| "Você
precisa de uma Internet que te dê segurança"
Vírus, ciberterrorismo e ataques de hackers: as principais
dores de cabeça dos usuários
por
Gabriella Ponte
5º período - Jornalismo
Por mais que a Internet seja usada de forma positiva, como um meio
comercial ou um instrumento de pesquisa, ela também pode
ser utilizada para prejudicar as pessoas. Exemplos disso são
os “hackers” que dominam profundamente os sistemas operacionais
e linguagens de programação, como "Unix"
e "C", para usar em seu próprio benefício
ou visando o prejuízo alheio. Eles conhecem as falhas de
segurança dos sistemas e conseguem invadir sites ou até
o computador de outra pessoa.
O NIC BR (Network
Information Center) é uma organização de resposta
a incidentes, coordenada pelo Comitê Gestor da Internet no
Brasil, formada por participantes do governo, da sociedade civil
e do meio acadêmico. Esse órgão estabelece um
trabalho colaborativo com outras entidades, como as polícias,
provedores de acesso e serviços Internet e backbones - por
onde passam toda a informação relacionada a provedores
de acesso e computadores dos usuários, oferecendo ajuda no
processo de recuperação e análise de sistemas
comprometidos por ataques de hackers e até de ciberterrorismo.
A NIC BR Security Office (NBSO) tem como subgrupo de trabalho o
GT-Segurança. Este tem o objetivo de discutir a questão
da segurança nas redes ligadas à Internet através
da visão das redes provedoras de backbone (estrutura de acesso)
e também relacionados às empresas provedoras de acesso
à Internet.
A monitoração eficiente de incidentes na Internet
existe no Brasil, que foi considerado pelo grupo de segurança
da marinha norte-americana - a Space and Naval Warfare Systems Command
- como sendo o país de resposta mais rápida a incidentes
nesta área. Segundo estatísticas publicadas no site
do NBSO, no primeiro trimestre de 2001 foram reportados 3.318 incidentes
de segurança, sendo os "scans" contra máquinas
e redes os tipos de ataques mais registrados (2.437).
Eles combatem a ação destes infratores da seguinte
forma: se alguém notar qualquer atividade considerada suspeita
que esteja infringindo a segurança da rede, notificam os
responsáveis pela rede de onde parte essa atividade. É
importante que nas notificações tenham informações
detalhadas da atividade ocorrida, como portas envolvidas, horário
e outras informações técnicas.
No site do NIC BR há a chamada Cartilha de Segurança
para Internet, considerada um documento de leitura obrigatória
para todo usuário. Ela mostra como se prevenir desses males,
como ter cuidado especial com senhas, manter atualizado o sistema
operacional e demais softwares e um bom programa antivírus,
instalar um firewall pessoal, evitar colocar seus dados pessoais
em páginas web ou blogs e, o mais perigoso, ter cuidado ao
realizar transações bancárias ou comerciais.
Em uma entrevista feita com Cristine Hoepers, analista de segurança
sênior do grupo, divulgada no próprio site da organização,
ela fala que "o mercado brasileiro está cada vez mais
atento à área da segurança da informação,
porém notamos que a preocupação ainda está
muito voltada para produtos e certificações e sem
foco em itens importantes como contratação de pessoal
próprio para formar equipes dedicadas à segurança
e resposta a incidentes”.
Esses perigos da Internet estão sendo muito debatidos ultimamente,
principalmente nos Estados Unidos, que, depois do ataque de 11 de
setembro, entrou num combate a crimes relacionados à computação.
O FBI apontou a prevenção ao cibercrime como terceira
maior prioridade do órgão, atrás apenas de
terrorismo e espionagem.
O Brasil abriga cinco dos dez grupos mais ativos de vândalos
cibernéticos no mundo. Em primeiro lugar está o grupo
chamado “Silver Lords”, que até tem membros paquistaneses.
Até 22 de agosto do ano passado, eles já tinham feito
1172 invasões em sites. O “Prime Suspectz”, que
ocupa o quinto lugar do ranking, com 533 invasões, desfigura
os sites da Microsoft, para provar que esta também é
vulnerável aos seus ataques. Em sexto está o “tty0”.
Um de seus membros, o paulistano Master System, 16 anos, lida com
computadores desde os nove anos. "Gosto de invadir porque não
tem nada para fazer em casa", diz o hacker.
Sobre essa declaração, Fernanda Breno, 25 anos, estudante
do ensino médio, comenta indignada que “realmente só
pode ser falta do que fazer pra ficar invadindo o que é de
privacidade do outro. E o pior é que a polícia não
faz nada”.
A impunidade faz com que o Brasil seja repleto de hackers invasores.
Se um hacker brasileiro entra em um computador só para observar,
não modificando nenhum dado, não está cometendo
um crime, até porque não há lei que defina
isso. Já nos Estados Unidos, este mesmo poderia pegar dez
anos de prisão. O que facilita ainda mais a impunidade são
casos de companhias que já tiveram prejuízo de um
milhão de reais com invasões, mas não denunciam
os ataques à polícia com receio de prejudicar sua
imagem. Até há projetos de lei sobre esse assunto
no Congresso Nacional, mas, infelizmente, nenhum foi efetivamente
colocado em prática.
Mas nem tudo está perdido. O governo do Estado de São
Paulo já tomou a iniciativa e saiu na frente, criando uma
delegacia especializada no combate a crimes pela Internet. Essa
divisão, chamada Delitos Praticados por Meios Eletrônicos,
tem ligação com o Departamento de Investigações
sobre Crime Organizado e investiga casos como desvios de dinheiro
e de informações via rede e ficará encarregada
de investigar a disseminação de vírus e ameaças
por mensagens eletrônicas. Outra delegacia criada pela Secretaria
de Segurança do Estado de São Paulo vai combater práticas
de pirataria virtual, como cópia irregular de discos e softwares,
também muito comuns.
E, antes que todos fiquem com medo dos “hackers”, ainda
há aqueles “bonzinhos”, como Juliano Carneiro,
20 anos, que há cinco anos começou a entrar em sites
para tentar descobrir falhas nos servidores e sempre os avisava
destes erros. Fez amizade com estas empresas e hoje em dia tem a
própria empresa, a InternetSegura.com.br, que é especializada
em segurança de redes.
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