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Fortalecendo a sociedade civil nas relações governamentais

por Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

Sim, acompanhamos o processo decisório dos governos desde Genebra, mas, e agora? O que realmente podemos esperar dessa Cúpula Mundial da Sociedade da Informação que a ONU vem fazendo? Como podemos influenciar governos e governantes em nível global - amplos espaços decisórios de estabelecimento de consensos multilaterais - e local - ações de monitoramento, de envolvimento no processo decisório ou parcerias com o setor governamental? Enfim, como potencializar a sociedade civil em relação ao êxito em suas ações junto à CMSI?
São perguntas como estas, presentes em corações e mentes de participantes de diversas organizações sociais, que estão acompanhando o processo preparatório para a segunda fase da CMSI, que estimularam o Instituto do Terceiro Mundo (ITeM) a lançar um projeto que se propõe a investigar temas de interesse em relação ao papel das TICs para o desenvolvimento econômico e social dos países do Sul.
Está sendo feito um chamado para o envio de propostas de pesquisa que serão selecionadas por um Comitê formado por Anriette Esterhuysen, diretora executiva da Associação para o Progresso das Comunicações (APC), Martin Khor, diretor da Rede do Terceiro Mundo (TWN, em inglês) na Malásia, e Mukhtar Trifi, presidente da Liga Tunesina de Direitos Humanos. A idéia é que os proponentes apresentem pesquisas relacionadas aos mecanismos de financiamento para o desenvolvimento das comunicações no Sul, a governança de Internet e as políticas globais de TICs, além de temas pendentes na agenda da CMSI.
Diante do entendimento de que existiram, a partir da primeira fase da Cúpula, uma série de temas a serem mais bem abordados e definidos, tais como o futuro da governança da Internet, o financiamento de TICs para o desenvolvimento e os direitos de propriedade intelectual, o ITeM está empenhado na tarefa de capacitar a sociedade civil na configuração do que chamam de acordos fortes visando a segunda fase da Cúpula. Dessa forma, através do incentivo à investigação mais bem acurada e voltada para esse objetivo comum, seus organizadores entendem e esperam que este possa ser um caminho exitoso.

Atuação do ITeM
O trabalho que o ITeM desenvolve está centrado no estímulo à participação cidadã nos processos globais de tomada de decisões, através de iniciativas de caráter educativo como o "Guía del Mundo", que provê informações sobre aspectos sociais, culturais, políticos e econômicos de todos os países. Além disso, produtos e serviços como o portal Choike, destinado a melhorar a visibilidade dos conteúdos da Internet produzidos pelos países do Sul e participações na Rede do Terceiro Mundo e na Rede Chasque, este um provedor de acesso à Internet no Uruguai, filiado à APC. Sendo assim, o compromisso com o debate dos temas ligados à apropriação social das tecnologias de informação e comunicação assume fundamental importância no contexto das ações do ITeM neste processo de definições para a CMSI.

Buscando resultados
Espera-se da capacidade de sensibilização da sociedade civil uma maior abertura de diálogo com os representantes governamentais do processo da Cúpula, embora esta seja uma tarefa diretamente relacionada ao acordo intergovernamental, bem como à natureza dos temas a serem trabalhados e dos atores envolvidos em cada um deles.
Se considerarmos a Declaração de Princípios aprovada na primeira fase da Cúpula, em dezembro de 2003, em Genebra, ao mesmo tempo em que consensos mínimos foram obtidos pelos representantes governamentais, uma série de questões, determinantes do que se espera em termos da necessidade de construir sociedades do conhecimento, ainda estão muito distantes de serem acertadas, principalmente no que diz respeito às diferentes concepções e preocupações no acesso à Internet.
Questões de segurança que envolvem uma ameaça de censura à rede ou do apoio à utilização do software livre, que diz respeito às possibilidades de superação dos limites relacionados com a propriedade intelectual, fazem cada vez necessário o esclarecimento sobre o terreno no qual a sociedade civil está pisando e o quanto mais ainda temos para caminhar. E nesse sentido é que, em boa hora, uma iniciativa como esta está sendo muito bem-vinda.

 
NESTA EDIÇÃO

Fortalecendo a sociedade civil nas relações governamentais, por Prof. Adilson Cabral
Diante do entendimento de que existiram, a partir da primeira fase da Cúpula, uma série de temas a serem mais bem abordados e definidos, o ITeM está empenhado na tarefa de capacitar a sociedade civil na configuração do que chamam de acordos fortes visando a segunda fase da CMSI. Dessa forma, através do incentivo à investigação mais bem acurada e voltada para esse objetivo comum, seus organizadores entendem e esperam que este possa ser um caminho exitoso.

Governança da Internet
CRIS Brasil: articulação da sociedade civil pelo direito à comunicação
Estiveram reunidas na cidade do Rio de Janeiro cerca de 40 organizações da sociedade civil, nos dias 19 e 20 de agosto, com o objetivo de referendar a pesquisa feita pelo Coletivo Intervozes para o Projeto de Governança Global (GGP) e definir as bases para o lançamento das atividades da CRIS Brasil.
(texto completo)

Desenvolvimento sustentável
Comunicação e movimentos sociais: mobilizando
universitários
Nos últimos anos, universitários vêm se unindo a movimentos sociais lutando contra as opressões sociais, como a organização conservadora em favor do domínio de poucos. No caso da área comunicacional, a ENECOS vem organizando encontros, fóruns e congressos em todo o país, em prol da democratização da comunicação no Brasil. (texto completo)

Diversidade cultural e lingüística
A globalização e a diversidade cultural
Nos últimos anos, o assunto globalização já foi discutido e analisado sob vários ângulos. É inegável que não seja apenas um fenômeno econômico, vindo a abranger também a cultura e a política. Mas como vem sendo refletida a diversidade cultural no Brasil e no mundo? (texto completo)

 

 

Internet: Uma mídia alternativa a serviço da Igreja
por Antonio Mendes da Silva Filho e
Maria Viviane Monteiro Delgado
Embora a Internet tenha sido desenvolvida há aproximadamente três décadas (1969), somente após a introdução da Web em 1989 (portanto, quase 20 anos depois) houve um real e expressivo crescimento em seu uso. Hoje em dia, é possível ver seu emprego para compartilhar informações nos variados segmentos de nossa sociedade, inclusive a Igreja.

Governabilidade democrática
Brasil investe no uso do software livre
O governo federal decidiu levar o software livre para a máquina administrativa e agora o está levando para a sociedade. Pois, além de permitir que muitos tenham acesso e conheçam os programas gerados, adequando-os às necessidades específicas, também resultam numa grande economia para o país. (texto completo)

Educação para a informática e a Internet
Telecentros: onde cultura rima com tecnologia
Os telecentros são locais de acesso público e gratuito a computadores conectados à internet de banda larga e com funcionários capacitados a ensinar informática a qualquer pessoa que queira utilizar os equipamentos. O número de telecentros tem crescido a cada dia, ajudando na inclusão digital e social de comunidades de extrema pobreza, caracterizadas por altos índices de violência e exclusão social. (texto completo)

Conhecimento Global de Domínio Público
Andy Carvin: projetos e articulações de um movimento de um homem só
Todos os movimentos sociais e entidades civis vêm articulando e lutando por suas causas, mas há exceções de movimentos de um homem só como Andy Carvin. Ele trabalha em uma ONG, a Benton Foundation, como associado sênior na prática da política das comunicações, mas também milita isoladamente. (texto completo)