Incluir a sociedade no debate sobre a inclusão digital

No momento em que o governo brasileiro sinaliza com importantes iniciativas para implementar seu programa da sociedade da informação, debatendo o governo eletrônico (e-Gov) e a governança da Internet Brasil, também as organizações da sociedade civil de toda a América Latina, articuladas a partir de uma lista de discussão, lançaram uma proposta de Declaração de Princípios e de um Plano de Ação para a aprovação na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, cuja primeira fase será realizada em dezembro deste ano, em Genebra.
Embora os recentes acontecimentos possam dar a impressão de que governo e sociedade civil estejam empenhados em promover a inclusão digital, ainda temos muito a percorrer no caminho da inclusão da sociedade neste debate. Poucas são as organizações convidadas a participar, num processo que conta mais com representações escolhidas pelo governo do que com a sensibilização do conjunto das organizações dos mais diferentes setores, reproduzindo a prática que estagnou o debate e a atuação do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
Comunicação e Informática/Internet têm demandas semelhantes: ambas são atividades-meio e atividades-fim, ou seja, suporte para as mais diferentes atividades nos mais diferentes setores e também contam com questões particulares, relacionadas ao cenário de democratização ou de elitização dessas atividades.
Ambas dizem respeito a toda sociedade: não se trata somente do burguês em relação ao proletário, do incluído em relação ao excluído, do que tem possibilidade em relação ao que não tem. Vítimas da exclusão comunicacional e da exclusão digital somos todos nós, incapazes de assimilar um sistema inclusivo, que estimule a participação, a produção e o compartilhamento de produtos comunicacionais seja nos meios de comunicação tradicionais ou no contexto das novas tecnologias.
Para resgatar o processo inclusivo no debate sobre a CMSI é preciso não somente levar ao conhecimento de todos os debates que estão sendo travados entre uma parcela pouco significativa de eleitos, mas sim estimular o debate nos mais diferentes contextos, com as mais diferentes organizações.
O FNDC sofreu deste mal quando, partindo da definição de seu eficiente e abrangente Planejamento Estratégico, não contava com representantes de organizações associadas o suficiente para que se pudesse colocar em prática suas propostas. Hoje agoniza com a suspeita de uma reunião de seu Conselho Deliberativo ter sido realizada com falta de quórum, pois sendo composta por 13 associadas, contou com a presença de apenas seis delas. O Comitê de São Paulo teve que ser incorporado ao Conselho para que o quórum tivesse sido possível, o que traz ainda mais suspeitas.
Essa situação foi possível por um cenário no qual se combinou centralização de poder, burocratização, formação de hiperespecialistas no tema e em seus desdobramentos, incapacidade de adesão da sociedade civil. Se queremos reviver a história em relação às articulações sobre o tema da inclusão digital, nos seus mais diferentes significados e implicações, precisamos ter outra prática que não nos leve a repetir uma história de inviabilidade de um debate que deveria ser de vital importância para a sociedade civil: saber o que fazer da tecnologia que se impõe em todos os campos da sociedade, desde o trabalho ao lazer, desde a educação ao comércio.
Para estimular o interesse da sociedade sobre o tema, é preciso fazer mais do que importantes debates e eficientes documentos, mas contemplar uma política de inclusão da própria sociedade civil dos mais diferentes setores, a começar pela "tradução" dos mais diferentes documentos e processos que a sociedade civil envolvida no debate do processo governamental e junto à ONU, de preparação para a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação vem travando nos mais diferentes fóruns.
Se já podemos reconhecer, com grande satisfação, que começa a acontecer no Brasil o envolvimento das organizações sociais nas ações governamentais e multilaterais, é preciso que esse debate não se restrinja a poucos "eleitos", principalmente quando estes são representantes da sociedade civil,
pois as boas intenções só se concretizarão na medida em que tiverem um ingrediente que parece faltar nessa receita: pertencimento.

Prof. Adilson Cabral
Curso de Comunicação Social
da Universidade Estácio de Sá

 
NESTA EDIÇÃO

Incluir a sociedade no debate
sobre a inclusão digital
,
por Adilson Cabral
Para estimular o interesse da sociedade sobre o tema, é preciso fazer mais do que importantes debates e eficientes documentos, mas contemplar uma política de inclusão da própria sociedade civil dos mais diferentes setores, a começar pela "tradução" dos mais diferentes documentos e processos que a sociedade civil envolvida no debate do processo governamental e junto à ONU, de preparação para a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação vem travando nos mais diferentes fóruns.

Conhecimento Global de Domínio Público
Força social, econômica
e técnica do software livre

Porto Alegre sai na frente
na utilização desta tecnologia
O governo do Rio Grande do Sul teve a iniciativa de introduzir o uso preferencial de softwares livres na área pública. Com esta finalidade, foi formada uma coordenação estadual de governos municipais, empresas públicas e privadas, universidades, ONGs, dentre outros, que originou o Projeto Software Livre RS. No âmbito nacional, os gaúchos estão na frente, pois, durante os três anos de existência do projeto, 319 empresas privadas foram cadastradas, sendo 95 gaúchas que utilizam esta tecnologia no país." (Texto completo)

Educação para a informática e a Internet
Internet nas escolas ainda faz diferença
caminhos para promover
a inclusão digital dos alunos
A Internet é considerada uma ferramenta importante na pesquisa educacional, porém poucas instituições têm condições de investir. Isso acaba prejudicando os estudantes. Assim,
é preciso que o governo, ou mesmo a iniciativa privada, incentive a compra de computadores nas escolas, para proporcionar aos alunos uma maior vivência de suas potencialidades. (Texto completo)

Governança democrática
Governo debate inclusão digital
com sociedade civil e população

o que se pode esperar da Segunda Oficina para Inclusão Digital em Brasília
No evento foram discutidas as estratégias de inclusão e equiparação de oportunidades para a população brasileira, em relação aos recursos das tecnologias de informação e comunicação existentes. Seus representantes esperam que os desdobramentos sejam positivos, m
as será que cidadãos comuns acreditam que o governo conseguirá incluir digitalmente os que estão desconectados da Internet? (Texto completo)

 

Governança da Internet.BR,
por Alexandre Rangel (SOCID)
Governança na internet significa criar processos para garantir a regulamentação do acesso à informação digital na Net, criando assim uma gestão segura, confiável e eficaz dos processos automatizados que garantem o funcionamento e a comunicação das redes e dos dispositivos plugados na Internet. Esta é a definição técnica de um processo que precisa colocar na balança os aspectos culturais de cada local. Logo, é uma tarefa que, além de demorada, necessita da interferência da sociedade civil através de seus principais atores sociais.

Os três pilares da inclusão digital,
por Antonio da Silva (UEM)
Nos últimos anos, tem sido apregoado aos quatro cantos do Brasil a necessidade de se fazer a inclusão digital para aqueles indivíduos que não têm acesso às tecnologias de informação e comunicação ou simplesmente TIC’s, como são mais comumente conhecidas. Três pilares formam um tripé fundamental para que a inclusão digital aconteça: TIC’s, renda e educação. Não é difícil vaticinar que sem qualquer um desses pilares, não importa qual combinação seja feita, qualquer ação está fadada ao insucesso.

Diversidade cultural e linguistica
A face virtual do racismo
Afrodescendentes buscam seu espaço na Rede
Os negros brasileiros visitam os mais diversos tipos de sites, assim como os brancos. Mas, poucos possuem acesso à Internet, já que a maioria é de baixa renda. Segundo o Mapa da Exclusão Digital, divulgado recentemente pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Comitê pela Democratização da Informática, considerando a população brasileira que se auto-intitula negros e pardos, os incluídos digitais se restringem a apenas 17,74% dos internautas. (Texto completo)

Segurança da informação
"Você precisa de uma Internet
que te dê segurança"

Vírus, ciberterrorismo e ataques de hackers: as principais dores de cabeça dos usuários
Para evitar os ataques aos computadores e à Internet, o NIC BR (Network Information Center), coordenada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, está trabalhando com outras entidades, como as polícias, provedores de acesso e serviços Internet e backbones, e oferecendo ajuda no processo de recuperação e análise de sistemas comprometidos por ataques de hackers e até de ciberterrorismo.
(Texto completo)

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