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Fazendo acontecer um fórum social mundial
desafios para próximas edições do FSM e aspirações da sociedade civil

por Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

A marca desta última edição do Fórum Social Mundial (FSM) foi a das múltiplas atividades realizadas pelos diversos movimentos sociais presentes, capazes de intensificar a materialização de propostas mais concretas em cada setor, porém que, ao mesmo tempo, também puderam proporcionar mais dispersão e fragmentação ao evento, consistindo assim numa ameaça à própria afinidade das lutas travadas ao longo das diversas atividades realizadas.
Com 155 mil pessoas e 6.588 organizações de 135 países participando das 2.500 atividades realizadas em Porto Alegre, a quinta edição do FSM entra mais uma vez na história como o mais amplo evento aglutinador de forças de esquerda de todo o mundo. Apesar de não contar com um documento final, dois textos foram promovidos nesse intuito: a declaração da Assembléia Mundial dos Movimentos Sociais e o Manifesto de Porto Alegre.
A primeira teve a intenção de ser uma ampla costura das perspectivas dos vários movimentos sociais presentes ao evento, desdobrados nas mais variadas atividades realizadas ao longo dos seis dias de bastante calor e movimentação na cidade. Temas como a defesa da natureza, o cancelamento da dívida externa e a luta contra as exclusões por identidade, gênero e homofobia, dentre muitos outros, foram inseridos no texto final, dando uma idéia do leque de bandeiras de luta firmadas pelos movimentos e organizações sociais presentes.
Já o Manifesto de Porto Alegre foi firmado por um grupo de 19 intelectuais, estabelecendo 12 propostas para um novo mundo possível, dentre as quais a proibição do patenteamento do conhecimento e o direito à informação e o direito a informar dos cidadãos, mediante a elaboração de legislações que inibam a concentração dos meios de comunicação.

Ações no campo da comunicação
O FSM foi o espaço de realização de diversos painéis relacionados às iniciativas no campo comunicacional, nos quais foram possíveis debater uma possível Lei Geral de Comunicação Eletrônica de Massa - que vem sendo discutida pelo governo e pensada no âmbito da sociedade civil -; as ações implementadas pela Campanha CRIS e sua articulação no Brasil; os diversos produtos de mídia que ativistas do mundo todo puderam implementar a partir das articulações facilitadas pelo FSM; o lançamento do Observatório Brasileiro de Mídia vinculado ao Media Watch Global, coordenado por Ignacio Ramonet, um dos organizadores do FSM; a Rede Internacional pela Diversidade Cultural (RIDC), que consiste numa rede de artistas e grupos culturais de 50 países que se esforça para combater a homogeneização cultural causada pela globalização e pelas indústrias multinacionais do entretenimento; a campanha Quem financia a Baixaria é contra a Cidadania, implementada pelo deputado federal Orlando Fantazzini, do PT-SP, além dos diversos eventos relacionados à temática do software livre, inclusive contando com a participação do Ministro da Cultura, Gilberto Gil, que demonstrou sua intenção em afirmar a ética hacker em sua gestão.

Sobrevivendo aos novos tempos
Essa variedade de ações foi correspondente ao que o eixo da Comunicação impulsionou a partir do FSM, pensado a partir de uma metodologia adotada por seus organizadores, visando estimular as ações comuns por um novo mundo possível, mas ao mesmo tempo mantendo a diversidade e o caráter horizontal, não-dirigista das mobilizações. No entanto, a própria agenda e, para além dela, as atividades que a originaram, se tornam cada vez mais complexas e abrangentes para um movimento que se pretenda uma unidade comum.
No entanto - e esse é um tema bastante debatido em outros círculos do FSM -, a pluralidade e a diversidade são características determinantes da própria natureza do Fórum, que podem levar a outro problema, bastante identificado nesta edição do evento, que é o da dispersão de atividades e ativistas, fazendo com que não se tenham claros os alvos e os atores engajados na concretização de um novo mundo possível.
Repensar o FSM para o que vem pela frente requer, portanto, enfrentar um desafio que é o dos próprios novos movimentos sociais em tempos de rede, no sentido de pensar um novo paradigma de agenciamento de iniciativas fragmentadas. Encontrar bifurcamentos ou pontos de convergência que possam configurar não a centralidade totalizante capaz de orientar uma horda de seguidores, mas que gere pessoas, grupos e organizações conscientes de seu papel específico e geral e assimilem a apropriação das TICs de modo socializado e não menos horizontalizado.

 
NESTA EDIÇÃO

Fazendo acontecer um fórum social mundial
desafios para próximas edições do FSM e aspirações da sociedade civil, por Prof. Adilson Cabral
Repensar o FSM para o que vem pela frente requer enfrentar um desafio que é o dos próprios novos movimentos sociais em tempos de rede, no sentido de pensar um novo paradigma de agenciamento de iniciativas fragmentadas.

Soluções e usos
Novas tendências de articulação no ativismo midiático
produção de mídia em rede dá o tom do V FSM
No V FSM articulações midiáticas em rede se agregaram para gerar alternativas concretas à produção de notícias pela mídia convencional, comprometida com anunciantes oriundos de corporações mantenedoras do sistema. (texto completo)

Apropriação social das TICs
A Comunicação no seu devido lugar:
especialistas debatem a importância da Comunicação nas lutas sociais

As problemáticas relacionadas à Comunicação no cenário contemporâneo foram debatidas, enfocando tanto experiências locais articuladas em rede quanto movimentações recentes dos conglomerados de mídia, com especial atenção para o que vem sendo chamado de nova ordem informativa do pensamento único. (texto completo)

NossosMeios
TV Brasil propõe integração cultural na América do Sul
Iniciativa governamental realiza experiência-piloto no V FSM
Inaugurada, em caráter experimental. no V FSM, a TV Brasil irá produzir e veicular notícias relacionadas aos interesses do país, promover a integração com os países da América do Sul e, num segundo momento, com os países de língua portuguesa de outros continentes. (texto completo)

 

 

ISDB-Tsb: O padrão de rádio digital no Japão
por
Takashi Tome
O sistema japonês de rádio digital é visto como um serviço complementar ao atual serviço de rádio analógico AM/FM. Trata-se de um sistema desenhado em conjunto com a TV Digital, de modo a aproveitar as sinergias de sistema e criar um novo universo de comunicação.

Do local ao global
Comunicação sem fronteiras nem barreiras
Campanha CRIS expõe abordagens sobre o tema no FSM

Com a aprovação da comunicação como um direito humano fundamental na declaração da Assembléia Mundial dos Movimentos Sociais, realizada na 5ª edição do Fórum Social Mundial, a maturação da agenda pela democratização da comunicação num contexto mais amplo foi viabilizada graças à ação da Campanha CRIS. (texto completo)

Empresas e Grupos de Mídia
Um olhar sobre os grupos de mídia
intelectuais analisam sua influência no Fórum Social Mundial
Como se verificou nas discussões do V FSM, os conglomerados passaram a ditar as ordens, a controlar os povos, em busca de poder e lucro. Mas, ao mesmo tempo, se levanta um grupo de indignados que não aceita continuar sendo manipulado. (texto completo)

Empresas também pensam um outro mundo possível
Papel do marketing social é debatido em fórum paralelo
Ao mesmo tempo em que a sociedade civil discutia e buscava soluções para um mundo melhor, no V Fórum Social Mundial, empresários debatiam, paralelamente, com alunos, interessados e profissionais da área comunicacional a importância de fazer e reconhecer iniciativas e atividades voltadas para o benefício da sociedade. (texto completo)

 
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