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Brasil e Canadá analisam a mídia e a diversidade cultural

por Profª Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

As políticas de comunicação hoje atendem as necessidades do ser humano? A diversidade cultural é um tema que pode ser ignorado pelos profissionais, ativistas, pesquisadores e professores da área comunicacional? Como reagir diante dos impasses impostos por governos e empresários e ter uma mídia de qualidade? Em busca de respostas, pesquisadores brasileiros e canadenses, tendo a participação de alguns norte-americanos, da área midiática se reuniram nos dias 11 e 12 de outubro no 2º Colóquio Canadá-Brasil em Comunicações, em Montreal (Canadá), analisando a realidade dos dois países a partir de pesquisas e experiências atuais.

Mídia e diversidade cultural
É fato que os grupos de mídia vêm se organizando e os conglomerados mundiais incorporam os menores, difundindo suas políticas nos países onde atuam. Esse poderio é possível porque governos da maioria dos países permitem a entrada e controle de seus meios de comunicação, através da desregulamentação de suas leis de comunicação, pelos grandes grupos midiáticos.
Graças ao poder e permissão dados aos conglomerados de mídia, os empresários do setor passam a intervir nas políticas e decisões dos governos. Exemplos disso são a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação e as demais reuniões da Organização das Nações Unidas, como a Convenção da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) sobre a Diversidade Cultural.
A diversidade cultural entrou em pauta, oficialmente, nas reuniões da Unesco em 2001 com a aprovação da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural. Documento este que causou polêmica nos países desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos, uma vez que produz e distribui seus filmes para quase todos os países do mundo, como o Brasil que exibe mais de 50% de produção cinematográfica americana nas redes de televisão aberta, além das salas de cinema.
Como verificou o pesquisador Dênis de Moraes, da Universidade Federal Fluminense, “a produção e a difusão culturais estão imersas na lógica do lucro que preside a expansão da forma-mercadoria nos diferentes domínios da vida social”. Ganhar dinheiro, tornar os bens culturais em moeda de troca, proporcionando lucro às empresas midiáticas sempre foi uma meta no mercado comunicacional.
Porém, com o empenho da sociedade civil e a percepção dos governos que a cultura de cada país deve ser preservada, não tendo a obrigação de absorver os produtos culturais de outros países, no dia 20 de outubro a Convenção sobre a Diversidade Cultural foi aprovada por 148 membros da agência cultural da ONU, mas precisando ser retificada por, pelo menos, 30 países em seus Congressos. Apenas os Estados Unidos e Israel votaram contra.
A derrota dos norte-americanos era algo inesperado por seus empresários, uma vez que, como o país é o maior exportador de bens culturais do mundo, não aceitavam perder seu domínio difundindo suas ideologias em outros lugares. Mas, como apontou o professor da Universidade do Estado da Flórida, Stephen McDowell, no país foram feitos movimentos a favor e contra a posição do governo, principalmente pela sociedade civil, deixando claro a possibilidade de perder na reunião da ONU. Entretanto, como observou McDowell, os Estados Unidos não desistirão de manter seu “poder” em outros locais.
Independente do que será definido pelos outros, o Brasil precisa assegurar sua diversidade cultural, como está fazendo o Canadá, não permitindo que os empresários da mídia continuem impondo o que é certo ou errado para os brasileiros. Além disso, incentivar os veículos de comunicação das comunidades, que tentam preservar suas raízes; e os bens culturais, como o cinema brasileiro que tenta retratar a identidade nacional.

Direito à comunicação
A comunicação deve ser um direito de todos. Algo que todos sabem, mas, não exigem dos governos como deveriam. O relacionamento dos políticos com os empresários da mídia, em busca de acordos recíprocos, apesar de ser algo inaceitável, é uma realidade que vem sendo construída em vários países, como o Brasil que ainda permite que o bem da população brasileira seja negociado.
Mas, como verificou a pesquisadora Doris Haussen, da PUC do Rio Grande do Sul, o Brasil é um país com mais de 184 milhões de habitantes que escutam mais de 3600 emissoras tradicionais de rádio. Um veículo que “se por um lado auxiliou na construção de uma identidade nacional, por outro também contribuiu para o fortalecimento de identidades regionais, devido as suas características intrínsecas de proximidade com o local”. Ou seja, é um veículo que atinge a vida das pessoas. E, como tal, deve auxiliar as comunidades.
No caso da televisão, o pesquisador Edgard Rebouças, da Universidade Federal de Pernambuco, chegou à conclusão que a televisão no Brasil e no Canadá continuam sendo jogo de forças entre os empresários e a sociedade, pois, não se deve ignorar que “quem paga controla e ao controlar determina os padrões da programação”.
Dessa forma, não se pode permitir que o empresariado repasse programas sem qualidade à população. Pois, como observou o investigador da Universidade Federal Fluminense, Luis Carlos Lopes, o telejornalismo no Brasil é de “importância vital para a formação das consciências, no que se refere às percepções da vida econômica, do entorno social, dos eventos políticos e da agenda cultural”.
No caso da Internet, que também foi foco de análise, não se deve permitir que ela continue sendo gerenciada pelos norte-americanos. Além disso, os governos precisam garantir as tecnologias de informação e comunicação a todos, sem softwares proprietários e com infra-estrutura adequada.

Partindo para a ação
Além de analisar a realidade midiática nos dois países, brasileiros e canadenses perceberam que é preciso continuar agindo. Deve-se pesquisar e dividir o conhecimento adquirido com a população, tornando-a consciente e auxiliando-a na busca de soluções para a sua realidade.
O trabalho que vem sendo feito pelos pesquisadores e ativistas brasileiros no informativo eletrônico Sete Pontos, apresentado no evento, foi considerado um exemplo do que deve ser feito pela comunidade acadêmica e a sociedade civil. Pois, é preciso entender o que está sendo discutido nos cenário local e internacional sobre a mídia e as tecnologias de comunicação e informação, trabalhando junto com todos para concretizar a sociedade do conhecimento.

 

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Brasil e Canadá analisam a mídia e a diversidade cultural,
por Profª Eula Cabral
A realidade midiática e a diversidade cultural foram focos de análise de pesquisadores brasileiros e canadenses que chegaram à conclusão que é preciso continuar agindo. Deve-se pesquisar e dividir o conhecimento adquirido com a população, tornando-a consciente e auxiliando-a na busca de soluções para a sua realidade. (texto completo)

 

 

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