OurMedia

  


Sociedade brasileira ganha vitória na Justiça contra Rede TV!

por Profª Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

A qualidade da programação na TV sempre foi algo questionável no Brasil. Apesar das críticas levantadas pela sociedade civil, os inúmeros pedidos eram ignorados pela Justiça. Porém, os meses de outubro e novembro mostraram que a realidade poderia ser diferente.
Desde outubro, a sociedade civil e o Ministério Público Federal se levantaram contra a Rede TV! por permitir a violação dos direitos humanos e manifestações contra o homossexualismo no programa “Tarde Quente”, apresentado por João Kleber. A ação civil pública pedia a cassação da emissora – uma vez que é uma concessão pública, a suspensão do programa, direito de resposta, custeado pela emissora, e indenização por dano moral coletivo, de R$ 20 milhões.
O pedido foi feito pelo Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, Sergio Suiama, e pelas organizações sociais: Centro de Direitos Humanos; Associação da Parada do Orgulho dos Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo; Associação de Incentivo à Educação e Saúde de São Paulo (AIESSP); ONG Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social; Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual (ABCDS); e Identidade – Grupo de Ação pela Cidadania Homossexual.

Posicionamento da Justiça
No dia 04 de novembro a Justiça concedeu liminar favorável ao pedido do Ministério Público Federal e das organizações da sociedade civil no que tange ao direito de resposta, com a exibição de programas sobre direitos humanos e contra a discriminação sexual, no mesmo horário do programa “Tarde Quente”.
Deixou claro que a Rede TV! deveria exibir até o dia 13 de novembro a reprise de noticiários. No período de 14 de novembro a 5 de janeiro iriam ao ar programas educativos, sendo que dez seriam bancados pela emissora, além de todos os custos de transmissão durante a época da resposta. Além disso, depois de 5 de janeiro, a emissora deveria mudar o programa “Tarde Quente” para depois de 23h30, não podendo expor em seus quadros homossexuais, travestis, transexuais, bissexuais e transgêneros. Caso a decisão fosse descumprida, a Rede TV! pagaria uma multa diária de R$ 200 mil.
Como a Rede TV! ignorou a determinação da Justiça, no dia 14 de novembro, com a liminar solicitada pelo Ministério Público Federal, a juíza Rosana Ferri Vidor determinou a interrupção imediata das transmissões da emissora. A Anatel lacrou o transmissor em São Paulo às 21h do dia 14, porém, como não conseguiu lacrar o centro de exibição da emissora que fica na cidade de Barueri, não foram interrompidas as transmissões pela TV a cabo, satélite e para os demais estados do Brasil. Porém, o corte em São Paulo abalou o mercado publicitário, levando a Rede TV! propor um acordo, restabelecendo o sinal da antena no dia 15, às 22h15.
O acordo judicial da Rede TV! com o Ministério Público Federal e as ONGs foi assinado no dia 15 de novembro, onde a emissora se comprometeu a exibir em rede nacional 30 programas com conteúdo de direitos humanos, de segunda a sexta-feira, no horário das 17 às 18 horas, no período de 05 de dezembro de 2005 a 13 de janeiro de 2006, sem intervalos comerciais ou campanha publicitária. Além disso, pagar R$200 mil para a produção dos programas; depositar na conta-corrente do Fundo de Defesa de Direitos Difusos, instituído pela Lei Federal no 7.347/85, R$ 400.000,00.
A emissora comprometeu-se, também, a se abster de exibir, no quadro “Pegadinhas”, “Teste de Fidelidade” ou outro similar, ofensas a homossexuais, afrodescendentes, mulheres, idosos, pessoas com deficiência, indígenas, crianças e adolescentes; ofensas ou humilhações a pessoas comuns do povo; xingamentos ou palavras de baixo calão; além disso, não exibir no quadro “Teste de Fidelidade” ou outro similar, mulheres sendo “testadas” por atores do programa; e cumprir fielmente a classificação indicativa realizada pelo Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação – DJCTQ, órgão integrante da Secretaria Nacional de Justiça.
Em contrapartida, o Ministério Público Federal e as seis organizações sociais se obrigaram a entregar os programas de direitos humanos à emissora para exibi-los no período e horário acordado na Justiça, se abstendo de fazer referências ou comentários negativos à Rede TV!; utilizar os recursos financeiros de R$ 200 mil na produção, criação e edição dos programas.
Com o acordo judicial assinado por todos, a emissora pôde retomar suas transmissões, tendo o pedido de cassação de sua concessão retirado.

Direito de resposta
As organizações sociais autoras da ação civil pública estão organizando o material para a produção dos 30 programas de direitos humanos, que irão ao ar no período de 05 de dezembro a 13 de janeiro de 2006. Dessa forma, para apresentar uma programação de qualidade, mostrando a diversidade e pluralidade brasileira, estão convidando todas as organizações que têm produções sobre direitos humanos para enviar seus materiais audiovisuais até o dia 05 de dezembro.
Mais informações poderão ser obtidas pelo email direitosderesposta@intervozes.org.br. Caso haja necessidade de conversar diretamente com os responsáveis pelo recebimento do material, deve-se ligar para Marcio Kameoka (11) 9605-6391; Wellington Costa (11) 8224-4290; Marcelo Dayrell (11) 8326-3040; Marcelo Gil ou Eder (11) 6831-1641; ou para Fernando Quaresma (11) 9264-7215.

 

Apropriação social das TICs
Digitalização das rádios comunitárias: quem vai pagar a conta?, por Prof. Adilson Cabral
Diante de um futuro em que as rádios funcionarão apenas no formato digital, após um período de transição que poderá ser de até 10 anos, cabe perguntar quem pagará a conta dos equipamentos para garantir a transmissão das rádios comunitárias, independentemente do sistema digital a ser adotado no país. (texto completo)

Acesso Público
Sociedade brasileira ganha vitória na Justiça contra Rede TV!
,
por Profª Eula Cabral
Desde outubro, a sociedade civil e o Ministério Público Federal se levantaram contra a Rede TV! por permitir a violação dos direitos humanos e manifestações contra o homossexualismo no programa “Tarde Quente”. Luta difícil, mas que rendeu vitória histórica para a sociedade brasileira. (texto completo)

Soluções e usos
Muitos esforços - Trabalho ativista em movimentos sociais: Myoungjoon Kim, entrevista por Gabriele Hadl, tradução Sheila Morello
Ele é um trabalhador ativista, um fabricante de documentários, um criador de redes de contatos, um organizador social, um lobista da política da mídia e um pensador estratégico. Seu trabalho é catalisar movimentos para a TV pública, a rádio comunitária, e isto já inspirou incontáveis povos a criar uma sociedade mais democrática em termos de comunicação. (texto completo)

 

 

Do local ao global
CMSI no século XXI: dos documentos à ação
,
por Profª Eula Cabral
A CMSI conseguiu reunir governos, empresas e sociedade civil em busca de soluções para a tão “sonhada” sociedade da informação. Porém, é preciso ir além: transformá-la na sociedade do conhecimento. Algo que só será possível se os atores envolvidos se unirem e lutarem juntos, pois, é preciso trabalhar em prol do homem para que o século XXI tenha como meta o ser humano, e não a tecnologia.
(texto completo)

NossosMeios
Comunicação é debatida por redes de direitos humanos em Bissau
, por Prof. Adilson Cabral
Em busca do processo de redemocratização e dos direitos humanos, foi realizado em Guiné-Bissau a I Conferência Internacional de Luta contra a violência baseada no gênero e nas crianças. Dividido em cinco painéis, no de comunicação as maiores preocupações eram a estrutura das rádios, regulação mais compatível com o papel da comunicação no país e formação de uma rede de jornalistas que possa interagir com organizações sociais. (texto completo)

CONTRIBUA - Mande você também uma matéria ou sugestão para nosso informativo.
Envie email para acabral@comunicacao.pro.br


Lembramos aos interessados em receber os próximos SETE PONTOS que assinem o informativo, enviando um email para setepontos-subscribe@yahoogrupos.com.br