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ONGs se unem à Microsoft para instalar telecentros no Brasil
Sampa.org e Cemina formam parceria com empresa norte-americana
Gabriella Ponte
7º período – Jornalismo
A Microsoft Brasil firmou parceria com as Ongs Sampa.org e Cemina (Comunicação, Educação e Informação em Gênero) com o objetivo de instalar 18 telecentros no país, espaços de capacitação e acesso às Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs) em locais públicos nas cidades das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. O projeto consolidará o modelo de associação entre rádios comunitárias e telecentros, formando uma rede de comunicação e educação que reduzirá a exclusão digital.
Este é o segundo projeto do programa Unlimited Potential, lançado no Brasil pela empresa americana em março deste ano. O investimento do projeto no mundo todo é de US$1 bilhão em cinco anos. Os recursos serão destinados à construção de telecentros que utilizam os softwares da empresa, oferecendo capacitação e treinamento em TICs para comunidades carentes. A Microsoft doou R$ 145 mil em dinheiro e licenças de software para o projeto do Sampa.org.
A Microsoft está tentando expandir seu mercado, já que muitos governos, como o do Brasil, estão adotando o Software Livre (SL). O fato da empresa estar querendo ajudar na inclusão digital com softwares privados não só implica em questões econômicas e no domínio cultural, como também representa uma hipoteca sobre o futuro da educação digital. Será que a Microsoft está com medo de perder seu controle e domínio no mercado brasileiro de informática?
Desafios
O que mais dificulta na manutenção do projeto é a sustentabilidade econômica dos telecentros, mantendo suas atividades que ajudam no desenvolvimento das comunidades, tentando superar a pobreza e as desigualdades. O maior desafio é promover atividades que utilizem os recursos do telecentro e, ao mesmo tempo, as do rádio, que já são mais consolidadas. Fica difícil gerar recursos para pagar as despesas básicas, como as contas de luz e água, por exemplo.
A solução está proposta no documento oficial do projeto, cedido pelo próprio Cemina à equipe do Sete Pontos: “Para isto será necessário realizar um conjunto de atividades que permitam um diagnóstico de potencialidades econômicas locais e a definição de projetos que possam ser efetivamente implementados e acompanhados, convertendo-se em casos demonstrativos da utilização das modernas TICs como ferramentas capazes de potencializar ganhos e benefícios oriundos de atividades produtivas levadas a cabo por grupo de mulheres”.
Ajuda ou atrapalha?
O primeiro passo do projeto no Brasil foi quando a Microsoft ajudou o Comitê para Democratização da Informática (CDI), a Fundação Bradesco, o Instituto Ayrton Senna e o Projeto Aprendiz. A empresa já investiu R$ 30 milhões em projetos sociais no país, fornecendo licenças em royalties, equipamentos, acesso à Internet e cursos de informática. Mas sempre utilizando somente seus softwares. Será que essa limitação ajuda ou atrapalha? Pelo menos a intenção, como o próprio nome do projeto sugere, deveria ser explorar o potencial ilimitado da população.
A dominação dos softwares privados é que causa a limitação. As pessoas não podem aceitar somente uma forma de utilizar as TICs, podendo conhecer as múltiplas opções que existem para o mesmo, aproveitando as TICs em sua totalidade.
Esta concepção acaba se tornando cara, não só por causa dos royalties. A sociedade civil, com o apoio do governo federal, vem abraçando a causa de divulgar o uso do SL, que é uma outra alternativa a ser utilizada por todos.
O importante é saber que a sociedade civil, mesmo apoiando as propostas da Microsoft, não se esqueceu desta outra alternativa. No documento oficial do projeto, está escrito que “tanto o CEMINA quanto o Sampa.org também incentivam o uso do Software Livre e as duas plataformas estão sendo instaladas nas máquinas dos rádio-telecentros”.
Metas a alcançar
A implementação dos rádio-telecentros foi financiada pelo Programa Infodev do Banco Mundial, Fundação Kellogg, Unesco. Mas, até que todos os 18 telecentros sejam instalados, vai demorar um pouco. Até outubro, o único local que estava em pleno funcionamento era o rádio-telecentro de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. A meta é que todos estejam instalados até o final de 2004. Depois de estarem um tempo funcionando, o objetivo é que se tornem agências de notícias virtuais, dando espaço na web às comunidades.
Na matéria “Rádio comunitária vai atuar como telecentro”, que foi divulgada dia 29 de setembro, no Jornal do Commercio, a diretora de relações institucionais da Microsoft, Lisa Polloni, fala que a Microsoft, no início, tinha a missão de “levar um PC para cada casa. Agora, isso mudou. Nosso foco são as pessoas. Queremos ajudá-las a desenvolver seu potencial”. A partir daí, cabe a sociedade civil apoiar o que melhor lhe couber, não se esquecendo de que existe um sistema operacional “livre” para que possa aprender a lidar com as TICs. Assim, é possível não só combater a exclusão digital como também a dominação digital. |