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TV Digital: a escolha do melhor modelo

Por Naira Rosana
estudante de jornalismo

A televisão é um dos mais importantes meios de difusão de informações e entretenimento para grande parte da humanidade. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no Brasil, a televisão ocupa hoje o segundo lugar dos eletrodomésticos mais usados, perdendo apenas para o fogão. Em média, cada brasileiro do país gasta quatro horas e 59 minutos por dia assistindo TV.
Depois do advento da TV em cores no mundo, na década de 50, um novo passo foi feito na rede pública da TV do Japão, Nippon Hoso Kyokai (NHK), pioneira em programas em alta definição (HDTV). Foram feitas parcerias entre Europa e Estados Unidos, originando a Grande Aliança. Os japoneses ficaram com a responsabilidade das primeiras iniciativas, no sentido de viabilizar a transmissão no formato de alta resolução digital. Os europeus ficaram com o mérito de desenvolver a tecnologia que condensava os dados de uma forma satisfatória para a transmissão segura em alta definição.

A TV digital no mundo
Hoje são apresentados no mercado três modelos de TV digital. O modelo ATSC (Comitê para Sistema de TV Avançada) foi desenvolvido pelos Estados Unidos, em novembro de 1998, com intuito de tornar toda transmissão digital até janeiro de 2009. Seu principal atrativo é a alta definição da imagem. Canadá, Coréia do Sul e Taiwan introduziram o sistema. As deficiências do modelo estão na falta de mobilidade e há necessidade de se instalar equalizadores para recepção do sinal em situações de multi-percurso, ou seja, caminhos diferentes resultam no receptor, intervalos em tempos diferenciados. Segundo o governo dos Estados Unidos, todos os televisores de tela de 25 a 36 polegadas terão de ser compatíveis com o padrão digital em março de 2006. Hoje é uma realidade para as grandes redes abertas transmitirem diversos programas em alta definição - quase sete vezes a resolução de imagem de TV analógica. Isso significa dizer que o país opera com 500 emissoras e possui cerca de 4 % do mercado norte-americano.
Na Europa foi desenvolvido por empresas públicas e privadas em 1993 o modelo DVB (Digital Vídeo Broadcasting). Cingapura, Nova Zelândia e Austrália também adotaram o sistema. O modelo privilegia a múltipla programação, a interatividade e novos serviços. É mais imune aos problemas de multi-percurso apresentados pelo ATSC. Existem no mercado três especificações: DVB-T transmissão terrestre, DVB-C por cabo e DVB-S via satélite. Este último já virou praticamente o sistema padrão em todo mundo, principalmente na Inglaterra, segunda maior implantação de satélite e o primeiro a fazer os testes, em 1996, onde o desligamento das transmissões analógicas está previsto para acontecer entre 2007 e 2012. Atualmente, 57% dos lares ingleses captam sinais digitais, de acordo com o Consumer Panel da Ofcom, órgão regulador da Indústria de comunicação do Reino Unido.
Na Alemanha, que iniciou os testes em 2002, a partir de 2010 só haverá sinal digital. A capital, Berlim, desde 2003 tem televisão 100% digital. Na Espanha e na Suécia, a previsão é de que a partir de 2008 não haja mais sinais analógicos. A Comissão Européia propôs 2012 como data limite para que todos os países da União passem a transmitir somente sinais digitais. O DVB-T foi adotado também pela Austrália.
Os japoneses, por sua vez, utilizam o ISDB (Integrated Services Digital) – Transmissão Digital de Serviços Integrados. O nome já demonstra sua vantagem: a integração de serviços.O padrão japonês foi pensado para transmitir sinais de vídeo não só para aparelhos de TV tradicionais, mas também para celulares e demais equipamentos móveis. De todos os modelos, este é o mais adaptado para o Brasil, porém o mais caro em investimentos.
Vale lembrar, porém, que nenhum dos sistemas é definitivo. Todos estão se adaptando às demandas do público e buscando agregar novas opções. Enquanto os outros países se preocupam com a previsão exclusiva digital, o Brasil nem decidiu o formato do modelo, mas o governo promete uma decisão em fevereiro de 2006. Por enquanto, o serviço está disponível na televisão por assinatura.

TV digital no Brasil
O governo decidiu apostar em um padrão nacional e está investindo em pesquisas e desenvolvimentos. O coordenador do grupo do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), órgão responsável pela implantação do novo modelo, Augusto Gadelha, no Simpósio Internacional de TV digital, defendeu a criação de um modelo brasileiro. “Queremos avaliar as tecnologias já existentes (ISDB, DVB-T, ATSC) e contribuir com sugestões, de modo a criar um modelo próprio que atenda as nossas necessidades. Temos capacidade de nos tornarmos um ator importante nesse mercado e não simplesmente absorver passivamente os padrões alheios”, afirmou.
Para o Brasil, um padrão de televisão digital deve contemplar as reais necessidades da sociedade brasileira, tendo em vista o perfil de renda da população e as novas possibilidades abertas através da interatividade. O baixo custo, a boa recepção do sinal, a flexibilidade de modo que as emissoras possam escolher programações e modelos de negócios com sua conveniência e dos consumidores, a interatividade e promoção de novas aplicações à população, proporcionando educação e cultura.
Para que o programa de escopo social e tecnológico satisfaça as necessidades, foi formado um grupo com dez Ministérios, a Anatel, o Instituto Nacional de Tecnologia (ITI), a sociedade civil, o grupo de pesquisas CPqD e a FINEP (responsável pela seleção das propostas para a contratação de pesquisas).
Uma iniciativa com esta abrangência e importância deverá movimentar recursos que chegam à ordem de alguns bilhões de reais ao longo dos mais de dez anos da sua implantação. O desembolso da maior parte do montante deverá ser distribuído entre os usuários, na aquisição de novos receptores ou unidades decodificadoras dos sinais, às emissoras, que atualizarão em estúdios e transmissores, aos fabricantes de equipamentos, bem como aos novos atores, que deverão surgir principalmente para novas programações.
O Governo Federal, através do financiamento de projetos articulados de pesquisas e desenvolvimento do Sistema Digital Terrestre, firmaram um convênio com o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações ( FUNTEL) e a Fundação CPqD, designando um orçamento de R$ 65 milhões, cabendo R$15 milhões ao CPqD e R$50 milhões para contratação das demais instituições de pesquisa.
Com todo o investimento, buscam-se soluções. O preço é um deles. Um aparelho de televisão digital custa, pelo menos 300 dólares, aproximadamente R$ 700. Com a popularização, a tendência é o preço baixar, mas ainda assim será “salgado', pois, para apresentar uma sensível diferença na qualidade da imagem, o aparelho tem que ser de 29 polegadas, com formato da tela de cinema (16:9). Porém, como o mercado brasileiro vende mais televisores de 14 polegadas, a solução é a compra de conversores de sinal, os chamados “set-up boxes”. Eles são conectados aos atuais aparelhos, que passam a transmitir os sinais digitais, porém sem alta definição. A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) defende que apenas unidades que consigam emitir imagens de alta definição sejam comercializadas, mesmo que o preço seja mais alto.
Do lado de quem produz conteúdo, os investimentos a serem feitos são muito grandes e difíceis de calcular. Algumas emissoras, como a Globo, já vêm fazendo produção digital em novelas, séries e filmes, porém ainda são transmitidos por canal analógico. Mas o desafio da transição para a TV digital está em implantar novos transmissores, antenas e, em muitos casos, até novas torres. Porém, o diretor da Central Globo de Engenharia, Fernando Bittencourt, acredita na evolução natural, ou seja, à medida que se substituem os equipamentos velhos por novos, haverá um investimento natural das tecnologias. Para ele, em alguns casos não haverá escolha no mercado. “Por enquanto a TV Globo não fez nenhum investimento adicional em equipamentos, só a substituição dos mesmos. Alguns trabalhos como a novela “América” e a minissérie “Hoje é Dia de Maria” já são produções digitais”, argumentou Bittencourt no Simpósio Internacional de TV digital.
Todavia, vale ressaltar que a introdução da televisão digital só se justificará na medida em que o seu uso for difundido à sociedade, a exemplo do que foi feito pela TV analógica. A esta, enquanto atividade de radiodifusão, se pode creditar o papel de um dos fatores de integração nacional, por propiciar que todo o país de dimensões continentais e carente de infra-estrutura de transportes, de norte a sul, fale a mesma língua e discuta os mesmos assuntos.

 

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