sp
cris
cmsiOurMedia
apoio 36

barra
  slogan


Daniel Herz moveu uma pedra que precisamos aprender a empurrar

por Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

Aos 51 anos deixa o campo de batalha o jornalista, militante e professor Daniel Herz. Autor do livro “A história secreta da Rede Globo”, dirigente da FENAJ e membro do Conselho de Comunicação Social que ajudou a fundar, seu maior mérito foi o de superar todos os limites possíveis no enfrentamento de uma causa que ainda soava estranha para boa parte dos movimentos sociais. E deixar um importante legado para uma militância que se fez nos sindicatos, nas agremiações estudantis e precisa avançar terreno junto A grupos, organizações e movimentos das mais variadas áreas de atuação.
Se compreendemos que não há democratização da sociedade sem a democratização da comunicação, precisamos incorporar a idéia de que se a comunicação não é compreendida para além de sua dimensão instrumental, qualquer força que se pretenda democrática ressentirá suas demandas em função de limitações que serão cada vez mais comunicacionais, seja pela concentração midiática intensificada em tempos de convergência tecnológica, seja pela sua própria capacidade de sensibilizar corações e mentes para uma agenda neoliberal, destituída de atores políticos antenados com os desafios desse novo cenário.

Chegar ao poder não é refazer o poder
A militância que encorpou a candidatura de Lula em 2002 não tratou a Comunicação com a devida importância para além da questão instrumental. Tanto no sentido instrument o para determinados fins a despeito de compreender como processo comunicacional relacionado à construção de identidades e articulações possíveis, como no sentido mais pragmático do termo, relacionado à apropriação de meios disponíveis e a serem viabilizados.
Como derivação desse processo, ou não se privilegiou a pasta do Minicom como estratégica na atuação de um governo Lula a ser construído (ao invés disso, a SECOM passa a ser um espaço de concertação entre setores interessados), ou, e aí sim uma clareza lastimosa do ponto de vista estratégico, deixou-se a pasta como moeda de troca em possíveis negociações para não mexer no cerne do problema da comunicação no Brasil e ir jogando para frente encaminhamentos possíveis em relação à comunicação comunitária.
Esse é um problema de governo, compreendido nele também o processo que também o constituiu. Ou seja, também a nossa incapacidade de viabilizar um movimento para além das estruturas de partido e de sindicatos.

Desafio que permanece
Nesse sentido é que o legado de Daniel Herz nos impõe um desafio que é o de ultrapassar as trincheiras da auto-referência no setor da comunicação, para incorporar efetivamente atores outros que atuam em áreas diversas, relacionadas aos direitos humanos, à academia e a o parlamento, para que a Comunicação no século XXI seja pensada e reivindicada por um movimento diversificado e compatível com as transformações em curso.
A partir dos anos 70, se falava em pensar globalmente e agir localmente. Ao final dos anos 90, com o fortalecimento das organizações da sociedade civil em redes globais, o ideário se constituiu no pensamento e na ação global. No entanto, o crescimento das articulações nos mais diferentes níveis e a necessidade de contar com pessoas das mais diversas comunidades, dos níveis mais simples aos níveis mais complexos, a partir de consensos em torno de melhores práticas e estratégias, reforçou demandas relacionadas ao pensar e agir global, mas com os pés no local. Um local que gera movimentos em escala nacional e que recebe de volta os frutos das articulações regionais e globais geradas a partir daí, tal como nos debates em torno da comunicação como interesse público.
Também é necessário aprender a articular a ação institucional que marcou o movimento nos anos 90 do século passado com ações diretas que consistam na realização de produtos de comunicação e intervenções culturais de visibilidade nos mais diferentes níveis. Que visem promover encontros e contribuições entre acadêmicos, técnicos e parlamentares na construção de caminhos possíveis que façam valer a pedra que Daniel Herz moveu.

 

NossosMeios
Daniel Herz moveu uma pedra que precisamos aprender a empurrar, por Prof. Adilson Cabral
O legado de Daniel Herz nos impõe um desafio que é o de ultrapassar as trincheiras da auto-referência no setor da comunicação, para incorporar atores que atuam em áreas diversas, relacionadas aos direitos humanos, à academia e ao parlamento, para que a Comunicação no século XXI seja pensada e reivindicada por um movimento diversificado e compatível com as transformações em curso.
(texto completo)

Apropriação social das TICs
Um e um é sempre mais que dois: a participação nos processos comunicacionais, por Prof. Adilson Cabral
Pessoas, grupos, organizações fortalecem comunidades, movimentos e redes das mais diversas formas e intensidades e a compreensão dessas diferenças é que permite tanto o aproveitamento da contribuição de todos no processo, bem como a compreensão de que cada elemento dentro de um coletivo tem um nível de participação determinado por fatores como conhecimento, interesse, disposição, dentre outros.
(texto completo)

A importância das TICs na Educação, por Isabel Fonseca
A linguagem disseminada pela TV, pela Internet e por todas as parafernálias tecnológicas invade o cotidiano, o ambiente familiar, escolar e intermedia a relação entre as pessoas. Estas interações possibilitam novas maneiras de acesso à informação e vêm colocando em xeque a educação tradicional e o papel do professor neste novo panorama.
(texto completo)

 

 

Soluções e usos
La Batalla Digital, por Gabriel Kaplún
Todo indica que la “migración” hacia la televisión digital ocurrirá en los próximos años. El modo en que se haga será clave para saber si avanzaremos hacia una mayor democratización de los medios de comunicación en Uruguay o si, por el contrario, todo seguirá como está... o un poco peor. (texto completo)

Do Local ao Global
TV digital e futebol brasileiro: destino selado de forma equivocada?, por Profª Eula D. Taveira Cabral
O Presidente Lula decretou o sistema de TV digital que será implantado no Brasil, mesmo não atendendo a sociedade civil. O técnico da seleção brasileira de futebol, Carlos Alberto Parreira, não ouviu as reivindicações do povo. E o Brasil perdeu duas vezes: no campo midiático e no esportivo. Porém, perdeu-se uma batalha, mas, não a guerra.
(texto completo)

Acesso Público
Direito autoral, socialização do conhecimento e os direitos humanos, por Fabio B. Josgrilberg
Abolir as regulamentações sobre o direito autoral em nome da socialização do conhecimento seria, como alerta a sabedoria popular, jogar o “bebê fora com a água da banheira”. Não por impedir a produção cultural, mas porque facilitaria ainda mais exploração dos artistas por grupos com maior poder econômico. .
(texto completo)