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Comunicação no meio sindical: a atuação do Núcleo Piratininga de Comunicação

Paula Villela
Jornalista

Um grupo de jornalistas, professores, formadores, ativistas sindicais e de movimentos sociais, de vários estados do país e com a certeza de que, sem a comunicação, é impossível que os setores populares possam lutar pela hegemonia da sociedade. É assim que se define a equipe do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC).
O núcleo foi criado no início da década de 90, a partir da constatação de alguns dirigentes, militantes e jornalistas sindicais, da necessidade de avanço na comunicação sindical para a implantação de um projeto neoliberal. De acordo com Vito Giannotti, 61 anos, monitor em Comunicação e História e integrante do Conselho do NPC, nessa época, “os sindicatos da CUT tinham uma vastíssima produção de boletins e jornais. Porém, a qualidade, e muitas vezes a pauta, estavam muito insuficiente frente ao poder de fogo dos inimigos de classe. A chamada grande mídia dava um banho na comunicação sindical”. Fez-se necessário então, colocar a comunicação no centro da luta política.

A importância da comunicação sindical
Afinal, “sem comunicação não há como fazer uma disputa de idéias na sociedade. A tal disputa de hegemonia na qual fala Gramsci exige uma comunicação intensíssima e muito bem feita pelos trabalhadores. (..) Nós, o movimento que quer (...) uma sociedade justa, solidária e socialista, devemos usar a comunicação como uma grandessíssima arma de disputa”, complementa Gianotti.
Para isso, o NPC ministra cursos ligados à comunicação sindical e popular e à história dos trabalhadores; realiza palestras/debates sobre temas de ação; produz jornais, revistas, cartilhas e livros destinados aos trabalhadores; avalia e propõe mudanças em publicações sindicais; faz planejamento em comunicação; reportagens dentro e fora do Brasil; promove cursos nacionais de atualização em comunicação. Além disso, criou o Observatório da Imprensa Sindical – um arquivo de publicações sindicais de todo o país-; e mantém uma videoteca mínima com oobjetivo de sensibilizar sobre a utilidade e necessidade de se utilizar o vídeo.

Disseminar informações com o apoio das TICs
A videoteca vem de encontro, e é apenas um exemplo, do uso das tecnologias de informação e comunicação (TICs) na colaboração na informação da sociedade. Gianotti explica que o principal aspecto que deve ser levado em conta na aplicação das novas tecnologias da informação, é de que vivemos em um país de cultural oral e visual. “ Então tudo o que precisamos levar em conta neste aspecto é se estas novas tecnologias vão no sentido da comunicação oral e visual, ou se vão continuar mantendo a concentração de informações para uns poucos.”
Assim, o núcleo alcança trabalhadores pertencentes a sindicatos de todo o país. E também, através dos cursos ministrados, dirigentes, trabalhadores da base e jornalistas e membros da equipe de comunicação desses sindicatos, além de setores do movimento popular, como MST, MAB e movimentos urbanos. Sempre os mesmos cursos, porém adaptados à realidade de cada um. Afinal, a maior preocupação do grupo não pode ser transgredida: melhorar a comunicação dos trabalhadores com o fim de construir um mundo com justiça e sem exclusão.

 
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