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Mídia deve ser encarada com responsabilidade na sociedade da informação
por Profª Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo Eletrônico SETE PONTOS
Diversos eventos relativamente recentes, como a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, Fórum Social Mundial, Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, dentre outros, estão discutindo e analisando a mídia. Mas, até que ponto os meios de comunicação são encarados com seriedade e responsabilidade por seus participantes? Por que não são somados os esforços, em busca de se exigir que a comunicação seja um direito das pessoas?
Tema que interessa a todos e todas
Entender o que é, como funciona e em que implica a mídia são realidades que não são entendidas pela maioria da população mundial. Normalmente, o que todos sabem é que os meios de comunicação são disponibilizados às pessoas para levar-lhes informação, entretenimento e educação – funções, inclusive, que não são respeitadas pelos “controladores” das empresas midiáticas. Na televisão, por exemplo, veículo que atinge quase 100% do território brasileiro, observa-se que as redes de televisão aberta vendem espaços em prol de sustentabilidade econômica dos empresários, ignorando o fato que é uma concessão feita por 15 anos pelo governo federal e que têm a responsabilidade de levar conteúdos de qualidade – coisas que nunca foram levadas a sério na maioria dos países do mundo – à população.
Pior ainda é perceber que regulamentação, algo que se deve exigir dos governantes, não é encarada com a devida importância nesses espaços, pois, para muitos, é um assunto complexo e que só cabe a legisladores. Equívoco que acaba confundindo a sociedade e abrindo espaços para empresários e políticos que insistem em burlar a Constituição e a “manipular” as Leis. Exemplo disso é o que vem acontecendo no Brasil, onde o tema legislação da mídia não é discutido e nem provoca sedução em pesquisadores, alunos, professores e na sociedade civil. A conseqüência disso é o fortalecimento de conglomerados empresariais, resultando em oligopólios e, em muitos casos, monopólios de nichos midiáticos; políticos formando grupos midiáticos; enfraquecimento da legislação comunicacional; e “manipulação” da programação midiática, oferecendo, em muitos casos, mentiras e deturpações da realidade.
Com a falta de entendimento da legislação, observa-se que não é de conhecimento de todos como funciona ou deveria funcionar a mídia. Muitos, até hoje, acreditam que um empresário da área televisiva ou radiofônica é dono do veículo (acham que ele comprou) ou, independente do meio de comunicação, tem o direito de falar ou de levar qualquer coisa à população, sem responsabilidade de trabalhar com a verdade.
Além dos meios tradicionais (rádio, TV, jornal e revistas), acredita-se que a nova mídia (Internet, TV por assinatura e TV digital) não requer legislação e pode ser trabalhada de qualquer maneira sem compromissos e responsabilidade, ignorando, assim, a potencialidade de cada um.
Dessa forma, diante de tantos equívocos e reconhecendo o potencial de cada veículo de comunicação, não se pode permitir que um tema de interesse de todos(as) seja tratado superficialmente; que nenhum posicionamento documentado seja tirado nos eventos; e que não se torne uma bandeira de luta e de cobrança da população que precisa ter acesso à realidade.
Tema que exige o compromisso de todos e todas
Ao entrevistar a coordenadora-geral da 5ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, Firdoze Bulbulia, questionou-se se o evento, que será realizado na última semana de março de 2007, na cidade de Johannesburg, na África do Sul, está organizando algo com o Fórum Social Mundial que, no mesmo ano será realizado na África – provavelmente, na África do Sul. Bulbulia, mulher que lutou contra as opressões sofridas pelos africanos, disse que ainda não se pensou em nada, uma vez que cada evento tenta trabalhar com programações específicas, mas, que iriam tentar conversar com a organização do Fórum. Todos têm convicção que é preciso fazer mais, porém, não se pode deixar de somar. São dois grandes eventos mundiais que chamarão a atenção de governos, empresas e da sociedade de todos os países do mundo.
Por sua vez, a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação não pode ser vista como um evento isolado, defendido apenas por alguns “setores” da sociedade civil. Tanto na CMSI quanto no FSM e na CMMCA debate-se a comunicação como um direito de todos, analisando-se o porquê de não se ter uma mídia de qualidade, considerando-se também que os conglomerados midiáticos não podem continuar concentrando e dominando a comunicação dos países, calando as comunidades, inclusive seus jovens. Dessa forma, a sociedade civil precisa conectar os eventos em que está envolvida, trabalhando em conjunto para que, na sociedade da informação que está sendo concebida, a comunicação se torne, realmente, um direito de todos e todas, para que os documentos definidos nesses espaços não sejam ignorados.
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