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Fórum Social Mundial e sua repercussão na mídia brasileira

por Profª Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

O VI Fórum Social Mundial é considerado um dos maiores eventos de encontro para a sociedade civil. É o momento em que a sociedade analisa seus problemas e implementa suas reivindicações, em busca de soluções. Mas, se tem tanta relevância para os povos em geral, qual cobertura a mídia faz do evento? No caso do Brasil, analisou-se o que a TV aberta divulgou para mais de 90% dos brasileiros que estavam no país acompanhando o noticiário internacional.

FSM para a televisão brasileira
O Brasil é um país com mais de 180 milhões de pessoas. O veículo que atinge a maior parte da população é a TV aberta. A TV Globo, por exemplo, já atinge mais de 90% do território brasileiro. O SBT, a Record, a Bandeirantes e a TV Educativa também não ficam tão atrás da líder em audiência e alcance.
Durante a realização do FSM, em Caracas, as notícias transmitidas sobre o evento voltavam-se mais para a presença dos brasileiros na maior parte da programação e nas festas promovidas no lugar, uma vez que a delegação era grande. Enquanto isso, políticos, líderes e representantes da sociedade civil participavam ativamente da programação em painéis, mesas-redondas, debates e palestras.
Mesmo com uma forte atuação e experiência dos eventos anteriores, a cobertura do Fórum foi uma decepção para os brasileiros que acompanham o FSM pela televisão. O interesse das empresas comerciais se voltava para mostrar o grande número de brasileiros, as festas e a presença dos políticos como José Dirceu que participou de um debate, recebendo várias críticas dos participantes.
Ao invés de mostrar Dirceu falando, ouvindo e respondendo os questionamentos, a notícia envolvia as falass do político e as críticas que recebeu, fazendo ponte com os acontecimentos brasileiros, ligando-o ao Partido dos Trabalhadores (PT) do presidente Lula. Não havia a mínima intenção em mostrar o que estava sendo discutido, as preocupações das pessoas que estavam ali representando os povos, o estava sendo reivindicado – e olhe que a Rede Globo colocou um repórter exclusivo para fazer a cobertura do evento.
O que foi o FSM? O que ele representou para a sociedade mundial? Por que ocorreu em Caracas? Por que os discursos de Chavez não foram mostrados e analisados pelos jornalistas brasileiros? Foi tirado algum documento? O que o mundo quer organizando eventos sociais? Qual a sua importância?
Questionamentos como esses foram ignorados pela imprensa televisiva brasileira.

Para a imprensa: Morales e Davos vendem mais
Saber que a imprensa olha para a notícia como um produto não é novidade para ninguém. Porém, definir o que interessa à população mundial é bem complicado!
O que mais foi divulgado na semana do FSM foi a posse do novo presidente da Bolívia, Evo Morales Ayma, e o encontro dos representantes dos países desenvolvidos e alguns em desenvolvimento, como o Brasil, em Davos (Suíça). Mesmo justificando a importância dos assuntos no cenário internacional, principalmente, no Brasil, uma vez que a eleição do novo presidente boliviano e a reunião na Suíça implicam em decisões econômicas no país, não se pode ignorar a importância de decisões que também precisam ser tomadas no cenário internacional em prol do bem-estar da população mundial. Mas, será que a vida do outro interessa aos governantes e empresários? Do ponto-de-vista da imprensa brasileira, não há interesse algum. É algo que não dá audiência. Não vende.
Essa visão deturpada da imprensa pode ser constatada, também, na falta de matérias no jornal “Valor Econômico” – voltado para empresários - sobre o FSM. Publicou-se de tudo sobre Davos. Até o uso de gravatas dos participantes. Mas, o que estava acontecendo em Caracas não foi considerado pauta para os jornalistas. Não foi interessante falar nem sobre o hotel oficial do evento – o Hilton – de um dos grupos hoteleiros mais ricos do mundo. Não foram feitos questionamentos. Ignorou-se, simplesmente, o FSM.

O que somos, o que queremos, o que fazemos
Continuar sendo assunto fora de pauta da mídia brasileira é algo que deve ser evitado pela sociedade civil. O cidadão que luta por seus direitos e cumpre seus deveres precisa aprender a trabalhar com a comunicação, divulgando quem é, o que quer e o que faz.
É fato que a mídia precisa se atualizar, abordando questões sociais em função de suas dinâmicas e implicações, a despeito de trabalhar em prol dos interesses políticos e empresariais, sustentando o sistema de opressão contra o qual o FSM se coloca.
Ao mesmo tempo, não se pode ignorar que falhas foram cometidas pela organização do VI FSM, não divulgando o que estava acontecendo no evento através de seu site oficial. Dias antes da abertura do Fórum liam-se notícias totalmente desatualizadas, não fornecendo dados suficientes para quem estava indo participar. Até mesmo informações sobre hospedagem eram limitadas. Deram um link da lista telefônica local, não deixando claro para os participantes o mapa geográfico do lugar, ignorando recomendações necessárias para um turista (segurança, alimentação etc), informações estas que se encontravam em eventos equivalentes de menor porte, realizados em Caracas.
Dessa forma, ao mesmo tempo em que a mídia pecou na cobertura e divulgação do evento para o mundo, os organizadores do FSM também não deram informações que contribuíssem para a participação das pessoas ou mesmo a capacitação dos profissionais de mídia em relação ao evento. Algo que deve ser revisto, pois, se queremos lutar por um mundo melhor, a partir da definição de estratégias e decisões a serem tomadas nesse evento de amplas proporções, precisamos nos articular e agir em conjunto com a sociedade.

 

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Mesmo sendo considerado um dos maiores eventos para a sociedade civil, o VI Fórum Social Mundial não teve uma cobertura adequada da imprensa brasileira. As notícias transmitidas voltavam-se mais para a presença dos brasileiros na maior parte da programação e nas festas promovidas no lugar, uma vez que a delegação era grande. Mas, é isso que queremos? (texto completo).

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