| Crianças
brincam com teclado e mouse
Como as crianças são ensinadas a usar a Informática
e a Internet
por
Gabriella Ponte
5º período - Jornalismo
A
revolução tecnológica pode parecer um bicho
de sete cabeças para adultos e maiores de 60 anos, mas as
crianças da nova geração, mais especificamente
a partir dos três anos de idade, já começam
a ter contato com a informática sem demonstrar dificuldades.
Até porque, é na infância que as pessoas têm
mais facilidade de aprendizado. O ensino da informática está
sendo incentivado pelas escolas, principalmente as particulares,
e por entidades que realizam projetos para incluir as crianças
digitalmente.
O principal método utilizado para crianças a aprender
cores, números e objetos é através da linguagem
visual. A metodologia de antes era feita com cartazes, lápis
de cor, quadro negro e giz. Agora, são substituídos
por uma metodologia própria, feita através de softwares
voltados ao público infantil, como por exemplo o Paint (programa
de desenho). Pela telinha do computador, as crianças desenvolvem
conhecimento através de música, vídeos, fotografias
e jogos de conteúdo educativo.
Mas, para que tudo isso ocorra, são necessários modernos
equipamentos de informática e multimídia nas escolas,
encontrados, em sua maioria, nas particulares e não nas públicas,
por falta de verba. Ajudando na meta de inclusão dos baixinhos,
várias entidades estão realizando projetos.
O Instituto Microsiga realiza um projeto para jovens carentes que
oferece para entidades assistenciais da cidade de São Paulo
cursos de Windows e Internet, incluindo computadores, softwares,
instrutores, e material didático. O curso tem duração
de seis meses e, além de ensinar informática, dá
noções de cidadania, higiene pessoal, e discute temas
como drogas, meio ambiente e mercado de trabalho.
No Comitê pela Democratização da Informática
do Paraná existe um projeto em andamento com a mesma finalidade.
O CDI e a Sociedade Educacional Expoente lutam contra o analfabetismo
e a exclusão digital infantil. Muitas crianças do
país são de baixa renda e o computador se torna um
aparato fora de sua realidade. Essa união pretende atingir
as crianças usando uma metodologia especialmente desenvolvida
com softwares educacionais.
Alana Hamilton tem 13 anos e estuda no Colégio Nacional,
que é uma escola particular e possui uma gama de computadores
para serem usados por seus alunos desde o pré-escolar. Sua
mãe, Martha Hamilton, 39 anos, estudante de educação
física, diz que ensinar informática desde cedo é
essencial e que eles conseguem uma “boa noção
de vários programas como Word, Excel e até para fazer
homepage. Há uma troca de informações entre
os alunos e os professores. Os alunos de hoje estão evoluindo
de forma diferente de como os professores evoluíram na sua
época e, justamente por serem de gerações diferentes,
aprendem uns com os outros”.
Mas, ela comenta que o ensino de informática desde muito
cedo tem o seu lado negativo, pois “as crianças se
acomodam a achar tudo de suas pesquisas na Internet e, quando crescem,
isso pode influenciar nos trabalhos universitários. Encontro
muitas vezes alunos da minha sala, mais jovens que eu, que copiam
tudo da Internet. Eles, que são de classe média e
alta, tiveram como obter computador e Internet desde cedo. Isso
faz com que eles não levem os estudos tão a sério”.
Sobre as crianças que não têm oportunidade,
por não ter renda suficiente, ela fala que “justamente
esses são os mais esforçados, pois buscam sempre suprir
a falta dos computadores, correndo atrás e pesquisando em
outras fontes. O lado positivo é que algumas escolas públicas
conseguem algumas máquinas através de doações
e, em algumas favelas, existem grupos de incentivo ao uso de computadores
para crianças e jovens”.
Professora do Colégio Célio Rodrigues (particular)
e do Jardim Tia Merinha (público), Janaína Campos,
29 anos, explica que “leva as aulas prontas, mas, às
vezes, os alunos desbancam a minha explicação. Sempre
comparam a lição com as revistas em quadrinhos, desenhos
ou novelas que assistem, coisas que não conheço e
que acabo aprendendo com eles”. Ela fala que as aulas, mesmo
sendo no computador, “não podem ser mecânicas.
Elas precisam ser estimuladas e trazer as lições para
a realidade delas com brinquedos e cores”.
Ela condena o fato do ensino ser totalmente no computador, “pois
o ensino manual e informático tem que ser equilibrado, tanto
pelos pais quanto pela escola. Só com o uso da Internet como
fonte de pesquisa, os alunos esquecem dos livros e acabam não
desenvolvendo o raciocínio. O computador serve como um apoio
somente”.
Sobre o futuro, ela comenta que “poderiam alterar essa realidade,
pois, hoje em dia, tudo tem a ver com computador. Comparando os
meus alunos, de seis a sete anos, das duas escolas, os da escola
particular estão mais adiantados. Os da pública têm
dificuldade de evoluir, tendo em vista que as aulas são mais
‘mastigadas’. O computador é importante para
todos os aspectos sociais: trabalho, faculdade, namoro...”.
Os computadores oferecem um apoio no desenvolvimento educacional
das crianças, mas deve servir também para ajudar na
coordenação motora e nas suas fantasias. Jogos interativos
e softwares educacionais ajudam a desenvolver uma linha de raciocínio
necessária para a evolução mental do aluno.
Mas, o uso abusivo de computadores pode resultar em comodismo. O
que se deve fazer é controlar as aulas do computador e as
aulas manuais de pintura, massinha e desenhos, pois ambos ajudam
na formação do ser humano e devem ser concebidos como
complementos.
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