OurMedia

  


Sobre o pensamento crítico na comunicação: reflexões e constatações

por Prof Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

Com o título “Ciências da Informação e o Pensamento Crítico em Comunicação” realizou-se a mesa da União Latino-americana de Economia Política da Informação da Comunicação e da Cultura (ULEPICC) na sexta edição do Fórum Social Mundial. Frontalmente interessada nas articulações entre organizações acadêmicas e sociais, bem como na contribuição da comunicação para a transformação social, a ULEPICC busca se inserir nesse debate como um ator preocupado com a construção de conhecimentos capazes de servir como instrumento para fortalecer as organizações da sociedade civil.
A mesa contou com a participação de motivados estudantes da Venezuela e do Brasil, que puderam compartilhar a situação da Comunicação e das reflexões produzidas em seus países. Tratou-se de constituir como um dinâmico espaço de reflexão a partir de articulações e análises já existentes, implicando em demandas para os novos desafios impostos pelas corporações comunicacionais, como reflexo da expansão capitalista.
Foram debatidas perspectivas a partir dos campos de atuação na e a partir da academia, mais precisamente em relação a possibilidades de pesquisa e extensão no contato com iniciativas comunitárias e nas possibilidades de avaliação e monitoramento de grupos de mídia no âmbito global e regional em suas investidas nacionais e locais.

O lugar do pensamento crítico
Diante de tantas redes e associações de organizações e grupos em vários países da América Latina, contactadas com outras redes e inclusive integrando-as, cabe ao mesmo tempo reconhecer e ressaltar o papel da sociedade civil em produzir conhecimento crítico, compreendendo que a academia não pode ser tida como o único espaço desta produção, muito menos a Economia Política. Cabe ainda perceber a importância na academia nesse cenário, em interação com organizações da sociedade civil, proporcionando formas de compreensão de iniciativas, experiências e processos com implicações econômicas, políticas e culturais.
Por outro lado, o pensamento crítico na academia, especialmente aquele voltado para a compreensão, o envolvimento e o fortalecimento da sociedade civil, não se restringe apenas à dimensão de militância. Ao se tratar de um comprometimento, de um envolvimento dos cientistas num determinado campo (Comunicação), para um determinado propósito (proporcionar instrumentos à sociedade civil para a compreensão da realidade e o estabelecimento de estratégias e ações), os pesquisadores estabelecem desde já seus pontos de partida e suas vinculações, sem prejuízo da natureza de seus produtos.
Trata-se, portanto, de afirmar um papel para a academia no qual se possa contribuir com o que tem de mais inerente, que é a produção de conhecimento, gerando mecanismos de aproximação através de práticas de extensão, pesquisa e ensino nas quais caibam a compreensão dos meios e processos comunicacionais corporativos, bem como de organizações da sociedade civil, enfocando a regulação que os sustenta ou inviabiliza, as linguagens e temáticas que os diferenciam e suas formas de gestão e organização política.

Emergência, emergências
Foram também abordadas as formas de organização de meios e processos comunicacionais por parte da sociedade civil a partir da emergência como paradigma comunicacional. Este conceito, abordado por Steven Johnson em livro homônimo, está relacionado aos processos organizados de baixo para cima e de forma adaptativa, podendo ser compreendidos em relação às iniciativas comunicacionais da sociedade civil, tanto no desenvolvimento de experiências, quanto em relação às necessárias articulações políticas visando a democratização da comunicação.
Foram abordadas iniciativas relevantes no setor como a OurMedia, formada na ação conjunta de acadêmicos, militantes de ONGs e ativistas de comunicação; os laboratórios polimídia nos FSM desde a terceira edição, por consistirem na produção constante e contínua de conteúdos de mídia em oficinas coletivas e integradas; o Centro de Mídia Independente (CMI), organização que se articula na e a partir da Internet, em coletivos locais delimitados por cidades e a Campanha CRIS, articulada em capítulos nacionais em adesão com movimentos relacionados a outros direitos humanos e interagindo com eles em suas demandas.
A partir desses contatos com outras redes sociais de comunicação na América Latina, a ULEPICC estará se integrando à Campanha Continental pelos Direitos de Comunicação, reafirmada na edição do VI Fórum Social Mundial, que estará dimensionando e fortalecendo nossa atuação no continente a partir do contato direto com outras organizações promotoras, como a ALAI, a ALER, o IPS, dentre outros..

 

Do local ao global
Sobre o pensamento crítico na comunicação: reflexões e constatações,
por Prof. Adilson Cabral
Para entender e analisar as “Ciências da Informação e o Pensamento Crítico em Comunicação” realizou-se uma mesa redonda no VI FSM. Foi promovida pela União Latino-americana de Economia Política da Informação da Comunicação e da Cultura, contando com a participação de latino-americanos. (texto completo)

Apropriação social das TICs
A Comunicação na construção de indicadores sociais, por Prof. Adilson Cabral
Atuar politicamente nos mais diferentes campos sociais implica na adoção de processos comunicacionais capazes de articular setores diretamente envolvidos e a sociedade em geral, bem como a adoção de políticas de comunicação democráticas, capazes de afirmá-la como direito humano, potencializa a construção de indicadores sociais nas mais diferentes áreas carentes de processos comunicacionais capazes de envolver organizações, grupos e pessoas de um modo geral na superação de seus limites e dificuldades (texto completo).

CRÔNICA
Lembranças para não esquecer: histórias da aventura de um FSM em Caracas,
por Prof. Adilson Cabral
Nos corredores do Hotel Hilton, em Caracas, palco das principais conferências da edição do Fórum Social Mundial, pessoas se encontravam, planejavam suas agendas, encaminhavam decisões a serem tomadas nos encontros. Enquanto algumas criticavam, outras elogiavam. Mas, isso não era à toa... (texto completo).

 

 

NossosMeios
Comunicação no FSM Caracas: campanhas nas pontes entre redes, por Prof. Adilson Cabral
O VI Fórum Social Mundial conseguiu aprovar o Chamamento da Assembléia de Movimentos Sociais, contendo quatro campanhas centrais a serem trabalhadas ao longo do ano de 2006, além de uma série de eixos de luta, resultantes da mobilização das tantas redes que construíram a diversidade de frentes desta última edição. (texto completo).

Empresas e Grupos de Mídia
Fórum Social Mundial e sua repercussão na mídia brasileira
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Mesmo sendo considerado um dos maiores eventos para a sociedade civil, o VI Fórum Social Mundial não teve uma cobertura adequada da imprensa brasileira. As notícias transmitidas voltavam-se mais para a presença dos brasileiros na maior parte da programação e nas festas promovidas no lugar, uma vez que a delegação era grande. Mas, é isso que queremos? (texto completo).

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