OurMedia

  


Diversidade cultural exige análise urgente

por Eula Dantas Taveira Cabral
Editora do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

Depois da tragédia do 11 de setembro de 2001, ocorrida nos Estados Unidos, muitas decisões sobre o rumo das nações foram tomadas. Algumas para o bem da humanidade e outras para o mal. Porém, dentre as que buscam o melhor para as pessoas destaca-se a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural aprovada na 31ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 2001.
Apesar do documento apresentar princípios interessantes, grupos e governos começam a se mobilizar. Uns se levantam em busca da manutenção do domínio sobre as economias e culturas de povos dependentes de seus produtos, como os Estados Unidos. Outros analisam os princípios que estão propostos, verificando cada palavra e sentido usados ou sua falta, evitando assim que a redação, que será aprovada definitivamente em 2005, deixe brechas, abrindo possibilidades para que povos continuem sendo vítimas de países desenvolvidos. Esse é o caso da Campanha CRIS “Direitos de Comunicar na Sociedade da Informação” e do Instituto de Diversidade Cultural (IDC) lançado no Brasil em julho de 2004, em São Paulo (SP), Brasil.
No caso dos Estados Unidos, de acordo com o membro do conselho-diretor da Rede Internacional para a Diversidade Cultural, Leonardo Brant, os representantes do país estão se mobilizando para impedir que a reunião da Unesco não aconteça em 2005. A alegação dos norte-americanos é que “não existe massa crítica suficiente, uma discussão consolidada a ponto de promulgar essa Convenção”, explicou Brant.
Porém, independente de uma reflexão aprofundada – que deve ser feita pela sociedade civil, principalmente -, como alegam os americanos que não existe, não se pode ignorar o fato que os representantes do governo norte-americano sempre negociaram em prol de domínio de seus bens culturais em todos os lugares. Exemplo disso foi a chegada da televisão na América Latina: com equipamentos e programação estrangeira. Hoje, de acordo com Brant, a negociação gira em torno de compra de produtos, agrícolas – por exemplo, de países em desenvolvimento, e até mesmo desenvolvidos, que, em troca, devem abrir o audiovisual.
Impedir a invasão cultural e preservar a cultura de cada povo fizeram com que grupos se organizassem, tentando chamar a atenção dos governos para as desvantagens da negociação. No caso da Campanha CRIS, vem discutindo com a sociedade civil dos países onde está inserida o assunto, fazendo, inclusive, análise detalhada da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural – que está sendo verificada com cuidado por seus membros. No Brasil, por exemplo, o debate vem sendo feito na lista online da CRIS Brasil.

Atores diversos
Além da Campanha CRIS, outros grupos vêm sendo organizados. Exemplo disso é o Instituto de Diversidade Cultural (IDC), filial da Rede Internacional para a Diversidade Cultural - rede mundial de artistas, criadores, ONGs culturais, produtores culturais e atividades preocupados com a temática – movimento presente em 71 países. De acordo com o representante do IDC, Leonardo Brant, o desafio do escritório no Brasil é estabelecer um diálogo com a sociedade brasileira e formar uma estrutura básica de discussão com os ativistas culturais da América do Sul, analisando e pressionando os acordos bilateriais que vêm sendo feitos na região.
Dentre as estratégias do IDC, destacam-se: encontrar o ponto de equilíbrio entre a exploração comercial e o respeito à Diversidade Cultural; entender os efeitos da globalização nas culturais locais; e desenvolver a agenda política da diversidade cultural no país.
Dessa forma, percebe-se que voltar-se para a temática da diversidade cultural deve ser uma preocupação constante dos governos, empresários e da sociedade civil, pois, a reunião da Unesco está marcada para o próximo ano e pouco vem sendo feito em prol do aperfeiçoamento e aprovação definitiva da Declaração. No caso do Brasil, o governo federal, através do Ministério da Cultura, instituiu a Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural que vem promovendo eventos para discutir o assunto com a sociedade. Porém, é preciso ir mais longe e criar estratégias conjuntas com outras nações para que as culturas locais sejam preservadas, evitando a dependência cultural que vem sendo imposta aos países em desenvolvimento.
Pois, como enfatiza o artigo 6 – Rumo a uma diversidade cultural accessível a todos – da Declaração, “enquanto se garanta a livre circulação das idéias mediante a palavra e a imagem, deve-se cuidar para que todas as culturas possam se expressar e se fazer conhecidas. A liberdade de expressão, o pluralismo dos meios de comunicação, o multilingüismo, a igualdade de acesso às expressões artísticas, ao conhecimento científico e tecnológico – inclusive em formato digital - e a possibilidade, para todas as culturas, de estar presentes nos meios de expressão e de difusão, são garantias da diversidade cultural”.

Mais informações
Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural - http://www.unesco.org.br/centrodeinfo/pdf/decunivdiversidadecultural.doc
Instituto de Diversidade Cultural – http://www.diversidadecultural.org.br
Comments on the Preliminary Draft Convention on the Protection of the Diversity of Cultural Contents and Artistic Expressions - http://www.sjc.uq.edu.au/ipr/docs/CRIS%20UNESCO%20Comments.pdf

 
NESTA EDIÇÃO

CLARA e ALICE: conectando o Brasil ao mundo em redes de alta velocidade, por Prof. Adilson Cabral
A Rede Clara e o Projeto Alice  podem favorecer a muitos no Brasil e na América Latina, ainda mais se considerarmos o limitado conhecimento sobre suas possibilidades por parte da sociedade em geral. Pela disposição no trabalho que vem sendo implementado pelas pessoas e organizações envolvidas na América Latina, o que mais se deseja é que Clara e Alice sejam conhecidas e gerem projetos de vida longa para o benefício de toda a sociedade.

Diversidade Cultural e Lingüística
Diversidade Cultural exige análise urgente
Em 2005 a Conferência Geral da Unesco deverá aprovar, definitivamente, a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural. Apesar de o documento apresentar princípios interessantes, grupos e governos começam a se mobilizar: uns a favor e outros contra. O motivo da contradição é simples: se a Declaração for aprovada, será possível preservar a cultura dos povos. (texto completo)

Direitos Humanos
As TICs precisam ser explicadas na mídia
O termo TICs - Tecnologia da Informação e Comunicação - vem sendo trabalhado aleatoriamente nas matérias publicadas na mídia. Porém, para que não seja mal utilizado ou compreendido incorretamente pelas pessoas, faz-se necessário entender seu sentido e aplicá-lo corretamente na imprensa. (texto completo)

Governança da Internet
Casas Brasil e Pontos de Cultura promovem inclusão digital
O governo federal brasileiro lançou dois projetos que resgatam a cultura local e promovem a inclusão digital da população. O Projeto Casa Brasil, com telecentros e rádios comunitárias, investe nos interesses das comunidades carentes. O Pontos de Cultura, coordenado pelo Ministério da Cultura (MinC) em parceria com o Ministério do Trabalho, estimula atividades culturais e sociais no país. (texto completo)

Governança da Internet
Brasil será o único a sediar a Conferência Regional da América Latina e Caribe

Para concretizar a sociedade da informação, desde 2002, vem sendo realizada a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação. Além das duas reuniões principais, de dezembro de 2003 e novembro de 2005, também são realizadas reuniões preparatórias e conferências regionais. No caso da Conferência Regional da América Latina e Caribe só ocorrerá uma reunião que será no Brasil em junho de 2005.
(texto completo)

 

 

DAB Eureka 147, por Takashi Tome
Na década de 80, diversos trabalhos de pesquisa foram conduzidos para possibilitar a radiodifusão totalmente digital. Um deles foi o projeto Eureka 147, visando o desenvolvimento de um sistema de rádio digital, baseado na modulação COFDM ( Coded Orthogonal Frequency Division Multiplex). Quando pronto, esse sistema veio a ser batizado de DAB (Digital Audio Broadcasting).

Inclusão Digital: a necessidade de ações coordenadas, por Maria Viviane Monteiro Delgado e Maria Nezilda Culti
Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, os projetos de Inclusão Digital só serão bem sucedidos no momento em que forem integrados a ações que contemplem a educação de qualidade; renda e acesso ao conhecimento em TICs. Para tanto, é fundamental o empenho do Estado na execução de políticas públicas com este objetivo. Só assim pode haver uma real melhoria da qualidade de vida e a construção de uma sociedade mais justa.

Conhecimento Global de Domínio Público
Sistema Brasileiro de TV Digital começa a ser colocado em prática no país
Com o resultado do primeiro lote de cartas-convite, entidades pesquisadoras começam a se organizar para trabalhar no desenvolvimento de tópicos para o Sistema Brasileiro de TV Digital. O trabalho para a criação de um sistema nacional de TV Digital foi dividido, uma vez que cada entidade de pesquisa ficará responsável por uma área do projeto, recebendo uma parcela dos R$ 65 milhões dos recursos cedidos pelo Funtell.
(texto completo)

Educação para a Informática e a Internet
ONGs se unem à Microsoft para instalar telecentros no Brasil
A Microsoft Brasil firmou parceria com as Ongs Sampa.org e Cemina com o objetivo de instalar 18 telecentros no país. O projeto consolidará o modelo de associação entre rádios comunitárias e telecentros, formando uma rede de comunicação e educação. Para a multinacional, essa é uma oportunidade  de expandir seu mercado, já que muitos governos, como o do Brasil, estão adotando o Software Livre. Mas, e para a sociedade civil, essa seria uma boa alternativa para inclusão digital? (texto completo)

CONTRIBUA
Mande você também uma matéria ou sugestão para nosso informativo. Envie email para acabral@comunicacao.pro.br
Lembramos aos interessados em receber os próximos SETE PONTOS que assinem o informativo, enviando um email para setepontos-subscribe@yahoogrupos.com.br