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Sistema Brasileiro de TV Digital começa a ser colocado em prática no país

Paula Villela
Jornalista

Em outubro saiu o resultado do primeiro lote de cartas-convite feito às entidades pesquisadoras que irão trabalhar no desenvolvimento de tópicos para o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). Trata-se de uma subdivisão do trabalho para a criação de um sistema nacional de TV Digital, ou seja, cada entidade de pesquisa estará responsável por uma área do projeto, e receberá uma parcela dos R$ 65 milhões dos recursos cedidos pelo Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funtell).
A chamada pública foi feita em janeiro desse ano, pelo Ministério da Comunicação, Ministério de Ciência e Tecnologia, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Funtell, e tinha por objetivo “qualificar instituições capacitadas para apresentar projetos nas áreas e temas definidos como prioritários no âmbito do Sistema Brasileiro de Televisão Digital, em consonância com seu conjunto de premissas”. Os temas prioritários eram: Transmissão e Recepção, Codificação de Canal e Modulação; Camada de Transporte; Canal de Interatividade; Codificação de Sinais Fonte; Middleware; e Serviços, aplicações e conteúdo.

Quem participa
Nesse primeiro lote foram qualificadas sete proponentes:
- Fundação Padre Urbano Thiesen (agrega Funpet/Unisinos/Codecsul), que desenvolverá pesquisas sobre “Codificações de Sinais Fonte”, ou seja, o desenvolvimento de codificador e decodificador de vídeo escalável MPEG-2.
- Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (com Funcamp/Feec/MRSBTVD) e Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão (Funape-PB/ UFPB/ FlexTV) com o tema “Middleware”, para a definição de um padrão de referência para middleware do SBTVD.
- Associação do Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológicos (LSI-TEC/ LSI-EPUSP/ TAR-SBTVD), também com Middleware, porém agregando a definição de interfaces para desenvolver uma arquitetura aberta, interfuncionável e escalável para o receptor de TV Digital.
- Fundação Técnico-Científica Engenheiro Paulo de Frontin (Astef/UFC/AIMCOR) e a Brisa, com o tema “Serviços, aplicações e conteúdos”, que visa o desenvolvimento de estudos, especificações e protótipos de aplicações interativas para TV digital compatíveis com os padrões de middleware dos sistemas comerciais (ATSC, DVB e ISDB) e com o middleware de referência proposto para o Sistema Brasileiro de Televisão Digital.
- Instituto Presbiteriano Mackenzie (Mackenzie/ DMMBT), com “Transmissão e Recepção, Codificação de Canal e Modulação", que visa o desenvolvimento do subsistema de modulação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital.

Prazos e verba
Desses proponentes, apenas a Brisa respondeu à entrevista, através de Paulo F. de V. Toledo, presidente da instituição. De acordo com Toledo, os trabalhos ainda não tiveram início, pois se faz necessário aguardar a assinatura de uma série de contratos e a reunião “start up”, coordenada pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e que deverá ocorrer até janeiro de 2005.
A previsão de conclusão do projeto designado à Brisa, junto com Fundação Técnico-Científica Engenheiro Paulo de Frontin, é de 10 meses, e os institutos membros do consórcio receberão como financiamento da pesquisa, aproximadamente, R$ 1,5 milhão dos recursos da Funtel.

Benefícios
Para Toledo, a TV Digital pode trazer diversos benefícios à sociedade, dos quais ele destacaria o desenvolvimento tecnológico dos agentes produtivos do setor (indústria, operadoras, institutos de pesquisa etc) que premitirá a geração de produtos e o desenvolviento de serviços; e também "o direcionamento da TV Digital brasileira a soluções (funcionalidade e custos) ajustadas à realidade nacional".
Já para a Brisa, a vitória na concorrência da TV Digital significa a oportunidade de trabalhar no mais visível e importante projeto de P&D da atual administração federal, além de ser “uma oportunidade ímpar da Brisa alcançar uma posição de liderança tecnológica no segmento de TV Digital”, afirmou Toledo.
Portanto, trata-se de um projeto que, se desenvolvido corretamente, trará grandes benefícios para a sociedade brasileira, o governo e instituições privadas. A sub-divisão é apenas uma forma de agilizar e também ampliar a participação de outras empresas no processo. Tudo deve ser bem organizado, para que os projetos não se desencontrem e no fim, se tenha, finalmente, um sistema próprio – e por que não dizer inovador?- de Televisão Digital.

 
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