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Brasil será o único a sediar a Conferência Regional da América Latina e Caribe

Gabriella Ponte
7º período – Jornalismo

Em Genebra, na primeira fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI), foi decidido que o Rio de Janeiro sediará, no primeiro trimestre de 2005, a Conferência Regional da América Latina e Caribe, encontro que pertence à preparação para a segunda rodada do evento, que será em Túnis, capital da Tunísia, em novembro de 2005. Haveria, porém, uma conferência anterior a esta em 2004, em Havana, Cuba. No entanto, o encontro foi cancelado. Agora, os países latinos terão somente a reunião no Brasil para discutir todos os temas. Recentemente, foi confirmada a data do evento para junho.

Preparação em andamento
As reuniões anteriores à Cúpula procuram adiantar a discussão dos temas que serão abordados. Os países tentam buscar um entendimento global com relação à necessidade de mostrar ao mundo todos os benefícios das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e a desenvolver a sociedade da informação. Embora a ONU esteja tentando equilibrar os diferentes interesses de cada país, os aspectos do mercado e da economia têm falado mais alto que os aspectos sociais.
Para preparar a delegação brasileira, foi criado o Grupo de Trabalho Interministerial para a CMSI. Ele possui cinco subgrupos e todos têm se reunido para chegar a um consenso sobre os posicionamentos brasileiros, que serão defendidos na Conferência Regional. Os subgrupos cuidam: da Governança da Internet, do Software Livre (SL) e Propriedade Intelectual, da Declaração da Cúpula de Túnis, do Fundo de Solidariedade Digital e da Conferência Regional da América Latina e Caribe.
O primeiro está preocupado  com o órgão internacional que terá a autoridade sobre a web. O Brasil apóia que este seja representado de forma democrática quanto a todos os continentes e setores participantes. No segundo subgrupo o governo mantém o apoio ao uso do SL e é contra a dominação digital. A declaração na Tunísia já está sendo pensada, já que este subgrupo está reunindo as principais posições a serem colocadas no documento. O quarto subgrupo é o que está mais parado, pois poucos países estão apoiando a criação do fundo que financiaria a inclusão digital nos países mais carentes. Os grandes financiadores, como, por exemplo, os Estados Unidos são contra o projeto. E o subgrupo da Conferência já começou a definir o que será discutido e defendido pelo Brasil.

Proderj
O Centro de Processamento de Dados do Estado do Rio de Janeiro (Proderj) tem realizado reuniões para discutir os assuntos referentes à CMSI. Eles definiram um grupo de trabalho que ficaria responsável pelo acompanhamento das articulações da Cúpula. Fazem parte deste grupo o vice-presidente do Proderj, Paulo Coelho, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Álvaro Albuquerque, e o subsecretário de estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Eduardo Cavalcanti.
Numa das reuniões foram discutidas as dificuldades que o governo federal estava enfrentando quanto ao processo de preparação da Conferência e a principal era o custo. Para a realização do evento é necessária a realização do seu orçamento para fins de patrocínio. O diretor da ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro), Paulo Protasio, que também participa destas reuniões, acha que as entidades do Rio de Janeiro que estão envolvidas devem estar preparadas para qualquer eventualidade.

Preocupação dos brasileiros
A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, já demonstrou o quanto considera prioritária a Sociedade da Informação (SI). No mês da Sociedade da Informação, que aconteceu em junho do ano passado, ela mostrou os projetos que colocou em prática para a inclusão digital, como o Infovia, para o presidente da CMSI, Ministro Adama Samassekou, e sua delegação. Ela pretende fazer com que o Rio de Janeiro continue sediando futuros encontros dessa importância. A intenção do Governo do Estado é formular políticas internas de promoção da inclusão digital antes de se posicionar perante os outros países. As reuniões que estão tendo só reforça ainda mais o trabalho do governo com a população, que é, na maioria, carente e não tem condições de comprar um computador e ter acesso à web.
A inclusão digital só acontecerá se a brecha tecnológica que existe entre o Brasil e os países desenvolvidos for superada. É importante que a sociedade civil, o governo e as empresas reforcem os principais pontos a serem discutidos, priorizando o que interessa ao Brasil. E cabe, principalmente ao governo, cuidar desse processo e investir mais em TICs. As empresas ajudam doando capital e recursos para projetos sociais. No entanto, nenhuma empresa com objetivo de lucro que se preze não possui outro objetivo senão o próprio lucro. É aí que a sociedade civil entra. Na Cúpula, apesar das ONGs não terem o mesmo espaço que os outros setores, elas realizam um papel relevante, pois priorizam o interesse da população e o seu desenvolvimento.
É preciso que todos os setores participantes tenham este pensamento. Faz-se necessário um maior investimento, envolvimento, esforço e conhecimento de todos. Assim, o Brasil terá forte participação na Conferência e sairá da CMSI na Tunísia sendo visto positivamente pelos outros países e com projetos que beneficiem os brasileiros.

 
NESTA EDIÇÃO

CLARA e ALICE: conectando o Brasil ao mundo em redes de alta velocidade, por Prof. Adilson Cabral
A Rede Clara e o Projeto Alice  podem favorecer a muitos no Brasil e na América Latina, ainda mais se considerarmos o limitado conhecimento sobre suas possibilidades por parte da sociedade em geral. Pela disposição no trabalho que vem sendo implementado pelas pessoas e organizações envolvidas na América Latina, o que mais se deseja é que Clara e Alice sejam conhecidas e gerem projetos de vida longa para o benefício de toda a sociedade.

Diversidade Cultural e Lingüística
Diversidade Cultural exige análise urgente
Em 2005 a Conferência Geral da Unesco deverá aprovar, definitivamente, a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural. Apesar de o documento apresentar princípios interessantes, grupos e governos começam a se mobilizar: uns a favor e outros contra. O motivo da contradição é simples: se a Declaração for aprovada, será possível preservar a cultura dos povos. (texto completo)

Direitos Humanos
As TICs precisam ser explicadas na mídia
O termo TICs - Tecnologia da Informação e Comunicação - vem sendo trabalhado aleatoriamente nas matérias publicadas na mídia. Porém, para que não seja mal utilizado ou compreendido incorretamente pelas pessoas, faz-se necessário entender seu sentido e aplicá-lo corretamente na imprensa. (texto completo)

Governança da Internet
Casas Brasil e Pontos de Cultura promovem inclusão digital
O governo federal brasileiro lançou dois projetos que resgatam a cultura local e promovem a inclusão digital da população. O Projeto Casa Brasil, com telecentros e rádios comunitárias, investe nos interesses das comunidades carentes. O Pontos de Cultura, coordenado pelo Ministério da Cultura (MinC) em parceria com o Ministério do Trabalho, estimula atividades culturais e sociais no país. (texto completo)

Governança da Internet
Brasil será o único a sediar a Conferência Regional da América Latina e Caribe

Para concretizar a sociedade da informação, desde 2002, vem sendo realizada a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação. Além das duas reuniões principais, de dezembro de 2003 e novembro de 2005, também são realizadas reuniões preparatórias e conferências regionais. No caso da Conferência Regional da América Latina e Caribe só ocorrerá uma reunião que será no Brasil em junho de 2005.
(texto completo)

 

 

DAB Eureka 147, por Takashi Tome
Na década de 80, diversos trabalhos de pesquisa foram conduzidos para possibilitar a radiodifusão totalmente digital. Um deles foi o projeto Eureka 147, visando o desenvolvimento de um sistema de rádio digital, baseado na modulação COFDM ( Coded Orthogonal Frequency Division Multiplex). Quando pronto, esse sistema veio a ser batizado de DAB (Digital Audio Broadcasting).

Inclusão Digital: a necessidade de ações coordenadas, por Maria Viviane Monteiro Delgado e Maria Nezilda Culti
Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, os projetos de Inclusão Digital só serão bem sucedidos no momento em que forem integrados a ações que contemplem a educação de qualidade; renda e acesso ao conhecimento em TICs. Para tanto, é fundamental o empenho do Estado na execução de políticas públicas com este objetivo. Só assim pode haver uma real melhoria da qualidade de vida e a construção de uma sociedade mais justa.

Conhecimento Global de Domínio Público
Sistema Brasileiro de TV Digital começa a ser colocado em prática no país
Com o resultado do primeiro lote de cartas-convite, entidades pesquisadoras começam a se organizar para trabalhar no desenvolvimento de tópicos para o Sistema Brasileiro de TV Digital. O trabalho para a criação de um sistema nacional de TV Digital foi dividido, uma vez que cada entidade de pesquisa ficará responsável por uma área do projeto, recebendo uma parcela dos R$ 65 milhões dos recursos cedidos pelo Funtell.
(texto completo)

Educação para a Informática e a Internet
ONGs se unem à Microsoft para instalar telecentros no Brasil
A Microsoft Brasil firmou parceria com as Ongs Sampa.org e Cemina com o objetivo de instalar 18 telecentros no país. O projeto consolidará o modelo de associação entre rádios comunitárias e telecentros, formando uma rede de comunicação e educação. Para a multinacional, essa é uma oportunidade  de expandir seu mercado, já que muitos governos, como o do Brasil, estão adotando o Software Livre. Mas, e para a sociedade civil, essa seria uma boa alternativa para inclusão digital? (texto completo)

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