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DRM é nova onda da rádio digital

por Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

A Faculdade de Tecnologia (FT) da Universidade de Brasília (UnB) saiu na frente e garantiu primeira autorização da ANATEL para a realização de testes de rádio digital no padrão DRM. Conforme noticiado na mídia especializada e disponível no site da ANATEL, trata-se de “de avaliar a qualidade do áudio, área de cobertura e robustez do sinal digital em Onda Curta (OC) em relação a ruídos, interferências e efeitos dos múltiplos percursos”.
Além disso, conforme release disponibilizado no site da ANATEL, a FT da UnB apresentará em 60 dias um relatório inicial contendo “características que serão utilizadas na transmissão digital e a descrição dos testes” e, ao final dos experimentos, outro relatório “acompanhado de laudo conclusivo e considerações finais abrangendo todas as atividades desenvolvidas”.
Ainda conforme dados do site, o “preço público pelo direito de exploração do serviço é de R$ 1.200,00, e a autorização é válida por um ano. O preço público pelo direito de uso da radiofreqüência é de R$ 20,00 e a Licença para o Funcionamento de Estação, exclusivo para o período de realização dos testes está sujeita à Taxa de Fiscalização de Instalação no valor de R$ 137,32”.
O site da IDG chegou a publicar a reportagem “Rádio Digital: entenda a nova era do rádio”, na qual anuncia precipitadamente que “O Brasil escolheu o padrão tecnológico norte-americano In band on channel (Iboc) para operar a rádio digital”. No entanto, segundo informações de Joanílson Ferreira, Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações (Minicom) na audiência pública sobre Rádio Digital, realizada dia 22 de fevereiro na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, nenhuma decisão será definida em não menos que um ano.
Da forma como se tornou pública a informação, o processo para solicitação de autorizações compreende o pagamento de algumas taxas e o compromisso em entregar relatórios ao longo do processo. No entanto, os testes ainda não são desenvolvidos no contexto de uma estratégia integrada para investigar as vantagens deste padrão em relação ao IBOC, que poderia ser implementado a partir de uma articulação entre setores do governo e o apoio de agências de fomento, a partir da mobilização de setores da sociedade civil como acadêmicos e organizações e movimentos sociais.

Para além da Europa
Apesar de ter sido anunciado no site da ANATEL através de release que o padrão DRM encontra-se “em operação regular por estações de OC européias”, como anteriormente divulgado no SETE PONTOS “há muito a caminhar nesse sentido no Brasil, a despeito de serem encontradas como parceiras, no site do consórcio DRM, emissoras de países como Equador e Tunísia”.
O site oficial do Consórcio DRM (http://www.drm.org/) traz informações técnicas e um histórico do desenvolvimento do padrão, apesar das informações em português não serem muito atuais (a última notícia publicada em português é de março de 2004). Na listagem de membros associados encontramos conhecidas como a Deutsche Welle (alemã), a NHK (japonesa), a Netherlands (holandesa) e a BBC inglesa, bem como outras como a Radio Vaticana e a Voz da Nigéria.

A caminho do Brasil
De acordo com o professor Lúcio Martins da Silva, membro do Grupo de Estudos de Rádio Digital do Departamento de Engenharia Elétrica da UnB, os testes estarão sendo realizados em ondas curtas, na faixa de 26 MHz, utilizando apenas o sinal DRM digital, e em ondas médias, com transmissão simultânea dos sinais analógico AM e digital DRM.
A potência dos testes de transmissão será de 200 watts, sendo que o alcance dos testes em ondas curtas será a cidade de Brasília, a partir de um transmissor a ser instalado pelo Consórcio DRM e os testes em ondas médias serão realizados a partir do transmissor da Rádio Nacional AM de Brasília, da Radiobrás, equivalente a sua área de cobertura, ou seja, a cidade de Brasília e as do entorno. Estão sendo previstos também a realização de testes em ondas médias na cidade do Rio de Janeiro, usando o transmissor da Rádio Nacional AM do Rio de Janeiro.
A intenção dos integrantes da pesquisa é propiciar subsídios para uma discussão posterior em torno do modelo brasileiro de radiodifusão digital, envolvendo a decisão sobre o melhor sistema a ser adotado. Segundo o professor, essa discussão deve envolver todos os segmentos da radiodifusão sonora, incluindo rádios comunitárias e organizações da sociedade civil e, em princípio, deve ser promovida pelo Governo, envolvendo aspectos como a evolução do rádio digital, os custos de sua implantação e o atendimento das demandas atuais e futuras por canais de radiodifusão sonora.
O Consórcio DRM está desenvolvendo uma versão voltada para a faixa de freqüência FM, já que atualmente o padrão DRM pode ser usado nas faixas de ondas médias, ondas tropicais e ondas curtas (apenas em freqüências abaixo de 30 MHz), mas não pode ser usada na faixa de freqüências hoje destinada à radiodifusão FM (que começa em 88,1Mhz). Os testes a serem conduzidos pela Faculdade de Tecnologia da UnB poderão também recomendar ao Consórcio DRM algum outro tipo de aprimoramento para que fique mais adequado ao contexto brasileiro, conclui o professor.

 

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