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Brasil mais Plural: alter(des)globalização e os processos de Comunicação
por Prof Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS
A oitava edição do projeto Brasil Plural começou em Munique (Alemanha), no período de 13 a 16 de outubro deste ano e ainda percorrerá outras 11 cidades em três diferentes países (Alemanha, Suíça e Áustria) até o mês de janeiro de 2006. Vem se tornando uma referência internacional da produção audiovisual brasileira no exterior, visando o engajamento e conseqüente inserção no mercado mundial de talentos brasileiros (atores, diretores, fotográfos etc), ainda desconhecidos fora do país.
Nascido da vontade de apresentar o Brasil com suas particularidades e pluralidades, além de divulgar a variedade da produção audiovisual brasileira no segundo maior mercado de cinema do mundo, o projeto conta com o apoio oficial do Goethe Institut, da Secretaria de Cultura de Munique, da Casa do Brasil e.V. (Associação Cultural em Munique), do Deutsches Filmmuseum, do CCBF (Centro Cultural Brasileiro em Frankfurt), Dona Flor (Associação Cultural Brasileira de Freiburg) e, do lado brasileiro, do Ministério da Cultura e Ministério das Relações Exteriores.
Proposta de debates e relação com o público
Neste ano, a edição de Munique do Festival Brasil Plural contou também com a realização do Brasil mais Plural: uma iniciativa voltada para a exibição e o debate sobre a produção audiovisual relacionada a diversas temáticas de organizações sociais e movimentos populares.
Estiveram participando desta primeira edição, como convidados da organização do evento, a Coordenadora Estadual de Educação do MST, Fernanda Matheus, que falou sobre as temáticas abordadas nos documentários “Ocupar, resistir e produzir”, de Márcia Paraíso, uma das co-organizadoras do festival e “Zé Pureza”, de Marcelo Ernandez, e Adilson Cabral, professor de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense, que abordou o papel do audiovisual no processo de desglobalização cultural através da produção de imagens e discursos diferenciados, a partir da exibição do vídeo “Mulher na Mídia”, realizado pela Rede Jovem da Cidadania, uma iniciativa da Associação Imagem Comunitária, de Belo Horizonte.
Essa Mostra foi organizada em Munique pela ONG Polemika, uma rede teuto-brasileira de realizadores a aficcionados na produção audiovisual, que tem por objetivo possibilitar que segmentos da sociedade que dificilmente teriam acesso aos meios audiovisuais de produção, possam também ser incluídos nesse processo produtivo. O Brasil Mais Plural foi realizado no dia 18 de outubro, em duas etapas: pela manhã na Faculdade de Serviço Social da Universidade de Munique de Ciências Aplicadas, e à noite no Eine Welt Haus, um prestigiado centro cultural de divulgação e de exposição das pluralidades dos povos e etnias de todo o mundo.
Para 2006, a proposta do Brasil Mais Plural, além de exibir e debater vídeos sobre as mais diferentes temáticas, é promover oficinas de realização de vídeos e fotografia, trabalhando todo o processo de forma conjugada e a exibição posterior do resultado desse trabalho, seguida de amplo debate.
Contraste entre duas realidades
Como a proposta do evento como um todo, a da Mostra Brasil mais Plural consistiu num encontro entre duas realidades distintas, no qual a troca de impressões e o interesse nas realidades comuns se mostraram evidentes no decorrer do evento. O contraste entre um país como o Brasil, que tem na questão dos latifúndios de terra e das ondas de radiodifusão um de seus maiores problemas, capaz de evidenciar a violação constante aos direitos humanos por parte das autoridades públicas, e um país como a Alemanha, cuja funcionalidade das políticas públicas sublima a evidenciação de distinções culturais na sua relação com outros povos.
Tanto para brasileiros moradores e visitantes (no caso, a parte brasileira da organização do encontro), como também para alemães, a riqueza desse choque de realidades foi perceber que há efetivamente muito a trocar entre pessoas, grupos e organizações que atuam em campos semelhantes embora partindo de realidades distintas, na medida em que a capacidade de superação brasileira no olhar sobre nossas realidades pode ser capaz de contribuir para a compreensão da complexidade de um processo de globalização que a sociedade precisa enxergar com olhos não somente alarmados, mas desafiadores, no sentido de construir um outro mundo possível.
E, no contexto comunicacional, que isso possa se traduzir na capacidade de conceber novas formas de controle dos meios e processos comunicacionais, de produzir nos meios disponíveis e viabilizar novas formas de expressão capazes de evidenciar diferenças que afirmem a riqueza da diversidade cultural, na qual todos aprendemos com todos e todos temos muito a ensinar. |