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Grupos de mídia utilizam estratégias para agir pelo social e obter o lucro
por Eula Dantas Taveira Cabral
Editora do Informativo Eletrônico SETE PONTOS
A concentração dos meios de comunicação na mão de poucos empresários é um processo que vem sendo definido desde os anos 90, do século passado. Sendo encarada como algo natural no mercado empresarial, os grupos passaram a chamar a atenção da sociedade, envolvendo-se em atividades voltadas para o Terceiro Setor. Os "donos da mídia brasileira" estão entrando no segmento social em busca da credibilidade de seu público. Mas, até que ponto isso pode contribuir com a boa imagem que estão desejando?
Agindo pelo social
Um evento bem interessante que evidencia essa busca da mídia é o “Fórum Social de Comunicação”. O objetivo é debater e analisar a comunicação, principalmente a publicidade, e a valorização dos projetos e ações focadas no Terceiro Setor, premiando, assim, as melhores iniciativas. Organizado pela Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), Associação Latino-americana das Agências de Publicidade (Alap), Fundação Maurício Sirotsky, Fundação Roberto Marinho e a ONG Parceiros Voluntários, a terceira edição será realizada nos dias 26 e 27 de janeiro de 2005 na Assembléia Legislativa de Porto Alegre (RS), durante o Fórum Social Mundial.
Reconhecer as ações do Terceiro Setor, valorizando-as em veículos de comunicação, podem contribuir realmente com as ações da sociedade civil? Na verdade, muito pouco. Por quê?
Em busca do lucro
A situação no mercado é simples: gerar lucro. Para isso, boas estratégias são fundamentais. Uma delas, que é prática constante dos conglomerados midiáticos em todo o mundo, consiste na absorção de grupos menores. Ou seja, comprando-os, fazendo parcerias ou engavetando-os (com pessoas não é diferente). Deixá-los sobreviver não é interessante. Dessa forma, como acontece no Brasil, é tentar burlar a Lei, adquirindo novas empresas, ou ser parceiro ou, no caso das emissoras de televisão e rádio, fazer contratos anuais de afiliações. E assim concentrar nas mãos de poucos muitas empresas, dominando o campo midiático. Melhor: tendo o controle do que é difundido à maioria da população brasileira – privilégio dos grandes grupos como Globo, SBT, Folha de S.Paulo, dentre outros.
Detectando cada um
Um exemplo que vem tirando o sono de muita gente é a escolha de representantes da sociedade civil no Conselho de Comunicação Social, que devia ter sido criado em 1988 mas, como não era interessante sua existência para os donos da mídia, só foi instituído em 2003 tendo como moeda de troca a aprovação da Lei da entrada do capital estrangeiro na mídia brasileira. Erro não questionado devidamente pela sociedade que aceitou, inclusive, empresários da grande mídia como representantes da sociedade civil. Agora, estão definindo os novos membros para um segundo mandato. Será que, novamente, se permitirá um empresário na cadeira da sociedade civil?
Outra estratégia dos conglomerados de comunicação é ter amigos que tenham capacidade de defender seus direitos diante do Executivo, Legislativo e Judiciário, influenciando, em muitos casos, as decisões tomadas nas instâncias superiores. Não permitindo, por exemplo, que as rádios comunitárias funcionem adequadamente, mas que toda iniciativa popular seja abafada pela Lei e fiscalizada por forças de pressão que tirem os profissionais e/ou membros da comunidade de veículos que levam informações ao grupo local.
Sendo assim, cabe à sociedade civil acompanhar os processos decisórios, evitando a maior participação e intervenção dos senhores da mídia em questões que beneficiem a população. Pois, se não se dispor a lutar com as armas adequadas, adquirindo conhecimento e criando boas estratégias, os conglomerados continuarão valorizando apenas peças publicitárias e mantendo seu poderio no país. Além disso, não é possível permitir que migalhas dadas pelos conglomerados sustentem suas atividades e os legitimem em relação à população em geral.
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