Governança da Internet.BR

Governança na internet significa criar processos para garantir a regulamentação do acesso à informação digital na Net, criando assim uma gestão segura, confiável e eficaz dos processos automatizados que garantem o funcionamento e a comunicação das redes e dos dispositivos plugados na Internet.
Esta é a definição técnica de um processo que precisa colocar na balança os aspectos culturais de cada local. Logo, é uma tarefa que, além de demorada, necessita da interferência da sociedade civil através de seus principais atores sociais.
Vamos rapidamente falar um pouco da história da Internet para entendermos um pouco do que está acontecendo com o processo de regulamentação deste meio, que está se iniciando no mundo inteiro.
A Internet teve sua origem nos Estados Unidos, com a criação, pelo Departamento de Defesa, da rede ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network), que em 1969 interligou quatro instituições de Ensino e Pesquisa.
Em setembro de 1971, havia 18 pontos de acesso e a partir de 1980 já existiam centenas de computadores interligados pela ARPANET, inclusive fora dos EUA. Ainda neste ano, a rede militar se separou criando a MILNET e surgiram, também, dezenas de outras redes (CSNet, NSFNet, SATNet, BITNet, etc). E a interconexão dessas redes, deu-se o nome de INTERNET, significando “Rede das redes”.
Em setembro de 1988, o LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica) no Rio de Janeiro, ligou-se à Universidade de Maryland (EUA) através de um link de 9600 kbps e passou a fazer parte da rede BITNET (Because It’s Time to Network), rede educacional para troca de mensagens.
Em novembro de 1988, a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) ligou-se ao Fermilab (Fermi National Laboratory) em Chicago (EUA) através de um link de 4800 kbps e passou a ter acesso às redes HEPNET (High Energy Physics Network) e BITNET.
Em maio de 1989 o NCE-UFRJ (Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro) ligou-se à UCLA (University of California at Los Angeles, EUA) através de um link de 4800 kbps e passou a ter acesso a rede BITNET.
Em julho de 1989, o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sócio-Econômicas) ligou a sua rede Alternex ao IGC (Institute for Global Communication) na Califórnia (EUA), que passou a ser o ponto de acesso à Internet da APC (Association for Progressive Communications), que interligava diversas ONGs no mundo.
Em fevereiro de 1991, a FAPESP ligou-se à Internet e estendeu o acesso a outras instituições de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Posteriormente, criou a Rede ANSP (Academic Network at São Paulo), ligando diversas instituições de ensino e pesquisa de São Paulo entre si e com a Internet.
O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) criou a RNP (Rede Nacional de Pesquisa) iniciando o seu backbone em 1991, interligando várias instituições de ensino e pesquisa no Brasil entre si e com com a Internet.
A FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) criou a Rede Rio em 1992, ligando diversas instituições de ensino e pesquisa do Rio de Janeiro entre si e com a Internet.
Em 1992, o IBASE recebeu a incumbência de prover suporte às comunicações, usando computadores para a Conferência das Nações Unidas para o Meio-Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), que aconteceu no Rio de Janeiro. O projeto resultante, organizado em estreita colaboração com a Rede-Rio e a RNP, acabou provendo ao IBASE um acesso permanente à Internet, transformando-o, após o evento, no primeiro provedor de acesso à internet no Brasil.
Em 1993, o IBASE passou a fornecer acesso à rede de mensagens USENET para os BBS (Bulletin Board Systems).
Em 1994, a EMBRATEL iniciou o serviço de provedor de acesso a Internet para os usuários domésticos.
Em 1995, foi criado o Comitê Gestor da Internet no Brasil, formado por representantes do Governo Federal (MC e MCT), operadoras de backbone, provedores de acesso, usuários e da comunidade acadêmica.
A partir de 1996 surgiram diversos provedores de acesso à internet no Brasil, assim como grandes portais de conteúdo e comércio eletrônico.

Como podemos ver, a Internet sempre foi brincadeira de governos e tecnicistas e sem nenhuma ou quase nenhuma interferência da sociedade civil. E isto nós não podemos mais permitir que aconteça. Devemos requerer o nosso direito de intervir na regulamentação do atual meio de comunicação mundial mais democrático.
Não podemos permitir que mais uma vez a gestão da Internet seja efetuada sem controle social, sem transparência, com interferência de empresas americanas no processo de controle de conteúdos, com ausência de sistemas eficientes de monitoramento e sem informações relevantes para a sua regulamentação.

A entidade responsável pela governança da internet no Brasil é o Comitê Gestor da Internet (CGI-BR) que atualmente é composto por membros indicados pelo Governo Federal, mas que está em processo de reestruturação. Aos atuais conselheiros foi dada a tarefa de pensar numa nova estrutura mais democrática, transparente e com participação de todos os segmentos da sociedade.

ATUAIS MEMBROS DO CGI-BR
Arthur Pereira Nunes - Coordenador (Representante do Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT);
Sérgio Amadeu da Silveira (Representante da Casa Civil da Presidência da República);
Rogério Santanna dos Santos (Representante do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão);
Marcos Dantas Loureiro (Representante do Ministério das Comunicações – MC);
José Alexandre Bicalho (Representante da Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel);
Manuel Fernando Lousada Soares (Representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC);
José Roberto Leite (Representante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico);
Jonas de Oliveira Júnior
(Representante dos provedores de infra-estrutura de telecomunicações);
António Tavares (Representante dos provedores de acesso e serviço de Internet);
José de Miranda Dias (Representante da indústria de informática e software);
Demi Getschko (Representante da comunidade educacional e cultural);
Nelson Simões da Silva (Representante da comunidade acadêmica);
Cassio Jordão Motta Vecchiatti (Representante da comunidade empresarial);
Raphael Mandarino Júnior (Representante da comunidade de usuários do serviço Internet);
Carlos Alberto Afonso (Representante do terceiro setor);
Mário Luís Teza (Representante dos trabalhadores da área de tecnologia da informação);
Fernando Otávio de Freitas Peregrino (Representante do Fórum Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência e Tecnologia).

 

 

A minuta da nova formação sofreu interferência da sociedade civil, através de um grupo de ONGs que foram convidadas para ajudar a pensar uma nova estrutura para o CGI-BR e para pensar a nova personalidade jurídica do seu “braço operacional”, que será responsável pela administração de nomes de domínios da Internet no Brasil. Atualmente, essa administração está sendo feita pela Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo) que já arrecadou, aproximadamente, 66 milhões de reais com a cobrança dos serviços de registro de nome de domínio.

Porém, o mais preocupante, é que ninguém sabe dizer ao certo o que foi feito com esse dinheiro, pois não existe nenhuma transparência por parte da Fapesp, mesmo sabendo que esse recurso é Federal e não Estadual. Este está sendo apropriado indevidamente por uma entidade que tem por missão o fomento à pesquisa científica e tecnológica do país e não a realização de serviços de governança da Internet.

Os motivos acima mostram a importância da participação da sociedade civil no processo de regulamentação da Internet, mas seguem abaixo alguns números que irão mostrar a urgência dessa intervenção.

A Internet mundial tem hoje, mais de 840 milhões de usuários segundo o Telcordia NetSizer. E o Brasil, apesar de ser o 1° na América Latina em número de usuários, está na 7ª posição em relação percentual usuário/população, segundo a ITU (International Telecommunications Union). Estamos atrás do Chile, Uruguai, Peru, Costa Rica, Argentina e Venezuela.
Segundo o IBOPE eRatings, em julho de 2002, o Brasil atingiu 7,8 milhões de pontos de acesso residenciais à Internet, totalizando 14 milhões de cidadãos. Outras estatísticas também mostram que o número total de usuários pode chegar a 20 milhões, concentrados nas classes A e B, se considerarmos os acessos feitos nas empresas e nas redes de ensino. Ou seja, apenas 11,76% da população nacional tem acesso informação digital e pode se beneficiar dela.

E por fim, o que nossos governantes chamam de “Governo Eletrônico” é “Administração Eletrônica”, que só beneficia aqueles que têm acesso à Internet, aumentando ainda mais o hiato social existente e que é extremamente lucrativo para o próprio Governo. Porque Governo Eletrônico não é só criar processos de administração eletrônica, mas também a criação de políticas públicas para que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) estejam ao alcance de todos e possam ser utilizadas como ferramentas para prover inclusão social e reduzir as desigualdades.

Se queremos mudar as estruturas de poder que aí estão, torná-las democráticas, temos que ocupar o nosso lugar e cobrar do Governo a criação de políticas públicas que garantam o livre acesso, sem discriminação de raça ou gênero, as novas TICs.

Alexandre M. Rangel <arangel@socid.org.br>
Coordenador executivo da ONG Sociedade Digital (SOCID)
http://www.socid.org.br/
Pós-graduado em Redes Locais.

Colaboração Marcelo Sávio
Consultor de Tecnologia da OptiGlobe Telecomunicações
Conselheiro da Socid

 
NESTA EDIÇÃO

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sobre a inclusão digital
,
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Para estimular o interesse da sociedade sobre o tema, é preciso fazer mais do que importantes debates e eficientes documentos, mas contemplar uma política de inclusão da própria sociedade civil dos mais diferentes setores, a começar pela "tradução" dos mais diferentes documentos e processos que a sociedade civil envolvida no debate do processo governamental e junto à ONU, de preparação para a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação vem travando nos mais diferentes fóruns.

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A Internet é considerada uma ferramenta importante na pesquisa educacional, porém poucas instituições têm condições de investir. Isso acaba prejudicando os estudantes. Assim,
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Governança democrática
Governo debate inclusão digital
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o que se pode esperar da Segunda Oficina para Inclusão Digital em Brasília
No evento foram discutidas as estratégias de inclusão e equiparação de oportunidades para a população brasileira, em relação aos recursos das tecnologias de informação e comunicação existentes. Seus representantes esperam que os desdobramentos sejam positivos, m
as será que cidadãos comuns acreditam que o governo conseguirá incluir digitalmente os que estão desconectados da Internet? (Texto completo)

 

Governança da Internet.BR,
por Alexandre Rangel (SOCID)
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Nos últimos anos, tem sido apregoado aos quatro cantos do Brasil a necessidade de se fazer a inclusão digital para aqueles indivíduos que não têm acesso às tecnologias de informação e comunicação ou simplesmente TIC’s, como são mais comumente conhecidas. Três pilares formam um tripé fundamental para que a inclusão digital aconteça: TIC’s, renda e educação. Não é difícil vaticinar que sem qualquer um desses pilares, não importa qual combinação seja feita, qualquer ação está fadada ao insucesso.

Diversidade cultural e linguistica
A face virtual do racismo
Afrodescendentes buscam seu espaço na Rede
Os negros brasileiros visitam os mais diversos tipos de sites, assim como os brancos. Mas, poucos possuem acesso à Internet, já que a maioria é de baixa renda. Segundo o Mapa da Exclusão Digital, divulgado recentemente pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Comitê pela Democratização da Informática, considerando a população brasileira que se auto-intitula negros e pardos, os incluídos digitais se restringem a apenas 17,74% dos internautas. (Texto completo)

Segurança da informação
"Você precisa de uma Internet
que te dê segurança"

Vírus, ciberterrorismo e ataques de hackers: as principais dores de cabeça dos usuários
Para evitar os ataques aos computadores e à Internet, o NIC BR (Network Information Center), coordenada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, está trabalhando com outras entidades, como as polícias, provedores de acesso e serviços Internet e backbones, e oferecendo ajuda no processo de recuperação e análise de sistemas comprometidos por ataques de hackers e até de ciberterrorismo.
(Texto completo)

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