|
Internet: Uma mídia alternativa a serviço da Igreja
Prof. Dr. Antonio Mendes da Silva Filho e
Maria Viviane Monteiro Delgado (*)
Até pouco tempo, estudo e, principalmente, pesquisa eram no mundo inteiro privilégio de estudantes abastados. Alguns leitores, entretanto, podem contestar dizendo que tal situação ainda persiste. Todavia, preferimos afirmar, sob uma óptica positiva, que tal situação melhorou e, hoje em dia, as pessoas, independente de sua posição no estrato social, têm melhores condições de acesso a conhecimento, informação e ascensão. Nossa afirmativa baseia-se na existência de escolas e universidades públicas e num conjunto de programas de incentivos sociais que envolve, dentre outros itens, a oferta de bolsas de estudos.
Concomitante com a observação acima, tem-se que toda tecnologia origina-se com o intuito de oferecer benefício(s) a um conjunto de pessoas e, nesse contexto, a WWW (World Wide Web) ou Teia de Alcance Mundial não é exceção. Neste texto, como muitos assim a denominam, utilizarei o termo Web. Tal tecnologia permite que usuários de computador possam localizar e visualizar documentos multimídia, isto é, documentos contendo textos, gráficos, figuras, animações, áudios e vídeos.
Embora a Internet tenha sido desenvolvida há aproximadamente três décadas (1969), somente após a introdução da Web em 1989 (portanto, quase 20 anos depois), através de trabalhos de Tim Bernes Lee do CERN (Laboratório Europeu de Partículas Físicas) que na ocasião utilizou a Web para compartilhar informações através de hipertextos, houve um real e expressivo crescimento em seu uso. Hoje em dia, é possível ver seu emprego para compartilhar informações nos variados segmentos de nossa sociedade, inclusive a Igreja. Na Bíblia, encontra-se o seguinte trecho no qual Jesus Cristo fala a seus apóstolos:
- “Vão pelo mundo todo e anunciem as Boas Notícias do Evangelho a toda gente” (Evangelho segundo Marcos, capítulo 16, versículo 15).
- No trecho supracitado, Jesus havia pedido aos apóstolos que eles pregassem o Evangelho, prometido antes pelos profetas e promulgado e completado por Ele.
Tradicionalmente, a Igreja tem feito a promulgação do Evangelho de duas maneiras: oralmente e por escrito. Contudo, já no final da década passada, a Igreja (notadamente Católica) começa a fazer uso das chamadas mídias eletrônicas para fazer a transmissão do Evangelho. Depois da televisão, a Internet já é considerada a segunda mídia mais poderosa podendo atingir milhões de pessoas.
Embora o Brasil seja um país no qual a maioria da população seja considerada católica, dados da Igreja apontam que aproximadamente apenas 20% sejam praticantes. O que fazer pra chamar para Igreja esse ‘rebanho rebelde'? Muitos desses pertinentes ao ‘rebanho rebelde' encontram-se imersos nas preocupações de sobrevivência material, dispersos em grandes cidades, ou mesmo assediados por um número cada vez maior de outras religiões ou doutrinas. Embora a televisão seja a mídia que penetra mais facilmente e em praticamente todos os lares da população brasileira, englobando quase todos os estratos sociais, a Internet já começa a ser utilizada. Ela apresenta-se como excelente mídia para veiculação de informações da Igreja em diversos segmentos, sendo aplicada em:
Museu virtual com acervo eletrônico de vários temas religiosos;
Publicações eletrônicas (revistas e jornais com informativos e artigos sobre religião) da Igreja;
Pesquisa de dados remotos de outras instituições religiosas (diocese, CNBB, Vaticano, etc.);
Ensino de disciplinas relacionadas a religião.
Por exemplo, se o leitor desejar fazer um curso sobre Teologia e Música Sacra, então poderia visitar o site http://www.stprj.br do Seminário Teológico Presbiteriano do Rio de Janeiro que oferece um programa de ensino religioso através do qual o interessado pode assistir as aulas sobre diversos tópicos relacionados à Teologia.
É importante observar que embora a Web tenha um alcance mundial, o acesso a ela requer a disponibilidade de um computador, uma linha telefônica e um provedor. Dessa forma, grande parcela da população brasileira, face a sua condição de renda, fica fora desse público-alvo devido à exclusão digital. Todavia, a Igreja tem ciência de que a evangelização através da Internet deveria se concentrar na população pertinente à classe média ou superior. As demais classes poderão ser alcançadas se os programas de inclusão digital do governo brasileiro obtiverem o sucesso esperado. A despeito das argumentações acima, diversas páginas aqui no Brasil e mundo afora têm surgido, conforme mostra o site http://www.buscatematica.com/religiao-cultos.htm.
Finalizando, observa-se que a Internet começa a ajudar a Igreja a compartilhar e promulgar suas informações e dogmas, visando salvar ou atrair as ‘ovelhas' perdidas ou rebeldes.
Antonio Mendes da Silva Filho é professor adjunto do Departamento de Informática da Universidade Estadual de Maringá e autor dos livros “Programando com XML” e “Arquitetura de Software” (Editora Campus/Elsevier).
Maria Viviane M. Delgado é Economista, tendo participado de diversos projetos da Rede Unitrabalho (http://www.unitrabalho.org.br/principal.htm) relacionados à Economia Solidária.
|