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Produção de conteúdo em vídeo digital

Por Naira Rosana
estudante de jornalismo

Assistir trailers de filmes, documentários, notícias ao vivo e também rever os melhores gols daquela partida de futebol, já é possível na Internet pelo guia de multimídia, o justoaqui, que separa todo o conteúdo já classificado por categorias e necessidade do usuário. Além da Internet, o usuário assistirá todos estes e outros conteúdos no seu celular, na sua TV a cabo, cinema, rádio e mídia indoor, a partir de setembro de 2005, com uma rede de canais específicos, o projeto Rede *Zero.
Os vídeos digitais derrubaram antigas barreiras. Até pouco tempo, fazer um vídeo era papel de profissional, porque, principalmente, os custos envolvidos numa produção eram altíssimos, pois no sistema analógico trabalhava-se com fitas magnéticas que, depois de gravadas, precisavam ser convertidas para sistemas digitais. No sistema digital qualquer pessoa que tenha um pouco de disposição, uma camcorder (termo extraído de câmera recorder, em inglês) na mão e um computador pessoal preparado para receber e editar arquivos de vídeo poderá fazer grandes trabalhos em vídeo.
Para a coordenadora do VT da UniverCidade, Daniela Marguette, a popularização dos formatos digitais trará mudanças profundas na produção audiovisual: “Eu acho que o grande lance dessas câmeras digitais é que elas estão ficando cada vez mais acessíveis. Além disso, possibilitam produzir com uma equipe pequena. Isso permite uma democratização na produção do audiovisual”.

Um guia de vídeos
Ao contrário dos portais existentes na rede, a proposta do justoaqui não se restringe a catalogar ou buscar endereços de sites na Web, mas, também, comentar e jogar um olhar crítico de especialista no conteúdo audiovisual. Uma parte do conteúdo é de propriedade, mas a maioria pertence aos seus próprios sites de origem, que se abrem sempre que o usuário escolhe um conteúdo.Os mais procurados são os clipes, trailers, curtas metragens e games online. A quantidade de visitas é controlada por contadores do site. ”Estamos com uma média de 1,2 milhão de page views por mês”, afirmou o diretor de conteúdo, Carlos Merlin Junior.
Segundo Carlos Merlin, os critérios de avaliação dos vídeos são a técnica e a qualidade dos mesmos: ”Julgamos sempre a qualidade do vídeo ou jogo online que o usuário irá encontrar. Damos um maior destaque também quando é o caso de um conteúdo de grande importância artística e cultural”.
Em parceria com um site norte-americano de MMORPG (Massive Multiplayer Online Rpg) e uma loja própria de venda de DVDs e CDs, o guia de vídeos sustenta toda a sua produção e diminui a concorrência, ainda que seja pequena. ”No mercado brasileiro existem poucos sites dedicados especificamente à multimídia como o justoaqui. E não sofremos também uma forte concorrência externa devido à barreira da língua, já que muitos brasileiros ainda preferem navegar em páginas que têm somente o português”, argumentou o diretor.
Mesmo com a facilidade de se fazer um vídeo digital, o justoaqui não divulga trabalhos particulares de pessoas, apesar desta idéia ter sido paltada a princípio. Segundo Merlin, o motivo foi por preocupações de detalhes técnicos e possíveis problemas de direitos autorais. “Nunca se pode ter a certeza total de que quem está enviando este tipo de vídeo é realmente o dono das imagens”, acrescentou.
Apesar de todas as facilidades e recursos, a estudante de dança Priscila Barros, que produz seus próprios vídeodança, demonstra uma insatisfação em não poder divulgar os mesmos no site. ”Seria uma oportunidade única ver meus trabalhos divulgados”, afirmou a estudante.

Rede multimídia
Com anos de pesquisas tecnológicas na linha de áudio e vídeo e com uma vasta experiência na produção de conteúdos em formatos digitais, duas empresas gaúchas, KL Sistems e a Prisma, criaram o seu mais novo projeto: a Rede *Zero. Trata-se da primeira rede brasileira de canais de áudio e vídeo, com programação disponível para várias mídias. Atualmente, são mais de 20 empresas e instituições em todo o Brasil que fazem parcerias nos canais distribuídos e nas disponibilidades dos seus serviços.
Com uma longa pesquisa técnica, a empresa KL Sistems desenvolveu uma nova ferramenta para solucionar um problema que em décadas persistia em existir: o conteúdo não se adaptava em todos os ambientes digitais. A nova tecnologia resultou na criação de um software chamado Vídeo Connect, que distribui os conteúdos em qualquer formato digital. ”A produção dos conteúdos é feita de uma única vez. Na captação de imagens fazemos seqüências diferentes para web e celular (os tempos são menores e os planos mais fechados). Para televisão, cinema e mídias indoor usamos a mesma sistemática técnica de produção para televisão. Na edição dos conteúdos, formatamos, especificamente, para cada mídia”, explicou Roberto Andrade, diretor de conteúdo.
Nos três primeiros meses de operação, a Rede disponibilizará, gratuitamente, 20 canais próprios, entre eles: turismo, esportes, musicais, feminino, cultural, videoclipes, adulto, medicina e outros.Os usuários poderão assistir ou baixar conteúdos via internet ou telefonia móvel. Será um período de distribuição em formato Beta, ou seja, o novo software estará sendo testado com mil usuários, para corrigir todas eventuais falhas. “Vamos inicialmente distribuir em parceria com uma Rede de Web e Telefonia Móvel”, afirmou Roberto Andrade. Em janeiro de 2006, as projeções são de 208 mil usuários assistindo toda a programação na TV a cabo, cinema e mídias indoor.
A Rede será comercializada a partir de uma Central Nacional de Mídia On-Line, que disponibilizará, em tempo real, às agências de publicidade, aos parceiros de rede, aos clientes corporativos a aos próprios usuários, informações detalhadas sobre as programações (programas, games, música, serviços, promoçõs, publicidade, patrocínios, cursos, mensagens e sorteios). Entre elas, o número de usuários logados por canal, o controle sobre os conteúdos selecionados em streaming (clica e assiste) e download (baixa o arquivo para depois assistir) e a aferição da exibição das mensagens publicitárias e institucionais.
“O usuário é que determinará o conteúdo, o tempo que quer assistir e não pagará por isso”, explicou Andrade.A decisão começa na escolha dos canais diante dos gostos e afinidades do usuário. Depois de um dowload ou streaming, o usuário escolhe a cena e o tempo que quer assistir. Gostou do que assistiu e quer para o seu acervo no seu computador? Para ter o conteúdo, o usuário passará o seu cartão de crédito, o que pagará o preço médio de 50 centavos por minuto. Agora, se o usuário quer ver o mesmo conteúdo no celular, não pagará nada para a Rede *Zero e, sim, para operadora do seu telefone.
Um outro diferencial é a oportunidade de uma pessoa qualquer divulgar o seu trabalho na Rede. Segundo Roberto Andrade, são avaliados quatro critérios para receber o conteúdo. ”Analisamos a qualidade técnica, interesse editorial, a formatação, tempo e ainda assinará um contrato pelos direitos autorais”. E ainda uma outra novidade, o Stúdio Virtual, no qual o usuário poderá mudar algum conteúdo. ”Qualquer usuário é um produtor de conteúdos, porque qualquer pessoa tem alguma coisa para mudar”, acrescentou.
Apesar de entusiastas da tecnologia digital, a estagiária de fotografia, Paula Faraco, faz questão de afirmar que o acesso aos equipamentos ainda é restrito. Por isso, defende que governos e empresas invistam em projetos audiovisuais. ”Não é todo mundo que usufrui desta tecnologia”, argumentou a estagiária.

Interfaces da TV Digital
A informação digital é um dos principais e mais importante produto da era atual. Desde 1995, com a liberação do uso da Internet para fins comerciais, o avanço tecnológico estendeu-se de textos acadêmicos para a incorporação de recursos multimídia (texto, imagem e som), o que popularizou, definitivamente, a Internet. Hoje, o Brasil tem o segundo maior crescimento na Internet no mundo, perdendo apenas para Eslováquia, conforme levantamento divulgado pelo Giga Information Group e publicado pelo site economia.br.net.
O desafio será oferecer todo o conteúdo da era digital para os canais da TV Digital. O governo pretende implantar alguns dos modelos já existentes (europeu, americano, japonês). Existe uma preferência generalizada pelo modelo japonês, que oferece mais mobilidade através da telefonia celular e da transmissão de imagens. Todavia, vale ressaltar que todo essa revolução deve promover a educação à distância e a interação comunitária, ou seja, tudo que já é oferecido pela Internet.
 

Do local ao global
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Empresas e Grupos de Mídia
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Soluções e usos
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