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Comunicação, tecnologia e segurança: trilogia que pode ser compatível
por Profª Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo Eletrônico SETE PONTOS
Com o desenvolvimento das novas tecnologias no campo comunicacional e tratados de entendimento mútuo assinados entre os representantes políticos dos países, esperava-se um mundo com um futuro mais tranqüilo. Porém, com tantos artefatos, ao mesmo tempo em que se tornou possível trocar informações com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, programas de espionagem, mostrados em filmes de investigação, passaram a fazer parte do dia-a-dia das pessoas. Hoje, em todos os lugares, encontra-se uma câmera ligada e um cartaz – “sorria, você está sendo filmado!”. Além disso, os países mais poderosos do mundo se acharam no direito de “controlar” a população mundial, prendendo e até “matando” os que consideram suspeitos ou culpados por coisas que determinam como erradas.
Países como Estados Unidos, além dos europeus, passaram a fazer espionagem industrial e econômica em relação aos concorrentes no “Livre Mercado” e, em nome da luta contra o terror, vêm controlando os sistemas de comunicação via satélite e por Internet, mostrando à população mundial que comunicação, tecnologia e segurança não andam juntas.
Controle americano
Os Estados Unidos, uma das maiores potências econômicas mundiais, além de tentarem “mandar” na economia dos demais países, nos últimos meses vêm “xeretando” as informações da maioria dos habitantes da Terra e acompanhando de perto os que estão morando no país. Hoje, tudo que vem sendo dito e escrito na Internet, além da telefonia, é analisado de perto pelo governo da Casa Branca.
De acordo com o professor de Sociologia e Ciência Política, Silvio Costa, depois do 11 de setembro, o país norte-americano se autonomeou “protetor do mundo”, tentando decidir o destino da humanidade e ignorando os princípios éticos e humanitários. Assim, em combate ao terrorismo, criou o Departamento de Segurança Interna, com censura telefônica e prisões sem autorização judicial, além de rastrear a Internet.
No cenário internacional, não admitem que as tropas e “as forças de paz” sejam submetidas à Corte Penal Internacional, não aderiram ao Acordo de Kyoto - compromisso para reduzir emissão de gases que provocam o efeito estufa - e não admitem a intromissão de nenhum país em suas políticas e estratégias econômicas e militares.
Sistema Echelon
Para vigiar e interceptar dados, as agências de inteligência da Austrália, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Nova Zelândia, em 1971, baseados no tratado UKUSA, de 1947, se organizaram e criaram um poderoso sistema que verifica as informações provenientes de satélites, Internet, telefonia, transmissões de rádio e até comunicações subaquáticas, o Echelon. Também chamado de ‘grampo global”, operado pela Agência de Segurança Nacional norte-americana, a NSA.
São mais de 100 satélites Vortex que retêm comunicações repassadas através de instrumentos eletrônicos e digitais em qualquer lugar do mundo. Ou seja, os cinco países têm acesso a qualquer tipo de informação. “Segredos de Estado”, sejam políticos, econômicos ou até mesmo industriais são “controlados” e “liberados” aos cinco países. A famosa espionagem da Guerra Fria se fortaleceu nestes locais, burlando todos os acordos e promessas de paz.
Porém, para tentar amenizar e, ao mesmo tempo, entender a situação, a Eurocâmara criou, em junho de 2000, uma comissão parlamentar para investigar o sistema Echelon, reconhecendo sua existência e atuação, mas, sem nenhum posicionamento definitivo do Parlamento Europeu.
Apesar de o Echelon ser visto por muitos como exagero, é fato que ele é realidade no cenário internacional. Sua atuação, mesmo sendo questionável e inaceitável, ainda não pôde ser detida por que muitos países têm medo da reação dos norte-americanos e de seus aliados. Mas, mesmo sendo um grande desafio e inimigo que se impõe diante da maior parte da população mundial, ninguém deve ignorar sua existência nem temer seu poderio.
Vírus e sites de relacionamento são alvos
Para piorar a situação das pessoas que utilizam a Internet como um meio de comunicação, empresas passaram a criar vírus, induzindo os internautas à compra de “programas de proteção”. Além disso, jovens que dominam a tecnologia da Grande Rede, com instinto de enriquecimento ilícito, passaram a roubar dados particulares (bancários, principalmente) e a provar para si, seus amigos e, até mesmo, grandes empresas, que não é seguro trabalhar com dados em veículos comunicacionais. Até mesmo os sites de relacionamento como o Orkut, do Google, já são alvo de investigação e de roubo de informações.
Com o avanço das tecnologias na área comunicacional, a segurança deveria ser uma realidade, porém, como observa-se, governos, empresas e até mesmo pessoas comuns roubam, controlam e interceptam informações. Para evitar que "atos ilicítos e prejudiciais" sejam mantidos, faz-se necessário reivindicar que os culpados sejam punidos. Eventos como a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação devem ser trabalhados com reivindicações mais pontuais, exigindo-se que o governo e as empresas cumpram seu papel diante da população e que a segurança não seja sinônimo de censura ou espionagem, mas, sim de um controle público por parte de todos os setores envolvidos. |