendo, e as oficinas devem começar até o final do ano”.
O movimento a favor da democratização da comunicação já existe há muito tempo no Brasil, tanto que organizações civis estão concentrando-se em lutas cotidianas ou mesmo buscando formas alternativas de atuar com a temática da comunicação. Eles combatem os golpes da mídia hegemônica e tentam enfrentar dificuldades e possibilidades da construção de uma comunicação mais livre. Michaelsen explica que vários estudantes começaram a lutar por esta causa através do movimento estudantil e outros entraram na luta por já estar em veículos, movimentos ou entidades que buscam esse objetivo. Ela fala que “um dos objetivos do encontro era justamente o de superar essa separação estudante/profissional/militante, até porque é uma das causas de uma posterior aproximação autoritária”.
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) juntou organizações sociais interessadas em lutar à favor da comunicação e as estruturou com base nas suas estratégias de ação, consolidando seu viés institucional. Grupos como a UNE e a Ong Intervozes têm lutado também por esta causa. Micheline, no entanto, explica qual seria a contribuição dos estudantes de comunicação nesse sentido: “O estudante pode contribuir na sua condição de militante. A contribuição não virá de um estudante que se acredita detentor e se pretende multiplicador da técnica e conhecimento que adquiriu na universidade, até porque esse conhecimento não está a serviço dos movimentos sociais, antes o contrário. Como militante, despido dessa postura que pode ser arma perigosa, o estudante pode vir a construir com os movimentos uma alternativa de comunicação”.
É importante que não só as entidades civis e os estudantes participem deste movimento por uma comunicação mais livre e democrática. É preciso também conscientizar a população a participar desta luta. Michaelsen diz que “a população participa dessa luta quando percebe que a comunicação hegemônica, concentrada na mão de poucas famílias, também não a representa. Quando, sentindo na pele o ataque da elite às suas formas livres de expressão, inverte o discurso hegemônico que afirma falar por ela e volta ao mais natural dos processos - exercer o seu direito a comunicação”. |