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A Governança da Internet e o Complexo de Madagascar

por Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

Alex é um leão exibicionista, cuja principal diversão é realizar shows para agradar visitantes no Zoológico do Central Park. Ele é o melhor amigo de uma zebra que passa o tempo se exercitando diariamente numa esteira, olhando e desejando uma belíssima paisagem de uma floresta tropical, ilustrada num grande painel na parede do Zoológico.
Seu desejo de buscar a vida fora do Parque acaba impulsionando sua fuga e seus amigos, preocupados, resolvem procurá-la pelo centro de Nova York e convencê-la a voltar. Conseguem encontrá-la, mas, após uma série de situações inusitadas, acabam parando como náufragos numa praia em Madagascar, na qual conhecem um ambiente que lhes é naturalmente mais familiar e vivem o desafio de se relacionar com a diferença cultural dos nativos, bem como sua própria natureza artificializada pela plasticidade do zoológico do Central Park.

Em nome do show
Essa é uma forma possível de apresentar a história de Madagascar, da empresa de animação Pixar, que está se consolidando internacionalmente com o firme propósito de se tornar uma anti-Disney. Nesta última iniciativa, além disso, proporcionou ainda uma interessante imagem que pode contribuir para o debate sobre a governança da Internet. Senão vejamos:
A sustentação da política do governo americano em relação à governança da Internet está centrada no argumento, que assumem como legítimo e soberano, de segurança e controle contra ameaças terroristas. A decorrência disso é que no rótulo de terrorismo cabem tudo o que é estranho aos interesses do governo americano, inclusive a própria descentralização da gestão da Internet. Ou seja, uma governança democrática da Grande Rede representaria a possibilidade de uma maior ameaça – e, portanto, de uma vulnerabilidade - do sistema a ataques de hackers, grupos terroristas e até mesmo governos contrários ao que entendem como sustentadores de valores democráticos.
É o que diz um recente documento que afirma os princípios dos Estados Unidos para o Sistema de Endereços e Nomes de Domínio da Internet (DNS). Nele, os EUA afirmam que desejam preservar a segurança e a estabilidade do DNS, que os governos têm o interesse legítimo em gerenciar os domínios de primeiro nível vinculados aos países (“country code top level domains” ou CCTLD), que a ICANN seria o local apropriado para o gerenciamento técnico do DNS. Em outras palavras, os EUA estabelecem políticas mundiais e os países determinam suas políticas nacionais.

Descobrir novos mundos
Seria possível pensar em outra possibilidade de gestão? O Grupo de Trabalho de Governança da Internet (GTGI), criado a partir da primeira fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI), em Genebra, Suíça, de 10 a 12 de dezembro de 2003, está recomendando a criação de um novo espaço para o diálogo em pé de igualdade entre todas as partes interessadas sobre todos os assuntos relacionados com a governança da Internet.
A operacionalização deste diálogo seria dada a partir da criação de um Fórum Multilateral, para o qual foram pensados quatros modelos diferentes, a serem debatidos entre os governos até a definição da segunda parte da CMSI, em novembro, na Tunísia: o primeiro seria um conselho global de Internet (CGI) composto de membros dos governos com representação suficiente de todas as regiões e a participação de outros interessados; o segundo seria baseado no reforço do papel do Comitê Assessor Governamental da ICANN (o Fórum a ser criado seria então um suporte a esse Comitê); estabelecer um Conselho Internacional de Internet (CII) para desempenhar as funções que correspondam, especialmente em relação às competências da ICANN e da IANA (Autoridade da Internet para Atribuição de Números) e o quarto e último modelo propõe a reunião de três esferas inter-relacionadas de governo da política de Internet, supervisão e coordenação global: um Conselho de Política Global de Internet, uma Corporação Mundial de Internet para a Atribuição de Nomes e Números (WICANN) e o Fórum de Governo Global de Internet.
Ao contrário da concepção americana, a proposta do GTGI é a de promover a participação plena dos países em desenvolvimento em mecanismos de governança de Internet, apostando na descentralização como forma de ser co-responsável entre governantes que integram este sistema. A perspectiva de um entendimento multilateral cunhado pelo GTGI se constrói pelo entendimento de que tanto é possível assumir a preocupação com segurança e contra o terrorismo pelo bem comum, como os Estados Unidos podem sair da redoma em que se colocaram e se somar num projeto coletivo.
Tão fácil como uma viagem para Madagascar!

 

Do local ao global
A Governança da Internet e o Complexo de Madagascar
, por Prof. Adilson Cabral
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Apropriação social das TICs
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Com o desenvolvimento das novas tecnologias no campo comunicacional e tratados de entendimento mútuo assinados entre os representantes políticos dos países, esperava-se um mundo com um futuro mais tranqüilo. Porém, com tantos artefatos, ao mesmo tempo em que se tornou possível trocar informações com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, programas de espionagem passaram a fazer parte do dia-a-dia das pessoas. (texto completo)

Soluções e usos
Produção de conteúdo em vídeo digital
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Assistir trailers de filmes, documentários, notícias ao vivo e também rever os melhores gols daquela partida de futebol, já é possível na Internet pelo guia de multimídia, o justoaqui, que separa todo o conteúdo já classificado por categorias e necessidade do usuário. Além da Internet, o usuário assistirá todos estes e outros conteúdos no seu celular, na sua TV a cabo, cinema, rádio e mídia indoor, a partir de setembro de 2005, com uma rede de canais específicos, o projeto Rede *Zero. (texto completo)

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