OurMedia

  


Comunicação é debatida por redes de direitos humanos em Bissau

por Prof Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

A RENLUV GC – uma organização com sede em Guiné-Bissau que atua no combate à violência baseada no gênero e na criança – promoveu a I Conferência Internacional de Luta contra a violência baseada no gênero e nas crianças, na cidade de Bissau, capital do país, de 22 a 24 de novembro.
Estiveram presentes cerca de 150 pessoas de várias organizações que fazem parte da RENLUV, bem como outras organizações de diversas regiões do país, que assistiram apresentações de representantes do governo de Guiné-Bissau e de redes como a CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e a CEDEAO – Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, que se mostraram preocupados com a situação do país e da região e se dispuseram a apoiar a atuação da RENLUV.
A Conferência contou com cinco painéis sobre direitos da mulher, direitos das crianças, proteção às vítimas, para-militares e comunicação, com a presença de convidados estrangeiros de países ligados à CPLP: de Moçambique, uma representante da Delegacia de Mulheres ligada ao Ministério do Interior da cidade, de Senegal, uma ativista de um Comitê pela Paz situado em Casamanche, uma região em conflito pela independência de Senegal desde 1982, além de uma representante de Portugal que chegou a trabalhar em Guiné-Bissau por vários anos.

Comunicação no combate à violência
O painel sobre a comunicação contou com a participação de vários jornalistas locais, participantes de uma rádio estatal, uma rádio privada, um jornal impresso, uma agência de notícias e diversas rádios comunitárias que fazem parte da Rede Nacional de Rádios Comunitárias (RENARC), que anteriormente já havia contado com a capacitação da União Nacional de Redes Radiofônicas (UNIRR) e hoje já rende frutos do trabalho empreendido, tendo um projeto de expansão para 22 emissoras, apoiado pela Rádio Netherlands, da Holanda. Também haviam poucos representantes de organizações sociais no painel, que desenvolviam ou estavam interessados no desenvolvimento de trabalhos em comunicação.
Os participantes do painel falavam entre si em creole, principalmente para debater a política local, seus problemas e apreensões. Para possibilitar a interação com o painelista e contribuir nos resultados do próprio painel, tinham a gentileza de traduzir suas conversas para o português. Em relação à comunicação em Bissau, suas maiores preocupações se voltavam para a estrutura das rádios, a necessidade de uma regulação mais compatível com o papel da comunicação no país e a formação de uma rede de jornalistas que possa interagir com redes de organizações sociais, como a própria RENLUV.
Tendo homens em sua maioria, os trabalhos desenvolvidos evidenciaram a necessidade de não só incentivar a formação de mulheres comunicadoras, como também aproximar os meios de comunicação das comunidades, através das escolas, das famílias e de centros comunitários que estão inclusive no plano de ação imediato da RENLUV.
A rede contou com o apoio da SNV, uma organização holandesa de cooperação para o desenvolvimento que atua em Bissau e outros países africanos, contribuindo para o fortalecimento das organizações da sociedade civil e a formação de redes a partir da capacitação e de assessoria.

Um país a reconstruir
O país reencontra seu processo de democratização com a eleição recente de seu presidente da República, João Bernardo “Nino” Vieira e a formação de um governo que contribua para o fortalecimento depende do envolvimento, da contribuição da sociedade civil em Guiné-Bissau, bem como do apoio internacional ao país.
Lula foi o primeiro presidente do Brasil a visitar o país, tendo ido recentemente com o Ministro Gilberto Gil numa rápida visita. Entretanto, a relação do Brasil com este e outros países no contexto da CPLP se mostra cada vez mais necessária tanto no enfrentamento dos problemas que temos em comum, como a violência contra a mulher no contexto familiar e de trabalho, como no apoio à superação de problemas específicos, como a mutilação genital de 40% das mulheres a partir de um ritual de iniciação à fase adulta com base em crenças e tradições locais.
Ao final da conferência, no dia 25 de novembro, foi realizada uma marcha pelo Dia Internacional de luta contra a violência na mulher, que passou pelas principais ruas de Bissau, pela sede da Presidência da República e do Ministério da Justiça, sendo recebida pelos respectivos representantes.

Fim para um novo começo
A Conferência terminou, mas seus resultados apontam para o início de trabalhos bastante frutíferos, num contexto de fortalecimento do bloco da África Ocidental, com a realização próxima do VI Fórum Social Mundial em Bamako (Mali) e do Fórum Social Africano, de 1 a 5 de dezembro na cidade de Conacri, próxima a Bissau.
Necessita do envolvimento e da vontade política de todos e todas, no âmbito local, regional e global, dos governos e da sociedade civil, para fazer dos “discursos açucarados” – expressão utilizada por um participante do painel de comunicação, referindo-se às falas e documentos de políticos que não se implementam, cena bastante peculiar à qualquer país – projetos e ações que contribuam para fortalecer os direitos humanos em Guiné-Bissau e região.

Para mais informações:
- RENLUV: renluv gb@hotmaiLcom
- SNV: snv@snv.bissau.net

 

Apropriação social das TICs
Digitalização das rádios comunitárias: quem vai pagar a conta?, por Prof. Adilson Cabral
Diante de um futuro em que as rádios funcionarão apenas no formato digital, após um período de transição que poderá ser de até 10 anos, cabe perguntar quem pagará a conta dos equipamentos para garantir a transmissão das rádios comunitárias, independentemente do sistema digital a ser adotado no país. (texto completo)

Acesso Público
Sociedade brasileira ganha vitória na Justiça contra Rede TV!
,
por Profª Eula Cabral
Desde outubro, a sociedade civil e o Ministério Público Federal se levantaram contra a Rede TV! por permitir a violação dos direitos humanos e manifestações contra o homossexualismo no programa “Tarde Quente”. Luta difícil, mas que rendeu vitória histórica para a sociedade brasileira. (texto completo)

Soluções e usos
Muitos esforços - Trabalho ativista em movimentos sociais: Myoungjoon Kim, entrevista por Gabriele Hadl, tradução Sheila Morello
Ele é um trabalhador ativista, um fabricante de documentários, um criador de redes de contatos, um organizador social, um lobista da política da mídia e um pensador estratégico. Seu trabalho é catalisar movimentos para a TV pública, a rádio comunitária, e isto já inspirou incontáveis povos a criar uma sociedade mais democrática em termos de comunicação. (texto completo)

 

 

Do local ao global
CMSI no século XXI: dos documentos à ação
,
por Profª Eula Cabral
A CMSI conseguiu reunir governos, empresas e sociedade civil em busca de soluções para a tão “sonhada” sociedade da informação. Porém, é preciso ir além: transformá-la na sociedade do conhecimento. Algo que só será possível se os atores envolvidos se unirem e lutarem juntos, pois, é preciso trabalhar em prol do homem para que o século XXI tenha como meta o ser humano, e não a tecnologia.
(texto completo)

NossosMeios
Comunicação é debatida por redes de direitos humanos em Bissau
, por Prof. Adilson Cabral
Em busca do processo de redemocratização e dos direitos humanos, foi realizado em Guiné-Bissau a I Conferência Internacional de Luta contra a violência baseada no gênero e nas crianças. Dividido em cinco painéis, no de comunicação as maiores preocupações eram a estrutura das rádios, regulação mais compatível com o papel da comunicação no país e formação de uma rede de jornalistas que possa interagir com organizações sociais. (texto completo)

CONTRIBUA - Mande você também uma matéria ou sugestão para nosso informativo.
Envie email para acabral@comunicacao.pro.br


Lembramos aos interessados em receber os próximos SETE PONTOS que assinem o informativo, enviando um email para setepontos-subscribe@yahoogrupos.com.br