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Fundo de Solidariedade Digital:
compromissos de um fundo descomprometido

por Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

Inaugurado em 26 de agosto de 2004, o Fundo de Solidariedade Digital foi criado a partir de uma proposta encabeçada pelo presidente do Senegal Abdoulaye Wade na época da preparação para a primeira fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) e incorporada pela Força Tarefa de Mecanismos de Financiamento.
Visa compreender o investimento em programas, materiais e ferramentas de capacitação em tecnologias de informação e comunicação (TICs) além de fundos educacionais e iniciativas de treinamento especializadas; o acesso à comunicação e à conectividade em áreas remotas que apresentem desafios tecnológicos e/ou de mercado; infra-estrutura e redes regionais de acesso à Internet; capacidade de acesso em banda larga, para facilitar uma diversidade de serviços e aplicações; implementar eficiência nas ações e custos de transações pequenas associadas ao apoio internacional; a contribuição das TICs para a integração de estratégias de erradicação da pobreza, particularmente no tocante à saúde, à educação, à agricultura e ao meio-ambiente.

Questões colocadas, reuniões adiadas
No entanto, várias questões ainda merecem melhor atenção por parte dos atores envolvidos: a sustentabilidade de projetos relacionados à Sociedade da Informação, por exemplo, em relação à manutenção da infra-estrutura; necessidades especiais de empreendimentos pequenos, médios e micro, tais como fundos de apoio; desenvolvimento local de tecnologias de informação e comunicação (TICs) por países em desenvolvimento; reforma institucional e regulação das atividades relacionadas às TICs; implementação de estruturas organizacionais otimizando o impacto e a eficiência de projetos ligados às TICs e iniciativas de governança local baseadas em comunidades que atuem em áreas como saúde, educação e qualidade de vida.
Para tanto, será necessária a utilização eqüitativa e universal dos recursos, a partir da adoção de estratégias como: a criação de incentivos políticos e regulatórios com base no acesso universal e no investimento do setor privado; identificação de ações-chave na implementação de estratégias de desenvolvimento; desenvolvimento de capacidades institucionais e de implementação para o apoio ao uso dos fundos universais no âmbito nacional; desenvolvimento de informações, aplicações e serviços locais relevantes; identificação de iniciativas bem sucedidas em TICs; apoio ao uso das TICs nos governos; construção de recursos humanos e de capacidades institucionais em todos os níveis; envolvimento de entidades do setor privado no apoio às indústrias criativas, produtores locais de conteúdo cultural e aplicações, bem como pequenos negócios e o fortalecimento de capacidades para a utilização dos recursos de forma efetiva.

Carta de solidariedade conclama a adesão
Escrita e publicada no sentido de promover a responsabilidade de todos os atores (públicos e privados) que desejam comprometer-se com uma sociedade da informação justa, eqüitativa e solidária, determinando princípios gerais que sustentam a atuação do Fundo.
Embora não imponha nenhuma obrigação, chama à responsabilidade e ao compromisso dos atores envolvidos a integrar estes princípios em sua estratégia de atuação e à adesão ao Fundo, contando com a expectativa de que a plataforma de convergências para todos os colaboradores - seja do setor público como do privado ou da sociedade civil - possa proporcionar um marco para as atividades da fundação privada que o gerencia.
Dispondo-se a lutar contra a brecha digital numa cooperação entre o Sul emergente e o Sul menos avançado, os projetos consistirão em atuações articuladoras, que respeitem a diversidade cultural e os conteúdos locais, além de, em resposta às petições das organizações de mulheres e de micro-créditos, criarão novas atividades e, posteriormente, novos mercados.
As intenções manifestadas em discursos que agenciam expressões em prol do desenvolvimento buscam se conciliar com a necessidade de um compromisso amplo que se confunde com o caráter voluntário deste Fundo. Embora a torcida de todos seja para sua melhor implementação, não deixa de ser evidente que sua relevância não é tão mobilizadora e envolvente como a de interesses bélicos, por exemplo.

 
NESTA EDIÇÃO

Do local ao global
PrepCom2 rumo a Tunis:
Um balanço para balançar a sociedade civil
, por Prof. Adilson Cabral
A segunda reunião preparatória (PrepCom2) para a segunda fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) aconteceu em Genebra, de 17 a 25 de fevereiro, contando com um número limitado de apenas três membros brasileiros da sociedade civil. A impressão que ficou da reunião foi a de que muito ainda está para se fazer e decidir, mas pouco foi, efetivamente, implementado.
(texto completo)

Apropriação social das TICs
Rádios comunitárias são motivos de polêmica no Brasil
, por Profª Eula Cabral
Apesar do Governo ter reconhecido a contribuição das rádios comunitárias para a democratizar a comunicação em comunidades de baixa renda, as repressões e apreensões continuam sendo realidade em muitos bairros carentes e em favelas. (texto completo)

 

 

NossosMeios
Conferência Regional da América Latina e Caribe mobiliza a sociedade civil
, por Profª Eula Cabral
Em busca de soluções concretas em prol de cada povo das regiões, os membros do Caucus da América Latina, ou seja, do grupo de organizações da sociedade civil, vêm se organizando para que o documento que será definido na Conferência do Rio leve em consideração as questões discutidas nos eventos da CMSI.
(texto completo)

Acesso Público
Fundo de Solidariedade Digital: compromissos de um fundo descomprometido, por Prof. Adilson Cabral
O Fundo de Solidariedade Digital foi criado a partir de uma proposta encabeçada pelo presidente do Senegal Abdoulaye Wade na época da preparação para a primeira fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) e incorporada pela Força Tarefa de Mecanismos de Financiamento. (texto completo)

 
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