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FNDC debate a mídia brasileira
Por
Naira Rosana
estudante de jornalismo
Um movimento social formado por diversas entidades, como ONGs, sindicatos e partidos, e pessoas que discutem e deliberam propostas voltadas para ampliar o acesso aos meios de comunicação no Brasil é o que propõe o FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Com sua direção executiva, o Fórum articula debates e constrói lutas contra a quebra dos monopólios e oligopólios das mídias. E foi com este objetivo que realizaram a XII Plenária do Fórum, em Belo Horizonte (MG).
FNDC
Um setor que caminha a passos curtos no Brasil é o das políticas públicas de comunicação. Tanto por parte da falta de engajamento das organizações da sociedade civil como pela histórica relação de proximidade e beneficiamento entre Estado e mercado nessa área.
Para mediar o relacionamento entre o público e o privado, o FNDC, que foi criado em 1991, aposta na concepção de Estado democrático, num espaço comum dentre as experiências de comunicação entre o empresariado e a sociedade civil, buscando soluções consensuais e democráticas. Entre suas atuações simultâneas em várias frentes estão: a implantação do Conselho de Comunicação Social, a disputa da regulamentação da TV a Cabo e da elaboração de uma nova Lei de Imprensa - que posteriormente, resultou no projeto da Lei da Informação Democrática - e, também, um pouco mais tarde, a luta pela reestruturação da Rede Manchete, além da Lei de Radiodifusão Comunitária e na regulamentação das novas tecnologias de transmissão de sinais de TV.
Um dos maiores problemas nessa luta é a ausência do conhecimento sobre a comunicação entre as várias organizações das pessoas, o que acarreta um espaço na discussão sobre as políticas públicas de comunicação por parte dos outros movimentos sociais. Um maior exemplo disso é a discussão no legislativo sobre as novas tecnologias de transmissão, que estão sempre sendo implementadas pelo mercado antes da legislação, sem que a sociedade nem saiba exatamente o que está acontecendo, só cabendo a sua participação enquanto público consumidor.
De acordo com a estudante de jornalismo Heloísa Castro, o FNDC usa de poucos recursos de divulgações. “Somente quando o fórum se propuser a construir o movimento com a base de todas as classes sociais, com campanhas explicativas, que levem o questionamento do papel da população no controle dos meios de comunicação em campanhas nacionais”, afirma.
Aconteceu na XII Plenária
Segundo o site do FNDC, a XII Plenária do Fórum teve 24 delegados e 35 observadores inscritos conforme as normas do evento. De acordo com os dados da Secretaria Executiva do FNDC, nove entidades nacionais associadas ao FNDC e nove comitês regionais de seis estados participaram. Outros nove estados enviaram representantes como observadores individuais. Hoje, o Fórum possui um total de 124 entidades associadas, sendo 15 nacionais e 109 ligadas aos comitês regionais.
Um total de 27 teses foram inscritas para a XII Plenária do Fórum, que ocorreu no período de 28 a 30 de Outubro, no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais (CREA-MG). Foram levantadas Teses sobre formação de grupos de estudo e trabalho (GETs), distribuídas entre os seus cinco temas: Legislação e Regulação da Comunicação Social, Tecnologia digital e Mudança Social, Concentração dos Meios e Conglomerados de Mídia, Alfabetização para Leitura Crítica da Mídia, Radiodifusão Pública e Comunicação Comunitária.
Foram três dias de análises e propostas de ação. Segundo o site oficial, no primeiro dia cerca de 50 pessoas, entre integrantes de movimentos civis e representantes do governo federal, compareceram ao encontro. A digitalização das comunicações, especialmente a implantação da TV Digital no Brasil, foi o tema central discutido pelo representante do Ministério das Comunicações (Minicom), coordenador geral de Avaliação de Outorgas do Ministério das Comunicações, Waldemar Gonçalves, que esclareceu que o governo optou por montar um estudo competente para adoção do sistema de digitalização no Brasil, ao invés de importar a tecnologia. Um outro tema pautado foi a radiodifusão, onde o ministério quer acelerar os processos de outorga de radiodifusão comunitária em andamento, com previsão para o ano que vem. No segundo dia, o debate reuniu na mesa representantes da Casa Civil e Ministério das Comunicações, que fizeram uma análise sobre a Legislação de Comunicação Social.
A respeito do tema Concentração dos Meios e Conglomerados de Mídia, prática dos conglomerados em absorver ou fazer parcerias com grupos menores, a discussão foi analisada no ponto em que a concentração da mídia fica nas mãos de poucas empresas, resultando na falta de democratização da informação. “De fato, a lógica que rege essas empresas é a do mercado. E não da sociedade, visto que só chega para nós o que for de interesse deles. Como é o caso dos grandes grupos: Globo, SBT, Folha de São Paulo dentre outros”, afirmou o sociólogo Bernardo Medeiros da Silva.
Mais informações: http://www.fndc.org.br
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