A face virtual do racismo
Afrodescendentes buscam seu espaço na Rede

por Gabriella Ponte
5º período - Jornalismo

A Internet se tornou um meio de unir pessoas de todo o mundo, o que deveria, de alguma forma, também unir as raças. Mas, a rede é utilizada por alguns internautas para perpetuar o racismo e o preconceito com relação aos negros e até mesmo aos judeus. Será que, de um modo geral, os negros são tratados como usuários comuns ou o racismo ainda atrapalha nas relações humanas, principalmente no âmbito virtual?
Através da Internet as pessoas trocam informações preconceituosas, divulgam endereços de outros sites racistas e fazem intercâmbio de símbolos nazistas. Existem leis de fiscalização desses sites e, por isso, como pôde-se constatar, algumas páginas brasileiras estão fora do país, dificultando a fiscalização local, pois as leis nacionais não podem ser aplicadas ao estrangeiro. Já foram identificados cerca de dez sites racistas dirigidos ao público brasileiro, estimado em cerca de 13 milhões de internautas.
Em fevereiro desse ano, segundo nova pesquisa da Nielsen//NetRatings, mais de dez milhões de negros americanos estão conectados à rede. BlackPlanet.com é o site mais visitado pelos negros americanos. Um site totalmente interativo e voltado ao público negro, com canais de artigos, fóruns de discussões, chats e games. Em janeiro, conseguiram alcançar a meta de 892.000 visitantes. A página de música Xjamz.com foi a segunda maior visitada.
O racismo nos Estados Unidos acontece abertamente e em maior proporção do que no Brasil, possuindo mais sites preconceituosos do que aqui. Porém, o racismo no Brasil não pode ser descartado. Ele existe, mas, no entanto, as pessoas não aceitam essa realidade. Muitos preferem ignorar que a exclusão acontece. Os negros brasileiros visitam os mais diversos tipos de sites, assim como os brancos, como, por exemplo, os de esportes, de música e em chats. A realidade brasileira é que são poucos os negros que possuem acesso à Internet, já que a maioria da população negra é de baixa renda. Sendo que menos ainda são aqueles que conseguem chegar ao ensino superior. Segundo o Mapa da Exclusão Digital, divulgado recentemente pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Comitê pela Democratização da Informática, considerando a população brasileira que se auto-intitula negros e pardos, os incluídos digitais se restringem a apenas 17,74% dos internautas.
O professor Ricardo Freitas está realizando uma pesquisa sobre afro-descendência na Internet. Ela está sendo implementada na Universidade Federal Fluminense, no Laboratório de Mídia e Etnicidade do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, e, também, na Universidade Estácio de Sá, pelo Núcleo de Tecnologias Avançadas. Para ele, interessa “pensar que, apesar de ser um espaço excludente e elitista, a Internet é também, por extensão, de visibilidade. Por isso, a Internet, hoje, apresenta-se como potencial instrumento para a transformação dessa realidade (de invisibilidade e não-reconhecimento), através de sites e listas de discussões relacionados às questões de afro-descendência no Brasil”.
Sobre sites racistas, o professor comenta que “é necessário investir na produção de sites que revelem a questão afro-descendente, acreditando mesmo que a Internet pode tornar esse mundo mais próximo", mas, ainda questiona: "quem irá produzir e manter tais sites? E os que não têm acesso?”
Ao perguntar se negros são tratados como usuários comuns, Ricardo responde que não, “já que não estão na publicidade veiculada nos sites nacionais. O sistema político excluiu do processo civilizatório brasileiro negros e mestiços, não privilegiou o acesso e, por isso, não há a participação dos afrodescendentes brasileiros em nenhuma mídia, incluindo a Internet”. Ele também explica que a obtenção de um computador, uma linha telefônica e o acesso a um provedor é de alto custo para a maioria dos negros, que são pobres. “A Lei Paim e o Plano de Ação de Durban têm cláusulas específicas para a inclusão digital de afro-descendentes nas novas tecnologias. O quesito cor / raça ainda é prática entre usuários da internet”, diz o professor.
Carlos Alberto, 24 anos, estudante de jornalismo, não visita sites especificamente para o público negro. Por estar trabalhando na área de assessoria de imprensa, acessa os de jornalismo, como o Comunique-se. Sobre o racismo na Internet, ele até cita uma frase dita pela cantora Sandra de Sá: “Se eu ficar perdendo tempo vendo mensagens de pessoas que denigrem a imagem do negro, vou perder tempo a toa”. Carlos acha que as pessoas “no fundo têm medo dos que são considerados diferentes e de serem superadas por aqueles que elas temem”.
Ele passou por uma experiência em chats no qual conta que “geralmente os negros se descrevem como morenos com medo da reação das pessoas. O preconceito existe, mas as pessoas fingem que não. São hipócritas”.
O racismo na Internet existe, segundo Ricardo, porque “também há a xenofobia, a estigmatização, a clicherização e estereotipia tão comuns na vida cotidiana brasileira. Assim, transpomos para a realidade virtual os mesmos quesitos da realidade concreta”.
Então, como seria possível combater o racismo na internet? O governo deveria impedir a ação de tais grupos e aperfeiçoar a legislação. Embora existam leis contra a divulgação do racismo, nenhuma cita, especificamente, a Internet como um meio de propagá-lo. Os provedores de internet do país poderiam se responsabilizar pelo conteúdo que é publicado. Mas o racismo na Internet só pode ser efetivamente combatido com eficácia através da cooperação internacional – acadêmica e policial – já que facilmente os infratores fogem para países onde essas leis não atuam. E Ricardo ainda completa: “políticas de inclusão digital podem bem transformar essa realidade. Mas para isso, é necessário que sejam velozes e eficazes, para que afro-descendentes não fiquem de fora do processo de composição disso que chamamos novas tecnologias, mas que em breve serão velhas.”

 
NESTA EDIÇÃO

Incluir a sociedade no debate
sobre a inclusão digital
,
por Adilson Cabral
Para estimular o interesse da sociedade sobre o tema, é preciso fazer mais do que importantes debates e eficientes documentos, mas contemplar uma política de inclusão da própria sociedade civil dos mais diferentes setores, a começar pela "tradução" dos mais diferentes documentos e processos que a sociedade civil envolvida no debate do processo governamental e junto à ONU, de preparação para a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação vem travando nos mais diferentes fóruns.

Conhecimento Global de Domínio Público
Força social, econômica
e técnica do software livre

Porto Alegre sai na frente
na utilização desta tecnologia
O governo do Rio Grande do Sul teve a iniciativa de introduzir o uso preferencial de softwares livres na área pública. Com esta finalidade, foi formada uma coordenação estadual de governos municipais, empresas públicas e privadas, universidades, ONGs, dentre outros, que originou o Projeto Software Livre RS. No âmbito nacional, os gaúchos estão na frente, pois, durante os três anos de existência do projeto, 319 empresas privadas foram cadastradas, sendo 95 gaúchas que utilizam esta tecnologia no país." (Texto completo)

Educação para a informática e a Internet
Internet nas escolas ainda faz diferença
caminhos para promover
a inclusão digital dos alunos
A Internet é considerada uma ferramenta importante na pesquisa educacional, porém poucas instituições têm condições de investir. Isso acaba prejudicando os estudantes. Assim,
é preciso que o governo, ou mesmo a iniciativa privada, incentive a compra de computadores nas escolas, para proporcionar aos alunos uma maior vivência de suas potencialidades. (Texto completo)

Governança democrática
Governo debate inclusão digital
com sociedade civil e população

o que se pode esperar da Segunda Oficina para Inclusão Digital em Brasília
No evento foram discutidas as estratégias de inclusão e equiparação de oportunidades para a população brasileira, em relação aos recursos das tecnologias de informação e comunicação existentes. Seus representantes esperam que os desdobramentos sejam positivos, m
as será que cidadãos comuns acreditam que o governo conseguirá incluir digitalmente os que estão desconectados da Internet? (Texto completo)

 

Governança da Internet.BR,
por Alexandre Rangel (SOCID)
Governança na internet significa criar processos para garantir a regulamentação do acesso à informação digital na Net, criando assim uma gestão segura, confiável e eficaz dos processos automatizados que garantem o funcionamento e a comunicação das redes e dos dispositivos plugados na Internet. Esta é a definição técnica de um processo que precisa colocar na balança os aspectos culturais de cada local. Logo, é uma tarefa que, além de demorada, necessita da interferência da sociedade civil através de seus principais atores sociais.

Os três pilares da inclusão digital,
por Antonio da Silva (UEM)
Nos últimos anos, tem sido apregoado aos quatro cantos do Brasil a necessidade de se fazer a inclusão digital para aqueles indivíduos que não têm acesso às tecnologias de informação e comunicação ou simplesmente TIC’s, como são mais comumente conhecidas. Três pilares formam um tripé fundamental para que a inclusão digital aconteça: TIC’s, renda e educação. Não é difícil vaticinar que sem qualquer um desses pilares, não importa qual combinação seja feita, qualquer ação está fadada ao insucesso.

Diversidade cultural e linguistica
A face virtual do racismo
Afrodescendentes buscam seu espaço na Rede
Os negros brasileiros visitam os mais diversos tipos de sites, assim como os brancos. Mas, poucos possuem acesso à Internet, já que a maioria é de baixa renda. Segundo o Mapa da Exclusão Digital, divulgado recentemente pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Comitê pela Democratização da Informática, considerando a população brasileira que se auto-intitula negros e pardos, os incluídos digitais se restringem a apenas 17,74% dos internautas. (Texto completo)

Segurança da informação
"Você precisa de uma Internet
que te dê segurança"

Vírus, ciberterrorismo e ataques de hackers: as principais dores de cabeça dos usuários
Para evitar os ataques aos computadores e à Internet, o NIC BR (Network Information Center), coordenada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, está trabalhando com outras entidades, como as polícias, provedores de acesso e serviços Internet e backbones, e oferecendo ajuda no processo de recuperação e análise de sistemas comprometidos por ataques de hackers e até de ciberterrorismo.
(Texto completo)

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