| Orçamento
participativo e compartilhado em código aberto
por
Profª Eula Cabral
Curso de Comunicação Social
da Universidade Estácio de Sá
Participar do orçamento participativo do Governo ainda é
o sonho de muitos cidadãos brasileiros, pois é um
meio de colaborar para a definição de como e em que
é gasto e investido o dinheiro do povo. Apesar de já
ser uma prática comum em algumas cidades, espera-se que seja
disponibilizado em todos os locais, principalmente agora quando
o governo passa a investir no programa e-Gov (governo eletrônico),
que tem como objetivo facilitar a vida do cidadão.
Idealizado pelo Governo Federal, o e-Gov (que reúne governos
locais, estaduais e federal) coloca à disposição
informações, serviços e programas online. Nele,
é possível disponibilizar serviços de utilidade
pública ao cidadão, acompanhar os processos do governo
- como os de licitação - e integrar órgãos
governamentais a organizações privadas e não-governamentais.
De acordo com o PhD em Administração Pública,
Belmiro Castor, no governo eletrônico “a Internet pode
ser o locus dessa democracia direta, a ágora eletrônica.
Nas comunidades maiores, a Internet pode ser o canal que o cidadão
utiliza para acionar seus representantes políticos e cobrar
sua atuação”, pois as pessoas passam a ter acesso
ao que ocorre nos Governos.
Também pode ser definido como o uso da tecnologia que melhora
o fornecimento de serviços para cidadãos, fornecedores
e servidores, desburocratizando e reduzindo os gastos e o tempo
na resolução de problemas. É o caso da Declaração
de Imposto de Renda das pessoas físicas. Os serviços
estão concentrados no portal Rede Governo.
Porém, mesmo tentando passar a imagem que haverá transparência
nas ações governamentais e que o povo poderá
acompanhar e opinar, o cientista político Rogério
Garcia Fernandez explica que "para que haja democracia eletrônica
é necessário não apenas a informação,
mas também 'participação política'.
O que está havendo hoje é a modernização
da administração pública".
E, em busca da participação política e do acesso
às informações e serviços disponibilizados
pelos Governos (locais, estaduais e federal), a sociedade civil
busca a inclusão digital da população e o uso
de softwares livres.
A tecnologia precisa ser assimilada da melhor maneira possível
e usada de forma consciente pela população. Pois,
como já foi visto em várias partes do país,
as escolas públicas que recebem computadores do governo não
utilizam as máquinas adequadamente, uma vez que não
têm pessoal qualificado nem treinamentos de seus profissionais
e alunos.
Quanto ao software livre, no dia seis de junho, na sessão
de encerramento do IV Fórum Internacional Software Livre,
em Porto Alegre, foi criado o Projeto Software Livre Brasil, com
o apoio do governo federal.
O uso do software livre vinha sendo pregado pelo governo Lula desde
o início do mandato, quando o Secretário de Logística
e Tecnologia da Informação, do Ministério do
Planejamento, Rogério Santanna, já afirmava que uma
das questões de grande interesse federal era o uso do software
livre em quiosques de acesso público. Hoje, de acordo com
o presidente do Instituto Nacional da Tecnologia da Informação
- órgão ligado à Casa Civil, Sergio Amadeu,
o software livre na administração Luis Inácio
Lula da Silva é objeto de ''política pública
de governo''.
E, como afirma Santanna, "o Governo Eletrônico estabeleceu
a diretriz de buscar a diminuição da dependência
de um fornecedor ou de fornecedores oligopolistas. O software livre
é uma alternativa na direção de reduzir custos
e diminuir a dependência tecnológica do país".
O Comprasnet será o primeiro grande sistema do setor público
a migrar para o software livre, como afirmou Santanna, durante o
IV Fórum Internacional de Software Livre ocorrido em Porto
Alegre nos dias 05 e 06 de junho. O Comprasnet é o Portal
de Compras do Governo Federal, um projeto do Ministério do
Planejamento, com suporte técnico do SERPRO e do Consórcio
Unysis/Vesta. Ele vem funcionando desde outubro de 2001. Nele, as
unidades de compras estão integradas a um sistema que permite
a consulta aos dados da Receita Federal, INSS, FGTS e Procuradoria
da Fazenda Nacional, além da realização de
150 pregões eletrônicos simultâneos.
E, como primeira atividade do Projeto Software Livre Brasil, nos
dias 19 e 20 de agosto, em encontro no Senado Federal, serão
divulgados à comunidade internacional o apoio e implantação
de softwares livres. O Projeto é inspirado no do Rio Grande
do Sul, líder da organização dos quatro fóruns
internacionais e incentivador do desenvolvimento de soluções
livres na administração pública, conseguindo
atrair várias empresas de tecnologia.
Se a adoção do software livre é considerada
estratégica por parte do governo, sua incorporação
numa possível prática de orçamento participativo,
em âmbito nacional, será uma experiência inédita
em todo o mundo que, se aliada a uma política eficiente de
disseminação tecnológica, proporcionará
à população o envolvimento direto na gestão
das verbas públicas que, em última análise,
não só deveria estar ao alcance de todos, como caberia
a todos os contribuintes por direito.
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