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A Comunicação no seu devido lugar
especialistas debatem a importância da Comunicação nas lutas sociais
por Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS
Realizado no dia 25 de janeiro de 2005, o I Fórum Mundial de Informação e Comunicação (I FMIC) contou com a presença de vários especialistas ligados a ONGs que vêm organizando o Fórum Social Mundial (FSM), como o Inter Press Service (IPS) e o Media Watch Global (MWG) e outras mais relacionadas com a temática da Comunicação, como a CRIS Internacional e a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC), que se agregaram à organização do evento mais tarde.
As problemáticas relacionadas à Comunicação no cenário contemporâneo foram debatidas, enfocando tanto experiências locais articuladas em rede quanto movimentações recentes dos conglomerados de mídia, com especial atenção para o que vem sendo chamado de nova ordem informativa do pensamento único.
Embora a subida em potência da temática da Comunicação ao longo das diversas edições do FSM tenha sido percebida e explicitada por Armand Mattelart, esta vem sendo trabalhada timidamente, principalmente se confrontada com sua importância no contexto contemporâneo e a complexidade das bandeiras de luta de seu movimento específico, atualmente articulado em torno da Campanha CRIS.
De um modo geral, ONGs e movimentos sociais relegam a comunicação a uma visão utilitarista e esta visão ainda não se modificou, embora tenha sofrido uma sutil transformação.
1001 utilidades: ainda a Comunicação como ferrramenta
Antes vista como o desenvolvimento de veículos capazes de fortalecer estratégias de disseminação de lutas, a comunicação passa a ser vista atualmente como um mecanismo possível para a solução de problemas no âmbito das lutas sociais.
Nesse contexto é que o Diretor Geral do IPS, Mario Lubetkin, explanou que a intenção em realizar o I FMIC era a de se contrapor ao vazio de informação externa e de dar sentido ao que chamou de "o dia seguinte", ou seja, os desdobramentos do FSM em suas próprias articulações e em relação à sociedade geral.
Apesar de ser um evento especial, o FSM precisa ser assimilado pela população como algo muito maior e de mais qualidade, que espelhe o que verdadeiramente o FSM pretende ser: um encontro de pessoas, grupos e organizações capazes de vislumbrar e tecer um outro mundo possível. Se a mídia comercial faz do FSM um evento e aborda assuntos irrelevantes em relação aos tratados, é necessária uma outra comunicação possível, capaz de adequar o que é veiculado na mídia ao que o FSM efetivamente representa.
I ao V FSM e depois
De uma forma ou de outra a comunicação chega ao cenário central das preocupações dos idealizadores do FSM, mas, no entanto, um longo caminho ainda precisa ser traçado. De acordo com Mario Lubetkin, o I FSM foi capaz de colocar pessoas debatendo a complexidade das temáticas sociais, a segunda edição mostrou que esta articulação chegou para ficar e já revelou a necessidade de uma veiculação na mídia compatível com os acontecimentos do evento, o III FSM foi o espaço do encontro entre a sociedade civil e os governos progressistas e o IV FSM, com a ida para Mumbai, um grande passo para a (alter)globalização do evento.
Se o V FSM foi o espaço em que se maturou o encontro de seus mentores - que elaboram e implementam o evento - com a temática comunicacional, também foi o momento do encontro com as demandas específicas do campo comunicacional, pois não é a mídia, tal como está, que poderá proporcionar uma outra cobertura possível do FSM, nem mesmo com uma tropa de assessores de imprensa afinados com temáticas sociais, mas torna-se necessário, sim, compreender, em sua complexidade, tanto os processos de concentração empresarial da comunicação como as formas alternativas de fazê-la de modo descentralizado e participativo. Um desafio que não cabe apenas na esfera dos especialistas dos diversos meandros da comunicação, mas de todos que a desejam diversificada por direito. |